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Arquivo da categoria: Economia

A NOVA LEI FLORESTAL E A SUSTENTABILIDADE DO AGRONEGÓCIO

 INTRODUÇÃO

Antes de tentar detalhar um pouco a origem das controvérsias em curso, cabe salientar que o Governo, desde os anos 2003, vem usando de um expediente inteligente e perspicaz, pouco comentado nos meios econômicos, políticos, ou na mídia. Ao invés de buscar maiores polêmicas como o uso eventual do boné vermelho em favor de um movimento questionável e totalitarista, bastou uma ação coordenada entre órgãos de ministérios, sindicatos e algumas instâncias do Ministério Público para, ao invés de discutir, cobrar o cumprimento de leis que viviam em ostracismo não aleatório, mas controlado. Vejamos, como exemplos paralelos ao código florestal, a exigência do cumprimento da cota de deficientes nas empresas na dose de 5% do efetivo contratado, ou a forte fiscalização sobre serviços terceirizados, o cooperativismo na indústria ou outros esforços que geraram o crescimento substancial do número de empregos “gerados” com carteira assinada, nos últimos 8 anos.

A Lei Florestal do Brasil, seu primeiro código florestal, foi  instituída em 1934, no governo Getúlio Vargas, sofreu revisão durante o governo militar e desde então a norma básica ainda é a Lei 4771 de 16 de setembro de 1965, que sofreu inúmeras alterações por leis complementares de 1989 e 2006 ou por Medida Provisória, em  especial durante  2001.

Hoje, todo o debate acerca do Código Florestal diz respeito às figuras da Reserva Legal e das Áreas de Preservação Permanente, segundo Ciro Siqueira em seus comentários sobre o tema.

Conforme disse o professor José Eli da Veiga, em setembro de 2011, “no momento atual temos, depois de votado e aprovado na Câmara Federal o Projeto de Lei da Câmara nº 30, (novo Código Florestal) um imenso fardo para os senadores”.  José Eli também via o centro das discussões nas áreas de preservação permanente e nas reservas legais, mas com foco nas tendências da produção agrícola: com crescentes produtividade e qualidade, ancoradas em tecnologia, conhecimento e informações, transformadas em competitividade real. No caso, o contraponto é o confronto com a  sobrevivência de uma pecuária de extensão, arcaica e promotora dos últimos grandes desmatamentos no Brasil.

Certamente aqui cabe considerar a crescente tecnologia de produção de gado confinado ou com otimização do uso de áreas de pasto,  que poderiam gerar reservas de expansão da área plantada para produção de alimentos, sem comprometer mais desmatamentos com expansão de novas fronteiras agrícolas.

Existe, portanto, um embate entre duas fortes vertentes do agronegócio brasileiro e ambos muito fortemente inseridos nos planos de um Brasil Maior (programa de governo atual) , com atentos suportes de BNDES , e outros meios de fomento para que o agronegócio passe a ocupar posição de importância relativa que nunca ocupou na história econômica do Brasil ( talvez exceto no ciclo do café e antes da industrialização brasileira acontecer de fato).

Aparentemente a situação atual teria sido provocada pelo decreto n° 6514/08, do Poder Executivo, por iniciativa do Ministério do Meio Ambiente, que fez agitar leis adormecidas e trouxe à tona, de um lado, sua falta de efetividade, e de outro acordou os proprietários agrícolas para a percepção de que as leis e suas emendas, ocorridas ao longo do tempo e de há muito vigentes, não seriam viáveis do ponto de vista da sobrevivência econômica e financeira do agronegócio nos moldes atuais. Nessa hipótese, a produção de riqueza no agronegócio e seus colaterais de geração de emprego, de equilíbrio da balança comercial do Brasil e até da segurança alimentar, não só de brasileiros como de parcelas importantes da população global, estariam em grande risco.

Esta argumentação se insere nas discussões globais sejam relativas ao meio ambiente ( que monopoliza um pouco o espaço de discussão), da emergência de classes médias e melhor distribuição de riqueza, ou da questão da fome ainda presente e insistente para muitos milhões de seres humanos.

Como argumentos globais, antes da segurança alimentar já veio a sustentabilidade.

Até 10 atrás  a viabilidade de um empreendimento, mesmo no próprio agronegócio, era dependente de lucro e rentabilidade, quase que exclusivamente. No caso da produção agropecuária no Brasil, desde há muito sem subsídios diretos, mas com linhas de crédito aperfeiçoadas ao longo dos últimos 30 anos (versus os altos subsídios da Europa ou dos EUA) pode-se perceber que os conceitos evoluiram, que houve mudança  e agora, ao invés de um único suporte passou-se a considerar 3 suportes, ou 3 pernas de um tripé, (gosto muito da figura do tripé pois reflete a instabilidade total na falta de um dos pés). Isto ocorreu a partir do final dos anos 90 quando o conceito de sustentável ganhou o aporte conceitual da já famosa “triple bottom line”, assim  cunhada por John Elkington.

Ocorre que de fato a sustentabilidade apoiada por três suportes – as pessoas (social) o meio ambiente e os  recursos financeiros (economia, resultados) permite uma melhor compreensão do papel da industria, ou do agronegócio,  desde há muitas décadas. Os já famosos três pês de “People, Planet and Profits”.

Este conceito, muito bem discutido em nossos Fóruns de Marketing Industrial desde 2002, pelo menos ganhou novos ingredientes no Fórum recém terminado de setembro de 2011. A figura de uma pirâmide com base triangular (o tripé de Elkington) com o vértice superior representado não pelo social, mas pelo Indivíduo, o ser humano cidadão, consciente e interferente nos sistemas; e com a feliz idéia de que no meio circunscrito pelos lados da pirâmide existe o ambiente onde o conjunto de agentes se comunica e troca informações construindo confiança e respeito mútuos, o que sustenta os relacionamentos fundamentais para o equilíbrio e sustentabilidade do macro sistema.

 A ATUAL POLÉMICA NO BRASIL

Em recente artigo o Prof. Delfim Neto afirma com segurança e com o peso de sua experiência de que (fora de ambientes acadêmicos) não se pode mais dissociar as questões econômicas das políticas e vice e versa. Eu sugiro ampliar esta máxima também para as questões sociais.

O viés ideológico de alas políticas é incontestável e encontra guarita em vários dos órgãos e setores públicos que participam do movimento em defesa de suas prioridades. A questão ambiental vem ganhando prioridade absoluta e isto, no caso do tripé da sustentabilidade,  gera um certo desequilíbrio. É Cult!

O viés econômico vem de alas representantes da economia privada que carregam os riscos do agronegócio do país, e que mal se recuperaram de crise profunda de 2004/5, um soluço mundial em 2009 e felizmente uma recuperação razoável e alvissareira a partir de 2010. Sofrem da mesma discriminação que ainda se dá ao lucro.

O suporte extra desta vertente é a constatação de que o consumo de alimentos no mundo emergente, a despeito da estagnação das grandes nações ocidentais do hemisfério norte, e ainda a perspectiva de um continuo crescimento e emergência de suas classes médias faz crer que nos próximos 10 anos o agronegócio tem todas as condições de um crescimento estável e sustentável na demanda, na oferta, nos preços e na expansão da produção.

A maior produtividade, o crescimento relativo de áreas plantadas e uma melhor rentabilidade certamente farão dos empreendedores – libertos das dívidas de muitos anos – grandes investidores em insumos, equipamentos e treinamento de pessoas, dando margem a uma geração de empregos diferenciados como nunca houve na história deste contexto.

Em parte estas perspectivas explicam a enorme quantidade de investimentos estrangeiros no setor também explicados pelo crescimento mundial da demanda de alimentos, pela dificuldade de recuperação de estoques mundiais e pela atratividade recente de investidores do mercado financeiro, com menores opções depois da crise.

E o viés social, onde está? Dissimulado no cenário político porque é argumento obrigatório no discurso.

Os dois setores mais agressivos, as minorias: de um lado os que usufruíram das leis que não pegaram até hoje, em especial nos setores de menor investimento e maior extração da extensão de terra e suas potencialidades, ainda que subaproveitadas, no caso a agropecuária extensiva; de outro os setores progressistas de investimentos largos em produtividade como o setor de commodities agrícolas. Destes o melhor posicionado para médio e longo prazos é o da soja, mas reconhecemos o reposicionamento do café ( a mecanização de colheita salvou o café do Brasil) e mais recentemente novos investimentos no algodão.

E o viés político? Sempre fortemente influenciado pelo ideológico, ao menos na nossa pátria mãe gentil.

Está em acordos partidários frágeis tecnicamente, mas fortes fisiologicamente. Expressão da leniência com que são tratadas as infrações de movimentos como MST e assemelhados. Um foco quase religioso, no que seria o panteísmo da visão radical dos ambientalistas, que defendem a retroatividade da lei para proprietários e investidores.

Como imaginar hoje, em 2012, abrir mão de 20% da área plantada, investir a fundo perdido (no negócio) para reconstruir uma mata que já não existe há um século ou mais, e ainda encontrar rentabilidade e perpetuidade no negócio onde o mercado é commodity mundial e o cambio uma incógnita?

Como complicador significativo, a despeito das vozes bem intencionadas e bem abalizadas que estão tentando manter o nível de bom senso, ainda temos uma confusa mistura de argumentações e estatísticas no setor, que confundem a agricultura familiar – de inserção social e de suporte na alimentação de subsistência da sociedade – com o que é de fato um segmento de economia que tem que ser entendido em escala de produção e custos, rentabilidade sustentada por ser commodity, em melhoramento contínuo de técnica e inovação e numa estabilidade mínima de volumes e logística ( infra-estrutura ) em escala de mercado global.

Este conjunto de vieses acima determina a atual insegurança jurídica que paira sobre o agronegócio e sua sustentabilidade para um futuro mais que promissor e que sempre pontua o Brasil como celeiro do mundo.

A área plantada no Brasil nos últimos anos tem crescido no máximo de 2 a 3 %. Porém  a produtividade agrícola tem crescido acima de 10% ao ano na média. Como manter isso com tamanha insegurança jurídica?

A balança comercial brasileira, em tempos bicudos para a indústria de transformação, tem no setor agrícola o maior gerador de superávit recente e para os próximos 10 anos. Qualquer instabilidade no seguimento desta tendência desorganiza e arrisca a nossa estabilidade de inflação, de cambio, de crescimento econômico e distribuição de renda.

Com todos estes importantes atributos, porque sofrer com ameaças que são totalmente dispensáveis, dado que estão no âmbito do arbítrio do país? Já não bastam as ameaças permanentes do ambiente externo, suas incertezas e o permanente jogo de poder e de sustentação de produção e de mercados que cada nação tem que enfrentar?

Parte do desequilíbrio nos vieses citados, que afetam a sustentabilidade do planeta e das nações, está justamente na oposição de interesses de curto, médio e longo prazo nas agendas ocultas de cada nação representada nos fóruns de debates mundiais. È evidente que ações de curto e médio prazos são poucas e alguma identidade de objetivos e propósitos de longo prazo representam uma esperança.

Este processo se estende depois em ações de ONGs e outras instituições, muitas delas inegavelmente bem intencionadas, mas que efetivamente têm forte influência sobre decisões políticas, legislativas, que também deveriam buscar o equilíbrio e formar o tripé da sustentabilidade no plano privado, no plano de estado, no plano da sociedade,  garantidos por uma democracia e uma construção de valor que criasse de fato uma prosperidade compartilhada, apartidária, com prioridade expandida primeiro para o Brasil, mas também para o mundo .

E O MERCADO DE EQUIPAMENTOS AGRÍCOLAS?

 Depois de quase 4 anos de convivência com este mercado arrisco uma avaliação que me parece realista no longo prazo e talvez otimista no curto e médio prazos.

A nova lei florestal pode minimizar as barreiras para um crescimento mais robusto da área plantada no Brasil alem do que foi observado.

Também a nova lei florestal pode minimizar os investimentos de curto prazo e a fundo perdido, ao menos para o investidor do agronegócio, e, portanto balancear os esforços de investimentos de capital para tanto a preservação ou recuperação de áreas de um lado, como também de melhoria de produtividade e de custo na produção pelos investimentos em mecanização e automação em curso.

O apelo pela sustentabilidade passa pela produção em escala crescente de alimentos para a humanidade, em especial a tendência crescente de consumo maior nos países emergentes e suas novas classes médias.

O Brasil tem seu potencial de crescimento do agronegócio, seja na continuidade da melhor produtividade e custos no campo quanto na expansão de área plantada, seja na fronteira ou na migração do pasto para o plantio de grãos e outras commodities.

Haverá uma continuidade de investimentos estrangeiros nas diversas vertentes de oportunidades do agronegócio.

Haverá também a necessidade de alguma consolidação de mercado nos setores diversos, mas com ênfase na área de equipamentos e implementos agrícolas. A indústria brasileira precisa focar seus diferenciais reais de valor, seja na inovação ou na performance de seus equipamentos e implementos, seja na capacidade de enfrentar as demandas de capital de giro e de investimentos e na melhoria da linha de produtos. O Brasil se tornou parte irreversível do mercado global de equipamentos e insumos.

Os 3 maiores grupos de produção de equipamentos do mundo estão consolidando e solidificando seu posicionamento no mercado brasileiro e, a partir dele,  na América do Sul e talvez na África . Investimentos entre RS , SP e GO superam bilhões de reais nos últimos 2 anos e nos próximos 2 a 3 anos. A maior parte desses novos “starts ups” está prevista para 2012 ou 2013. Alguns “players” são grandes o suficiente para terem banco próprio, como a indústria automobilística. Falamos de crescimento de produção possível na

ordem de 7 a 10% ao ano , cifras chinesas em um Brasil que deve ficar nos 4% ao ano de crescimento do PIB.

Os investimentos em tecnologia no foco da automação e melhoria de produtividade na chamada de agricultura de precisão são expressivos e a cada Agrishow surge uma série nova de lançamentos atrativos.

As linhas de financiamento para novas safras e para mais capacidade de mecanização são crescentes e incontestáveis, tanto quanto as novas modalidades de fomento.

Portanto há um cenário de crescimento de negócios, endurecimento da competitividade, clientes em transformação (dado que na produção de escala não temos mais a figura folclórica do agricultor, mas empresários e executivos altamente preparados para decisões de negócios em busca de resultados crescentes) em cenário mundial favorável e com tendência altamente atrativa para próximos 10 anos. É um cenário bom e fora da curva do contexto mundial atual, mas nem por isso inverossímil.

Os pequenos e médios agricultores seguirão a tendência de melhor visão de qualidade e produtividade, seja em nichos de produtos especiais ou em agricultura de subsistência mais sofisticada.

O mercado de grãos, energia e produtos em escala mundial serão mercados pujantes e grandes oportunidades para verdadeiras propostas de valor e de relacionamentos significativos e duradouros. Os produtos agrícolas deste segmento já são chamados de commodities e tratados como commodities.  Boa parte dos insumos idem.

Equipamentos e implementos devem preservar a oferta de valor na cadeia para evitar que a diferenciação se resuma no poder do capital investido na especulação dos estoques. As cadeias de valor no agronegócio têm se consolidado, em alguns segmentos, como oligopólios e o setor de equipamentos é uma das poucas exceções deste fenômeno.

Quem sabe assim, ainda nesta década, possamos ver também a fome e desnutrição anacrônica que aflige a milhões de seres humanos serem banidas, graças a este crescimento de demanda aliado a ganhos de produtividade e à redução de desperdícios e perdas inaceitáveis para o século XXI.

Referências :

 

  • O fortalecimento da segurança alimentar e ambiental na concepção do novo Código Florestal – Eduardo Pires Castanho (IEA)
  • Imenso fardo para Senadores – José Eli da Veiga para O Valor Econômico, em 20.09.2011
  • Cartilha do Código Florestal – SOS Florestas
  • Entenda o problema do código Florestal – Blogspot Ciro Siqueira.

 

Texto originalmente publicado na Revista de Marketing Industrial No 55 em 2012 que relendo me parece ainda muito atual até porque a Lei Florestal, em sua aplicação,  caminha ainda a passos de tartaruga.

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Liderança e o desafio da Credibilidade e Confiança .

Comecei este artigo há uns 15 dias e coincidentemente ao estar revendo e finalizando o mesmo, eis que me deparo com preocupações semelhantes em vários pontos de nossa sociedade.

Em inglês uma posição muito forte para qualquer formação de cultura, gerenciamento de pessoas pelo exemplo, entre outros me remete a frase “Walk the talk !”

No nosso Brasil tropical sempre usamos ditados e provérbios, digamos enviesados. Certamente este viés é forte e preponderante em formar nossa cultura como sociedade e, portanto em nossas instituições , seja de governo de nação , estado ou município,  mas certamente no âmbito de núcleos sociais como comunidades de toda natureza , inclusive as religiosas , eclesiásticas ! “ Faça o que eu falo mas não faça o que eu faço !”  Lembram ?

Sempre me lembro nestas horas de importantes ensinamentos de nossa amiga Ethel B. Medeiros

Quando dizia que consistência é a coerência prolongada! Oras o que é coerência senão ações que comprovem e confirmem afirmações e posições tomadas? Consistência é Walk the Talk!!!

Se falamos de Gerenciamento pelo Exemplo , estamos falando do “ Walk the talk “!

Pois bem, não bastasse isso encontro em recente artigo de Alberto Carlos Almeida  ( Jornal O Valor ) uma colocação que me provocou , digamos , uma indignação com o status quo! (a discussão era da situação política do Brasil e fazia uma comparação entre condições e posição de Nixon nos anos 70 nos USA e Dilma nos anos 20XX no Brasil! ) : “Credibilidade, assim como confiança, é um ativo que cresce à medida que é utilizado!”  E diz ainda , em contexto de discussão política: “ Como Nixon nos ensina,  credibilidade não usada é credibilidade perdida !”

Diz o texto de Alberto Carlos Almeida:

“Na realidade o problema começa quando a população não entende os porquês da dificuldade ( dificuldades do ano 2015 !) , e acima de tudo , quando não vê o governo se empenhando para que as coisas mudem para melhor .”  e em seguida coloca o exemplo do pai que ficou desempregado e pede para a família reduzir gastos e temporariamente corta o curso de inglês dos filhos , mas que vai a luta , faz o Curriculum e diariamente mostra o empenho em buscar nova oportunidade de trabalho . Vai conseguir, mas o exemplo dado foi coerente com a solicitação de cortes de gastos e até investimentos da família. Todos vão apoiá-lo e dar-lhe suporte.

Para complicar um pouco mais nossas elaborações lembro que relacionamento é algo que acontece quando existe Comunicação e Confiança!  Confiança é derivada direta de credibilidade. Portanto relacionamento também é resultado da combinação positiva de comunicação e credibilidade. Este tema foi um trabalho de Jean Bartoli com ingredientes de Anna Arendt e que no final apela a possibilidade do perdão para o resgate do relacionamento quando confiança ( e credibilidade ) e comunicação falham por nossas fragilidades humanas.

O que acontece hoje no Brasil é isso tudo que acabo de dizer acima. Mas o foco desta reflexão não é só para o Brasil que sempre ocupa posição preponderante em nossas  preocupações , como se o Brasil fosse algo que , além e fora de nossa controle pessoal , interfere e influencia definitivamente nossas vidas ! (e em parte é isso mesmo que acontece!).

Mas veja por outro lado, desde os anos 80 passei  a observar e verificar que nossa economia formal e privada, nossa sociedade enquanto não pasteurizada e controlada por alguma força ideológica de qualquer vertente, sempre foi mais forte, superou e sobreviveu a todos os descasos e desmandos dos contextos vigentes. Desde a proclamação da república, mas de forma consistente, crescente e permanente cada vez mais firme, na passagem da ditadura Vargas, governos claudicantes, ditadura Militar e agora a pseudo-ditadura de esquerda, quase bolivariana que vivemos e nela imergimos.

Para fechar a reflexão meu desafio é de justamente colocar neste contexto amargo e temporariamente depressivo (até na economia!) e colocar em questão: Onde está a credibilidade de nossos líderes empresariais? Onde está o walk the talk destes líderes de empresas que comandam a economia real, que é a única que pode gerar riqueza para ser dividida na sociedade? Onde estão os líderes empresariais que se encastelam em associações e grupos, mas que nos momentos mais críticos ou se omitem ou esperam benesses de governos em decisões questionáveis de desonerações protegidas?

Em excelente artigo recente, Luiz Bersou coloca a necessidade de um pacto social para enfrentamento da crise atual por que passamos tanto política, quanto econômica.

Assim colocou Luiz Bersou na conclusão de seu artigo:

Questão fundamental que não está sendo percebida. Momentos de crise são também momentos de grandes ganhos ou perdas em credibilidade. Credibilidade é a mola de mobilização social. Fala-se em diálogos. Estão soltos por aí.

Diálogos soltos não levam a nada. A base para a capacidade de mobilização precisa ser o Pacto Social que traga para os líderes a condição de construir em conjunto.

Nesse momento em que o governo se mobiliza para salvar a si próprio, não quer cortar na própria carne, está abrindo mão de Pactos Sociais que não o interessam. Precisamos então de líderes empresariais e homens públicos que exijam a elaboração de Pactos Sociais que interessam principalmente à nação e que vão acabar salvando o governo que sobrar.”

Pois bem, lendo e relendo jornais e revistas recentes, consultando colegas que trabalham em Associações de classe empresarial vejo com preocupação que nosso empresariado em geral não só está na defensiva em relação a investimentos como também, como quase sempre nos últimos 30 anos, em posição não de protagonistas de propostas de Pactos Sociais como acima, de fazer acontecer como costumam cobrar de seus gerentes e diretores na empresa. Ao invés disso, estão  como sempre assistindo as coisas acontecerem e esperando que aconteçam como eles desejam . Poucos são exceção, e até estes tem estado em estado de observação.

Acredito que o problema do Brasil, das empresas, das associações e comunidades é anacrônico e sem solução de curto prazo. Precisamos de bons líderes e eles estão em falta!!

Marcos C Ribeiro

 
 

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CONJUNTURA E CENÁRIOS POLÍTICO-ECONÔMICOS DO BRASIL EM 2014 E A PRODUTIVIDADE No 4

Não acredito que este assunto se esgote no post No 4 do tema mas talvez até a consumação das eleições de 2014 eu vá olhar outros temas também urgentes e importantes.

Saiu a nova Matéria sobre o enfoque de produtividade na visão de Marketing Industrial e na constelação de valor das empresas válidas. Desta vez foquei a parte , diria , mais hardware , pois falo de produto, processos  e manufatura . Espero que gostem do texto e desde já agradeço os comentários.

A Revista de Marketing Industrial , editada bimensalmente pelo Instituto de Marketing Industrial , já está nas bancas e já chegou aos assinantes e amigos do Instituto . É a Revista de No 65 .

O arquivo está no link logo abaixo !

 

Bom Proveito e até breve ,

 

Produtividade 2 RMI No 65

 

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CONJUNTURA E CENÁRIOS POLÍTICO-ECONÔMICOS DO BRASIL EM 2014 E A PRODUTIVIDADE No 3

Produtividade R MI No 63

Para os que não encontraram ou não puderam adquirir a Revista de Marketing Industrial coloco  em anexo o texto que , como dito anteriormente tem a sua análise de contexto básico em post de marco do corrente ano.

Bom Proveito !

Marcos

 

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CONJUNTURA E CENÁRIOS POLÍTICO-ECONÔMICOS DO BRASIL EM 2014 E A PRODUTIVIDADE

Análise do Contexto e Cenário atual e próximo futuro como embasamento para a discussão de Produtividade na constelação de valor do Marketing Industrial.

Introdução e esclarecimento:

A grande motivação, para esta análise, foi a preparação do processo de pensamento e introdução para uma nova matéria de minha autoria que será publicada no próximo número da revista de Marketing Industrial, que será de No 63  ( única revista especializada em Marketing Industrial no Brasil e talvez na América Latina !) . A edição reduziu a análise introdutória por questão de espaço, mas autorizou a publicação neste Blog.

Desde já convido a todos que leiam este post que procurem ler o artigo na Revista, (Nas melhores bancas de revistas do Brasil  a partir de 24 de março) pois será um complemento interessante na discussão da questão da Produtividade. Produtividade, que na macroeconomia,  hoje é apresentada como a maior causa ( pela sua falta e não excesso !) de baixo crescimento do PIB e aumento da inflação no Brasil para hoje e para próximos anos.

Produtividade, que na microeconomia, não mais pode ser tratada separada da Qualidade do produto ou serviço e que é o componente causal real da competitividade de custo, com ou sem ganho de escala no volume.

Produtividade que nas empresas ainda é um foco primordial ainda que mal compreendido e mal trabalhado nos processos críticos e processos de suporte, na produção e na distribuição, com ERPs de ultima geração ou com processos manuais.

 A Análise como foi feita:

Há um ano propus um Back to Basics para a Indústria brasileira resgatar alguma competitividade.

O tema parece recorrente depois do desempenho industrial em 2013 e seus primeiros passos claudicantes em 2014; mas, pelos índices de crescimento do PIB brasileiro em 2012 e 2013, e pelas projeções ainda sem muito consenso, pode-se concluir que a questão não é privilégio do setor Industrial. O Agronegócio é um dos sustentadores de crescimento positivo e também da balança comercial do país, mas aparentemente Serviços também não têm dado grandes contribuições no que diz respeito à  produtividade e crescimento.

Para uma visão histórica, cabe lembrar que o PNQ (Prêmio Nacional da Qualidade) patrocinado pela FNQ (Fundação Nacional da Qualidade) tem 22 anos, o Instituto Nacional da Qualidade e Produtividade (IBQP) tem pouco mais de 10 anos. Pouco tempo para ser incorporada a cultura de negócios e estamos o tempo todo discutindo produtividade como elemento crítico para estabilidade e crescimento de nossa economia.

A visão da qualidade nos anos 50 era específica, porem com o passar dos anos qualidade e produtividade ficaram indissociáveis. Estes dois pontos considerados como Default na administração das empresas em geral, e também nas empresas válidas, infelizmente, não têm sido claramente tratados como condição si ne qua non para competividade e construção de valor. Foi somente em 2005 que a FNQ formalizou o programa MEG, Modelo de Excelência em Gestão, que havia sido iniciado com o programa “Primeiros Passos”, em 1998.

Porque isso é importante? Porque entre 2013 e 2014 as discussões sobre produtividade da economia e a produtividade das empresas ganharam nova ênfase por consequência direta da queda do índice de crescimento da economia, desindustrialização, e também dos resultados financeiros médios das empresas no Brasil. E este tema está implícito na construção de valor nas relações entre empresas, e na geração de riqueza para toda a sociedade.

O ano de 2014 começa com grandes expectativas, na sua maioria, pessimistas, ainda que eu as considere as  mais realistas; assim taxadas como pessimistas por conta da construção do conhecimento convencional que advém da mídia, de alguns gurus e no final até da academia. Hoje, a visão otimista é reproduzida por força de multiplicação da comunicação oficial e governamental, e a realista está nas matérias assinadas por articulistas e comentaristas que assumem a opinião e não deixam sequelas na relação da mídia com os promotores das histórias oficiais.

A crise dos emergentes, que se repete nas matérias de periódicos, é também uma forma de não assumir responsabilidades seja de quem definiu as políticas econômicas, ou seja, de quem vem postergando decisões empresariais de busca de produtividade real contando com benesses de decisões de governo. Ambas as posições colocam responsabilidades exógenas ao seu ambiente e área de responsabilidade.

A inflação crescente no Brasil, segundo os maiores especialistas, advém de excessos de políticas em favor de consumo, sem o devido suporte de ações fundamentais de investimentos e de decisões de reformas pendentes críticas. O resumo da argumentação é que esgotamos os ganhos de produtividade que foram realizadas nas últimas reformas que o governo promoveu entre 1994 e 2004. São 10 anos de usufruto sem novas ações de geração de maior produtividade na economia do país.

Em paralelo, se analisarmos os resultados publicados pela FNQ, que avalia empresas brasileiras de 2000 a 2012, encontraremos em seus resultados médios o que segue:

– A amostra considerada foi de 27000 empresas, aproximadamente, sendo aproximadamente 1/3 de indústria, 1/3 de comércio e 1/3 de serviços.

-Crescimento do faturamento líquido, descontada a inflação foi de 96 % em 12 anos.

– O setor de serviços, após melhoria de resultado EBITDA (LAJIDA) entre 2005 e 2009, voltou aos patamares de 2001, com resultado médio de 17% do Faturamento Líquida.

– Na Indústria a curva foi semelhante, ou seja, com melhorias expressivas nos anos de 2005 a 2008, queda forte em 2009, resultado de “marolas” da crise mundial, e entre 2010 e 2011 recupera patamares anteriores, mas já em 2012 o EBITDA retorna aos 12 % do início do século.

– No comércio, resulta o oposto dos demais, com crescimento contínuo de 2000 em diante praticamente dobrando o EBITDA e atingindo em 2012 o índice de 5,2%, o que para comércio é algo significativo. Houve, de fato, um aproveitamento razoável do crescimento do crédito e incentivos ao consumo que promoveram o crescimento do PIB brasileiro de 4% a 7% por alguns anos).

A nova matriz econômica do atual governo federal foi introduzida às vésperas do ano de 2010, mas foi recrudescida a partir de 2010 quando a meta da inflação foi negligenciada por um maior foco no limite superior da banda, e excesso de intervenções de governo, seja em preços de mercado, seja na distribuição discricionária de reduções de impostos setorialmente, seja no excesso de crédito e de moeda na economia. (Carteira da CEF tem expandido em 40% ao ano e do BNDES em 20%%!!)

Esperar grandes ajustes no ano de eleições é um pouco ingênuo, mas os primeiros ajustes na economia ainda em 2014 e mais fortemente em 2015 são praticamente certos. Ajustes apenas vão deixar claras as perdas causadas pela adoção da nova matriz econômicas.

Nas empresas não deveria haver esperas e demoras em ajustes no sentido da produtividade e competitividade uma vez que nelas não existem as mesmas componentes políticas que existem no ambiente macro econômico. Na microeconomia a liberdade de decisão e desenho de estratégias é mais livre dentro do âmbito da organização, seu modelo de gestão e seus propósitos nos negócios.

John Mills empresário Britânico do século XIX, já declarava: “O pânico não destrói capital; ele meramente revela a extensão em que foi previamente destruído pelo uso em atividades irremediavelmente improdutivas.”

Ainda no mesmo trabalho da FNQ vemos que nos últimos 12 anos os investimentos como percentual do faturamento líquido entre indústria e serviços variou em entre 6% e 8% para indústria e entre 10% e 12 % em serviços. Como o faturamento líquido entre os dois é de dois para um a favor da indústria, vemos que nominalmente o investimento na indústria tem valor pouco superior. Mas, se compararmos com produtividade, nenhum dos  setores demonstrou os ganhos que deveriam advir destes investimentos em favor de redução de custos ou produtividade.

No Brasil, em 2010 (IBGE), tínhamos quase 300 mil empresas no setor industrial, ativas, e quase 900 mil no setor de serviços.

Somente 800 empresas, aproximadamente, estão se beneficiando da Lei do Bem com incentivos sobre IRPJ (imposto de renda Pessoa Jurídica) com efeitos no caixa para atividades de inovação e desenvolvimento de produtos e processos ou novas tecnologias. Competitividade, construção de valor e dependem de inovação tanto quanto a produtividade.

Vale observar que são poucas as empresas afiliadas ao FNQ, pouco mais de 100. Contando com a entrada das PMEs (Pequenas e Médias Empresas) via SEBRAE (modelo de auto avaliação do MEG), temos pouco mais como 80 mil PMEs em busca de melhoria de seus modelos de gestão.

Em artigo recente do Professor Y. Nakano (FGV), no Jornal O Valor, dentre o que chamou de “jabuticabas” no atual modelo adotado na economia brasileira, e que exigem reformas profundas e rápidas, saliento: desindustrialização precoce com alocações de recursos privilegiando o setor de “non-Tradeables”; carga tributária fora do padrão internacional; baixa taxa de investimento produtivo; estímulo para que os jovens talentos sejam atraídos não pela atividade produtiva, mas para atividades que apropriam aquilo que é produzido; entre outras. Consequentemente vemos as atuais ações sobre taxas de juros e inflação que podem nos colocar como ponto fora da curva, comparativamente a outros países emergentes,

Por fim, na leitura do contexto, quero enfatizar posições recentes do Professor David Kupfer (UFRJ) que é estudioso do tema Produtividade na Indústria e Competitividade. Em recente artigo de opinião no jornal O Valor ele salienta: “No Brasil, a rigidez estrutural é uma das principais causas da lenta evolução da produtividade que vem acompanhando a indústria nacional há tantos anos. Aqui esta rigidez estrutural manifesta-se como um fenômeno no qual o setor industrial reage às pressões de competitividade com investimentos de modernização, mas não em expansão de capacidade produtiva, diversificação das linhas de produto ou inovações de produtos ou processos, que tendem a ser muito mais efetivos.”.

Diz ainda: “A tese sustentada por boas razões empíricas é de que os dois fatores da dinâmica da produtividade – Destruição criadora (entrada de novas empresas inovadoras na economia) e retornos crescentes (escala ou aprendizado tecnológico e organizacional), mais ligados à eficiência técnica –  são mais relevantes para países emergentes.”.

Dica Final :

Aqui encerrei a análise introdutória, que segue em breve na matéria da revista,fica agora como convite a curiosidade do leitor para ver o seguimento da análise conceituando produtividade e depois analisando da constelação de Valor do Marketing Industrial, em uma Empresa Válida, a questão dos Talentos realizados e a questão da Evolução Deliberada.

Convido também que conheçam e visitem o site www.emkti.com.br  e www.imi.org.br

 

Recomendo também os livros :

Empresas Validas de Nelio Arantes

Foco do Cliente de José Carlos Teixeira Moreira.

Bom Proveito

 

Marcos C Ribeiro

 

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Petrobrás e o Pré-sal !

Continuo muito intrigado e até meio indignado com o que pode ser a maior falácia do Brasil das ultimas décadas.

Li cuidadosamente, em O Valor de 6 de março de 2014 , matéria paga da Petrobrás com o título : “Resultado Petrobrás 2013 e Novo recorde do Pré-sal : 412 mil barris de Petróleo por dia . Planejamento estratégico 2030 e Plano de Negócios e gestão 2014-2018”

Pois bem, acho que mesmo lendo mais de uma vez não entendi o conteúdo quantitativo e por conta deste entendo que o conteúdo qualitativo ficou totalmente prejudicado.

Vejamos:

  1. O pré-sal foi descoberto e anunciado com pompa e circunstância e mais uns R$ 220 Bi do BNDES entre 2007 e 2008 no final do governo Lula.
  2. A matéria aponta que temos 21 poços de pré-sal de alta produtividade. E indica que estes poços fazem parte do sucesso de R$ 23,6 Bi de lucros apurados em 2013 ( e não a venda de ativos que consta do relatório anual e monta R$ 23,4 Bi e também por coincidência em 21 operações estruturantes !). Oras, ao que se sabe não existe ainda tecnologia para produção em escala do verdadeiro pré-sal e este petróleo ( que existe em outras partes do mundo ) ainda não se tornou economicamente viável. E cada poço dos 21 na média produz 20 mbd.
  3. A produção do ano de 2013 média foi de 2539 mil  bpd , logo o pré-sal já é responsável por 0,016  % do total da produção da Petrobrás em menos de 7 anos do seu anuncio ? Mas recentemente ouvimos que era 16%%? Mas, ainda conforme a matéria, se a produção cresceu em 11 % desde 2006 podemos entender que em 2006 nossa produção na média era de 2259 mil mbd e, portanto o Brasil já deveria estar produzindo pelo menos 132 mbd de pré-sal em 2006? A conta não fecha, ou o petróleo da plataforma marítima tradicional perdeu produção nos últimos 7 anos.
  4. Reafirma a Petrobrás que sua produção irá crescer, em 2014, 7,5 % ou algo como 190 mbd  e para tal termos 9 nova plataformas que acrescentarão 1 mbd de produção . Devemos entender então que as 9 plataformas entrarão em operação na média entre julho e agosto e só produzirão meio ano. Se 9 plataformas acrescentam 1 mbd de produção , cada plataforma deve produzir 110 mbd  ou 5 vezes mais do que a média dos 20 poços que fazem nosso pré-sal um sucesso ?
  5. As novas plataformas de produção recém-inauguradas ou a inaugurar levam os números P55, P58, P62 e P63 e são todas encomendas de 2008 a 2009 e, portanto para petróleo de águas profundas, mas ainda não para o pré-sal.
  6. A base estratégica é de chegar a produção de 4000 mil mbd, ou 4 milhões de barris por dia. Isso requer crescer mais 46 sobre o projetado para 2014.  Ou aproximadamente mais 12 plataformas tão produtivas quando as novas de 2014 ou talvez mais 60 poços do Pré-sal.
  7. Investimentos para tudo isso , prometem , serão gerados da própria geração de caixa da Petrobrás, e montam para o PNG 2014-2018 até US$ 220 Bilhões.

 

Com tanta projeção, algo confusa para nós leigos em relatórios financeiros de resultados anuais, e muito mais leigos em petróleo, só posso concluir que fiz bem em vender as ações da Petrobrás, ainda em 2010, ações que comecei a investir, por acreditar, em 1985 como jovem recém-formado em economia e membro de um clube de investimento de aprendizado.

Outra conclusão é que se eu pudesse acreditar que os números acima fazem sentido e as projeções sejam realistas, ao preço atual na Bovespa eu deveria voltar a comprar ações da Petrobrás.

Outra conclusão é que os resultados prejudicados por políticas equivocadas de preço e distribuição de gasolina e outros derivados, como ação de contenção de inflação, não aparecem nas explicações públicas do lucro frustrante da outrora gigante do orgulho nacional.

Outra conclusão é que em adição ao que já foi emprestado para a Petrobrás até 2012 pelo BNDES depois dos aportes do tesouro, ainda restam mais US$ 220 bilhões. Alem destes devem existir investimentos de parceiros em até outros US$ 63 Bilhões.

Ultima promessa a ser cumprida e cobrada é de que em 2018 a produção do pré-sal representará 52% da produção de Petróleo total da Petrobrás.

Parece-me que não existem mais limites para as falácias e para o embuste aos investidores incautos.

Não, eu não voltarei a comprar ações da Petrobrás enquanto eu não entender muito bem os números que não fecham.

Se alguém souber me explicar os números acima expostos e me comprovar que existe sim tecnologia para produção econômica do verdadeiro pré-sal, sejam dos 412 mbd de hoje sejam os 2080 mil mbd prometidos para 2018, por favor, entre em contato que ficarei imensamente grato pelos esclarecimentos que espero sinceramente existam.

Aos portadores de ações da Petrobrás, meus melhores augúrios para que as perdas fiquem por onde estão.

Até que isso ocorra permaneço intrigado e indignado.

Boa Sorte Brasil!

 

Marcos C Ribeiro

 
 

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Dos riscos de apagões e racionamento de energia – Desta vez não esvaziaram Furnas.

Tudo começou com uma troca de e-mails sobre a falácia da produção de petróleo do Pré Sal da Petrobrás do PT ! O interessante é que só falamos da fonte de energia dos chamados combustíveis fósseis .

Mas veio a pergunta de um primo querido que também é atuante nas questões ambientais :

Será que não deveremos partir mesmo para a bioenergia (cana, babaçu, etc…), além da eólica e solar?

Ou teremos de encarar a energia nuclear …

Respondi rapidamente mas acredito que é uma leitura realista do contexto e do cenário da geração de energia elétrica no Brasil de hoje e do Futuro . Logo depois disso li a ultima página da ultima edição de Exame e li o que o Professor Goldemberg falou na entrevista : ” Na prática já vivemos um racionamento !!”

Resposta para sua eventual curiosidade :

Nosso problema me parece ser outro , mas seguem alguns dados importantes :

 

Eólica no Brasil tem potencial limitado pois depende de ventos contínuos para ser eficiente e ter custo benefício compatível. Mesmo assim nossa maior instalação no CE está sem produzir porque a CHESF não construiu as linhas de transmissão . São vários M Watts disponíveis e inúteis.

 

Bio Energia já é realidade onde existe a possibilidade , assim mesmo as políticas de intervenção do governo mantem o etano com baixa rentabilidade para teoricamente conter a inflação ( falácia) e para manter refinarias da Petrobrás ativas , mas o tiro saiu pela culatra com o aumento de consumo e necessidades de importação , e agora com o cambio ainda apreciado mas mais realista ! Petrobrás via se esvaindo aos poucos.

 

Solar tem soluções mais interessantes para pequenos consumos. As células solares e geração de energia em pequenas porções em breve poderá ser útil para uso residencial e até fornecer excedente para as distribuidoras mas precisa que Aneel e legislação acompanhem as possibilidades o que não me parece ser boa expectativa pois as” Anateis a Aneeis” também estão aparelhadas pelo partido dominante do poder atualmente ..

 

Energia nuclear limpa é viável e realidade em todo o hemisfério norte ocidental mas depende de investimentos grandes e de infraestrutura , o que não tem sido o forte da nossa linha política de governo atual. Não tenho muitas esperanças de solução nesta linha nem nos próximos 10 anos !

 

Hidroelétricas no N do Pais estarão entrando no sistema com atraso mas vão segurar a barra por algum tempo. Mas sem linhas de distribuição e inteligência de distribuição dos excedentes vai haver racionamento e apagões …

Neste ínterim as termoelétricas a gás ou mesmo a óleo combustível podem ajudar e muito . No apagão do FHC ( provocado com o esvaziamento de Furnas de propósito… aliás !) foram viabilizadas mais de 40 termoelétricas mas acredito que só a metade saiu do papel . São investimentos unitários menores e de fácil localização regionalizada. O custo é maior do que a energia hidro mas é mais baixo do que todas as outras.

 

Pegar de volta Os G Watts que fornecemos para AR seria um problema e continuar a pagar mais caro para as sobras dos Paraguaios de Itaipu já é parte da solução insuficiente de hoje.

 

Crescer a mais de 4% ao ano no PIB ter em breve um novo contingente de classe média comprando aparelhos de AC para suas casas é caos no suprimento antes que qualquer solução bem planejada possa ser implementada . Como Planejamento não existe no Brasil há mais de 12 anos podemos saber o que nos espera.

Boa sorte para todos nós !

 

 

 
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Publicado por em 17/02/2014 em Contexto, Economia

 

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