RSS

Arquivo mensal: dezembro 2011

O Desafio de Viver o Hoje !!

Por isso não fiquem preocupados com o dia de amanhã , pois o dia de amanhã trará as suas próprias preocupações. Para cada dia bastam as suas próprias preocupações.” Mateus 6,34

O texto de Mateus é encontra seu paralelo em Lucas com algumas alterações e, em especial, este versículo, muito repetido como um consolo para todo o cristão, não aparece em Lucas. Seria uma mensagem para os judeus mais do que para os gentios? Acredito que não. A mensagem de fundo e principal é a prioridade das coisas de Deus e todas as outras coisas serão acrescentadas. É a prioridade para as coisas do porvir. De um futuro intangível, mas que a Fé suporta e sustenta.

No texto, as preocupações com as bases da pirâmide de Maslow são evidentes. Preocupação com ter o de comer ou o de vestir. Pressupõe que mesmo na época de Cristo o morar era menos problemático do que ter o de comer e vestir. Bem que o milagre foi de multiplicar os pães e os peixes e não criar um Nossa Casa, Nossa Vida, por exemplo.

Mas o ponto da discussão é exatamente: como não se preocupar com o futuro e com as coisas que teremos pela frente? Ainda mais na época de desejar aos amigos um Feliz Ano Novo, pleno de realizações e muito sucesso, claro que com saúde e sempre sob as bênçãos de Deus!?

Uma frase de Olavo Bilac me chamou a atenção na semana passada:

 

O presente não existe. A vida é o passado e o futuro; vivemos de lembranças e de ambições, entre a saudade e a esperança.”

 

Em resposta a uma conversa de web, recebo outra tão provocante quanto essa e, dessa vez, de Frank Lloyd Wright (Arquiteto famoso nos Estados Unidos):

 

O presente é a sombra que se move separando o Ontem do Amanhã. Nele repousa a Esperança.”

Mas daí, surge um texto de 2002 que minha mãe escreveu e guardou para compartilhar exatamente agora, hoje, neste momento (ou foi no minuto que já passou? — ou já seria saudade e lembrança?):

SER

Ignez Pinto Dias Ribeiro

 

Nesta imensurável fração da eternidade

que é o agora,

estou deixando de ser, para me sentir sendo,

entre o eu fui e o eu serei.

 

Se tal não fosse, como explicar,

o que já foi e o que será?

 

É pura energia, ou é a inércia,

que me leva através do ser agora,

neste exato momento em que sou, e

deixo de ser, pelo simples fato de que já era?

 

E por que assim não seria

se, afinal, a vida é uma sucessão

de momentos que já foram,

são e serão,

eternos nos frágeis agora,

enquanto duram?

 

Imediatamente voltei para a reflexão sobre o tempo e a percepção humana, presa ao sistema solar e aos 60 segundos de cada minuto até os 365 dias de cada ano, e que estamos prestes a ver passar o de 2011!

Para Deus mil anos são como um dia e um dia como mil anos?! Veja em Salmo 90,4 ou 2Pedro 3,8.

A perspectiva do tempo depois da relatividade de Einstein, e mais ainda depois da Física Quântica, me parece desafiar-nos para dois pontos muito importantes. Primeiro, evitando a perspectiva de tempo, no tempo de Deus para nossas necessidades, desejos, sonhos, devemos manter nossas vidas e perspectivas abertas à ação do seu Espírito em nossas vidas a fim de que nossas realizações e cada passo dado reflitam que nossa vontade está em sintonia com a vontade de nosso Pai.

Segundo, devemos entender que a mensagem de Cristo priorizou as coisas de Deus, coisas do espírito, coisas da vida plena e que não significa que devemos imaginar que as coisas acontecerão por acaso ou por providência divina a despeito de nossa omissão em sermos os protagonistas de nossas vidas, anseios e desejos humanos e terrenos. Não perca a Fé na Vida eterna mas Ponha o pé no chão.

A palavra esperança sempre teve uma conotação na tradição Cristã de esperar. Mas, na verdade, a esperança não deve ser um substantivo inerte e que nos coloque sempre na espera de que algo aconteça por acaso. Acaso este que, quando dá certo, entendemos imediatamente como providência. A palavra esperança evoca ação, a atitude de esperar algo, fazendo acontecer! Esperançar seria o verbo e não esperar, conforme ouvi uma vez do amigo Arthur Hipólito de Moura.

O Apóstolo Paulo planejava cuidadosamente suas viagens. Trabalhava para obter seu sustento e não depender de doações de seus novos seguidores recém convertidos ao Cristianismo. Por outro lado, de suas viagens sempre trouxe doações e dízimos das Igrejas recém inauguradas para ajudar no sustento da sofrida Igreja de Jerusalém, esta sim uma providência que tinha como protagonistas pessoas com iniciativa, em sintonia e alinhados com os planos de Deus para a sua igreja e para os seus.

Como ficamos no impasse de se devemos pensar — ou não! — no dia de amanhã, quando estamos no momento ritualístico, quase universal, de refletir sobre o que fomos e fizemos em 2011, e planejar, rever objetivos e nos prometer novas atitudes para o ano de 2012?

Bilac nos fala de nos movermos para a frente com ambições e esperanças.

Frank Lloyd nos lembra que a esperança tem valor no agora, no presente, pois no futuro ela se confirmou ou se dissipou para ser renovada em nova esperança de um presente que será!

Ignez propõe que o agora é uma fração da eternidade que não se pode medir. O futuro é parte da eternidade que não se pode antever, mas viver cada fração para chegar lá. Pois daí vem a questão sobre ser energia ou inércia. Pois que seja energia e não inércia.

Pensei, então, que uma mesma idéia reúne os diversos pensamentos listados aqui, e que exprimem a preocupação do agora ser pouco e insuficiente!

Este pouco, pois efêmero, no tempo curto de uma fração de tempo, vai afetar o que será, e mesmo o que será no agora seguinte será uma fração de tempo para pensar e fazer. O processo contínuo de fazer alguma coisa sempre, na direção desse futuro é que pode ser uma alternativa. Alternativa que será se se mantiver a coerência entre contexto, seu entendimento, decisão e ação!!

Portanto, concluo que é preciso transformar a esperança em ação, tomar a decisão e agir para construir o futuro que desejamos, suportados pelo cuidado de Deus para conosco como promessa de cumprimento eterno, e fazer do agora o ponto de partida para o novo sempre!

Feliz Ano Novo!!

Marcos da Cunha Ribeiro

Agradeço a revisão do Editor e Pastor Marcelo Smargiasse !

Anúncios
 
2 Comentários

Publicado por em 30/12/2011 em Filosofia

 

Tags: ,

DE NOVO A LUTA ENTRE CAIM E ABEL !

Na leitura do Gênesis na Bíblia Sagrada, texto escrito em hebraico na corte de Salomão, mas de uma história contada milenarmente pela tradição da transmissão oral, lemos que, na origem da humanidade, Adão e Eva, juntamente com a sua família e conterrâneos, viviam e sobreviviam de muito trabalho.

Caim e seus seguidores aprenderam a agricultura e sua subsistência vinha do domínio da produção agrícola, ainda que, nos primórdios, sem tecnologia. Acredito que o domínio da agricultura foi um dos primeiros saltos de civilização, redução do nomadismo e formação da sociedade em tribos assentadas para o cultivo da terra. Homo Sapiens há pelo menos 30 mil anos!

Já Abel e seus colaboradores aprenderam a dominar as primeiras espécies animais feitos domésticos. Se bovinos ou ovinos a importância é menor. Importa que foi mais um passo da civilização importante para a sua evolução.

No entanto, conta a história, havia certa disputa entre Caim e Abel. Ambos trabalhavam muito e ambos queriam agradar o Deus Criador com suas oferendas místicas e espirituais no ritual do holocausto, ou da queima de sua oferenda em um local preparado e, portanto, sagrado.

Ocorre que nessa história existia um vencedor e conta a lenda que as oferendas de Abel faziam um melhor fogo e uma melhor fumaça o que correspondia a uma maior satisfação do Divino na aceitação dessa oferta. No caso de Caim sua oferta não era tão apetitosa ou cheirosa. De fato mato queimado não tem chance perto de um bom churrasco.

Dessa disputa e mal-estar criados ocorreu o primeiro fratricídio da história da humanidade e Caim matou Abel! A tristeza e sofrimentos se abateram na sociedade a partir da família de Adão e Eva, e Caim caiu em desgraça pelo crime cometido.

Ao nos deparamos agora com o novo Código Florestal, recém aprovado no Congresso e perto de ser promulgado pela presidente Dilma, vemos que no âmago da lei e do contexto atual (onde se espera ela seja aplicável e aplicada), além das questões ambientais tão apaixonadamente defendidas, podemos concluir que a expansão das terras cultivadas no Brasil, mantidas as premissas de preservação, recuperação de matas e proibição de novos desmatamentos e queimadas, só será possível e viável economicamente no avanço das plantações sobre os pastos atualmente já implantados.

“Só isso explica a ilusão de que a bovinocultura ocupe área 3,5 vezes maior que o total das lavouras.” — José Eli da Veiga no Jornal O Valor .

http://www.valor.com.br/opiniao/1145376/codigo-florestal-1934-2011

A disputa parece injusta por todos os pontos de análise possíveis, uma vez que a produção de proteína animal é importante para o Brasil e o Mundo tanto quanto a produção de grãos e cana de açúcar. Nossa produção atual e futura de grãos, os commodities, em especial a soja, com demandas crescentes e estoques baixos há mais de 3 anos, são parte importante da balança comercial brasileira e a agropecuária já responde por mais de 30% do PIB brasileiro. Temos de ajudar a alimentar novas populações inseridas recentemente no plano de vida normal como na Ásia crescida, China e Índia principalmente. Tudo isso além da energia renovável da cana de açúcar e etanol.

De novo veremos Caim e Abel lutando entre si? Será este o caminho? Talvez sim! Não fosse a dúvida quanto ao surgimento de outro “irmão” neste meio, em que, segundo os números do artigo acima disponibilizado, seria o irmão que aprendeu da necessidade primária do Homo Sapiens em ter um abrigo ou uma moradia e que essas moradias, em geral ao redor de cidades urbanizadas, representam uma necessidade de espaço, espaço esse que avança nas terras ao redor. Esse irmão não cria gado e nem planta. Ele compra e vende terras para construir suas cabanas. Esse irmão é fruto da modernidade. É o especulador imobiliário. Não existe na história do Gênesis, mas está entre os que se dizem pecuaristas, portanto circulam no clã de Abel e fazem a especulação imobiliária do século 21!

No tempo das tendas e caravanas desde Abraão, era mais fácil e mais simples, mas, ainda assim, os irmãos se mataram !

Marcos da Cunha Ribeiro

Agradeço a revisão do Editor e Pastor Marcelo Smargiasse !

 

PS:  Leiam Matéria recem publicada na Revista de Marketing Industrial No. 55 nas bancas a partir de hoje , 28.02.12 com o título : A nova lei Florestal e a sustentabilidade do agronegócio por MCR .

 
1 comentário

Publicado por em 22/12/2011 em Contexto, Economia

 

Tags: ,

FELIZ NATAL E UM ÓTIMO 2012 !!!

O período de festas não pode passar em branco ! No domingo no parque a rosa é vermelha !

Aqui neste momento uma homenagem ao poeta e primo José Jorge que inspirado como sempre deixou bela mensagem de paz e esperança , branca e verde mas  pela existência do Encarnado que também evoca vermelho !

 

Abraços

O CORDEIRO E A TERRA

Natal nos lembra o branco.
Não o da neve ou do leite,
Nem o das nuvens ou do algodão;
Nem das espumas em mar agitado,
Ou do lençol ao sol alvejado.

Branco, pureza aqui no ocidente,
É também luto no oriente.
Mas, soma de todas as cores,
A todas, suaviza o tom,
Como o bálsamo, as nossas dores.

Natal nos recorda o vermelho
Das flores ora sazonais.
Rosas rubras, carmesins,
Com espinhos que ferem as mãos
Do mais cauteloso hortelão!

Natal nos vem à lembrança
Com a família, idosos e crianças
Juntos ao redor da mesa
Pernis, pratos exóticos, sobremesas
Santa Ceia…
Que em nossos corações aviva
O fogo da fé e da esperança.

O branco da Paz…
O vermelho da guerra…
O verde renovo após o inverno,
São símbolos à humanidade afeitos
E a todo cristão, revelados:
Nasce Jesus, encarnação do Eterno,
O cordeiro da paz imaculado
Extirpando todo o mal da terra.

J. Jorge
Natal / 2011

 
Deixe um comentário

Publicado por em 22/12/2011 em Geral, Pessoal

 

Tags: