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Arquivo mensal: junho 2016

A NOVA LEI FLORESTAL E A SUSTENTABILIDADE DO AGRONEGÓCIO

 INTRODUÇÃO

Antes de tentar detalhar um pouco a origem das controvérsias em curso, cabe salientar que o Governo, desde os anos 2003, vem usando de um expediente inteligente e perspicaz, pouco comentado nos meios econômicos, políticos, ou na mídia. Ao invés de buscar maiores polêmicas como o uso eventual do boné vermelho em favor de um movimento questionável e totalitarista, bastou uma ação coordenada entre órgãos de ministérios, sindicatos e algumas instâncias do Ministério Público para, ao invés de discutir, cobrar o cumprimento de leis que viviam em ostracismo não aleatório, mas controlado. Vejamos, como exemplos paralelos ao código florestal, a exigência do cumprimento da cota de deficientes nas empresas na dose de 5% do efetivo contratado, ou a forte fiscalização sobre serviços terceirizados, o cooperativismo na indústria ou outros esforços que geraram o crescimento substancial do número de empregos “gerados” com carteira assinada, nos últimos 8 anos.

A Lei Florestal do Brasil, seu primeiro código florestal, foi  instituída em 1934, no governo Getúlio Vargas, sofreu revisão durante o governo militar e desde então a norma básica ainda é a Lei 4771 de 16 de setembro de 1965, que sofreu inúmeras alterações por leis complementares de 1989 e 2006 ou por Medida Provisória, em  especial durante  2001.

Hoje, todo o debate acerca do Código Florestal diz respeito às figuras da Reserva Legal e das Áreas de Preservação Permanente, segundo Ciro Siqueira em seus comentários sobre o tema.

Conforme disse o professor José Eli da Veiga, em setembro de 2011, “no momento atual temos, depois de votado e aprovado na Câmara Federal o Projeto de Lei da Câmara nº 30, (novo Código Florestal) um imenso fardo para os senadores”.  José Eli também via o centro das discussões nas áreas de preservação permanente e nas reservas legais, mas com foco nas tendências da produção agrícola: com crescentes produtividade e qualidade, ancoradas em tecnologia, conhecimento e informações, transformadas em competitividade real. No caso, o contraponto é o confronto com a  sobrevivência de uma pecuária de extensão, arcaica e promotora dos últimos grandes desmatamentos no Brasil.

Certamente aqui cabe considerar a crescente tecnologia de produção de gado confinado ou com otimização do uso de áreas de pasto,  que poderiam gerar reservas de expansão da área plantada para produção de alimentos, sem comprometer mais desmatamentos com expansão de novas fronteiras agrícolas.

Existe, portanto, um embate entre duas fortes vertentes do agronegócio brasileiro e ambos muito fortemente inseridos nos planos de um Brasil Maior (programa de governo atual) , com atentos suportes de BNDES , e outros meios de fomento para que o agronegócio passe a ocupar posição de importância relativa que nunca ocupou na história econômica do Brasil ( talvez exceto no ciclo do café e antes da industrialização brasileira acontecer de fato).

Aparentemente a situação atual teria sido provocada pelo decreto n° 6514/08, do Poder Executivo, por iniciativa do Ministério do Meio Ambiente, que fez agitar leis adormecidas e trouxe à tona, de um lado, sua falta de efetividade, e de outro acordou os proprietários agrícolas para a percepção de que as leis e suas emendas, ocorridas ao longo do tempo e de há muito vigentes, não seriam viáveis do ponto de vista da sobrevivência econômica e financeira do agronegócio nos moldes atuais. Nessa hipótese, a produção de riqueza no agronegócio e seus colaterais de geração de emprego, de equilíbrio da balança comercial do Brasil e até da segurança alimentar, não só de brasileiros como de parcelas importantes da população global, estariam em grande risco.

Esta argumentação se insere nas discussões globais sejam relativas ao meio ambiente ( que monopoliza um pouco o espaço de discussão), da emergência de classes médias e melhor distribuição de riqueza, ou da questão da fome ainda presente e insistente para muitos milhões de seres humanos.

Como argumentos globais, antes da segurança alimentar já veio a sustentabilidade.

Até 10 atrás  a viabilidade de um empreendimento, mesmo no próprio agronegócio, era dependente de lucro e rentabilidade, quase que exclusivamente. No caso da produção agropecuária no Brasil, desde há muito sem subsídios diretos, mas com linhas de crédito aperfeiçoadas ao longo dos últimos 30 anos (versus os altos subsídios da Europa ou dos EUA) pode-se perceber que os conceitos evoluiram, que houve mudança  e agora, ao invés de um único suporte passou-se a considerar 3 suportes, ou 3 pernas de um tripé, (gosto muito da figura do tripé pois reflete a instabilidade total na falta de um dos pés). Isto ocorreu a partir do final dos anos 90 quando o conceito de sustentável ganhou o aporte conceitual da já famosa “triple bottom line”, assim  cunhada por John Elkington.

Ocorre que de fato a sustentabilidade apoiada por três suportes – as pessoas (social) o meio ambiente e os  recursos financeiros (economia, resultados) permite uma melhor compreensão do papel da industria, ou do agronegócio,  desde há muitas décadas. Os já famosos três pês de “People, Planet and Profits”.

Este conceito, muito bem discutido em nossos Fóruns de Marketing Industrial desde 2002, pelo menos ganhou novos ingredientes no Fórum recém terminado de setembro de 2011. A figura de uma pirâmide com base triangular (o tripé de Elkington) com o vértice superior representado não pelo social, mas pelo Indivíduo, o ser humano cidadão, consciente e interferente nos sistemas; e com a feliz idéia de que no meio circunscrito pelos lados da pirâmide existe o ambiente onde o conjunto de agentes se comunica e troca informações construindo confiança e respeito mútuos, o que sustenta os relacionamentos fundamentais para o equilíbrio e sustentabilidade do macro sistema.

 A ATUAL POLÉMICA NO BRASIL

Em recente artigo o Prof. Delfim Neto afirma com segurança e com o peso de sua experiência de que (fora de ambientes acadêmicos) não se pode mais dissociar as questões econômicas das políticas e vice e versa. Eu sugiro ampliar esta máxima também para as questões sociais.

O viés ideológico de alas políticas é incontestável e encontra guarita em vários dos órgãos e setores públicos que participam do movimento em defesa de suas prioridades. A questão ambiental vem ganhando prioridade absoluta e isto, no caso do tripé da sustentabilidade,  gera um certo desequilíbrio. É Cult!

O viés econômico vem de alas representantes da economia privada que carregam os riscos do agronegócio do país, e que mal se recuperaram de crise profunda de 2004/5, um soluço mundial em 2009 e felizmente uma recuperação razoável e alvissareira a partir de 2010. Sofrem da mesma discriminação que ainda se dá ao lucro.

O suporte extra desta vertente é a constatação de que o consumo de alimentos no mundo emergente, a despeito da estagnação das grandes nações ocidentais do hemisfério norte, e ainda a perspectiva de um continuo crescimento e emergência de suas classes médias faz crer que nos próximos 10 anos o agronegócio tem todas as condições de um crescimento estável e sustentável na demanda, na oferta, nos preços e na expansão da produção.

A maior produtividade, o crescimento relativo de áreas plantadas e uma melhor rentabilidade certamente farão dos empreendedores – libertos das dívidas de muitos anos – grandes investidores em insumos, equipamentos e treinamento de pessoas, dando margem a uma geração de empregos diferenciados como nunca houve na história deste contexto.

Em parte estas perspectivas explicam a enorme quantidade de investimentos estrangeiros no setor também explicados pelo crescimento mundial da demanda de alimentos, pela dificuldade de recuperação de estoques mundiais e pela atratividade recente de investidores do mercado financeiro, com menores opções depois da crise.

E o viés social, onde está? Dissimulado no cenário político porque é argumento obrigatório no discurso.

Os dois setores mais agressivos, as minorias: de um lado os que usufruíram das leis que não pegaram até hoje, em especial nos setores de menor investimento e maior extração da extensão de terra e suas potencialidades, ainda que subaproveitadas, no caso a agropecuária extensiva; de outro os setores progressistas de investimentos largos em produtividade como o setor de commodities agrícolas. Destes o melhor posicionado para médio e longo prazos é o da soja, mas reconhecemos o reposicionamento do café ( a mecanização de colheita salvou o café do Brasil) e mais recentemente novos investimentos no algodão.

E o viés político? Sempre fortemente influenciado pelo ideológico, ao menos na nossa pátria mãe gentil.

Está em acordos partidários frágeis tecnicamente, mas fortes fisiologicamente. Expressão da leniência com que são tratadas as infrações de movimentos como MST e assemelhados. Um foco quase religioso, no que seria o panteísmo da visão radical dos ambientalistas, que defendem a retroatividade da lei para proprietários e investidores.

Como imaginar hoje, em 2012, abrir mão de 20% da área plantada, investir a fundo perdido (no negócio) para reconstruir uma mata que já não existe há um século ou mais, e ainda encontrar rentabilidade e perpetuidade no negócio onde o mercado é commodity mundial e o cambio uma incógnita?

Como complicador significativo, a despeito das vozes bem intencionadas e bem abalizadas que estão tentando manter o nível de bom senso, ainda temos uma confusa mistura de argumentações e estatísticas no setor, que confundem a agricultura familiar – de inserção social e de suporte na alimentação de subsistência da sociedade – com o que é de fato um segmento de economia que tem que ser entendido em escala de produção e custos, rentabilidade sustentada por ser commodity, em melhoramento contínuo de técnica e inovação e numa estabilidade mínima de volumes e logística ( infra-estrutura ) em escala de mercado global.

Este conjunto de vieses acima determina a atual insegurança jurídica que paira sobre o agronegócio e sua sustentabilidade para um futuro mais que promissor e que sempre pontua o Brasil como celeiro do mundo.

A área plantada no Brasil nos últimos anos tem crescido no máximo de 2 a 3 %. Porém  a produtividade agrícola tem crescido acima de 10% ao ano na média. Como manter isso com tamanha insegurança jurídica?

A balança comercial brasileira, em tempos bicudos para a indústria de transformação, tem no setor agrícola o maior gerador de superávit recente e para os próximos 10 anos. Qualquer instabilidade no seguimento desta tendência desorganiza e arrisca a nossa estabilidade de inflação, de cambio, de crescimento econômico e distribuição de renda.

Com todos estes importantes atributos, porque sofrer com ameaças que são totalmente dispensáveis, dado que estão no âmbito do arbítrio do país? Já não bastam as ameaças permanentes do ambiente externo, suas incertezas e o permanente jogo de poder e de sustentação de produção e de mercados que cada nação tem que enfrentar?

Parte do desequilíbrio nos vieses citados, que afetam a sustentabilidade do planeta e das nações, está justamente na oposição de interesses de curto, médio e longo prazo nas agendas ocultas de cada nação representada nos fóruns de debates mundiais. È evidente que ações de curto e médio prazos são poucas e alguma identidade de objetivos e propósitos de longo prazo representam uma esperança.

Este processo se estende depois em ações de ONGs e outras instituições, muitas delas inegavelmente bem intencionadas, mas que efetivamente têm forte influência sobre decisões políticas, legislativas, que também deveriam buscar o equilíbrio e formar o tripé da sustentabilidade no plano privado, no plano de estado, no plano da sociedade,  garantidos por uma democracia e uma construção de valor que criasse de fato uma prosperidade compartilhada, apartidária, com prioridade expandida primeiro para o Brasil, mas também para o mundo .

E O MERCADO DE EQUIPAMENTOS AGRÍCOLAS?

 Depois de quase 4 anos de convivência com este mercado arrisco uma avaliação que me parece realista no longo prazo e talvez otimista no curto e médio prazos.

A nova lei florestal pode minimizar as barreiras para um crescimento mais robusto da área plantada no Brasil alem do que foi observado.

Também a nova lei florestal pode minimizar os investimentos de curto prazo e a fundo perdido, ao menos para o investidor do agronegócio, e, portanto balancear os esforços de investimentos de capital para tanto a preservação ou recuperação de áreas de um lado, como também de melhoria de produtividade e de custo na produção pelos investimentos em mecanização e automação em curso.

O apelo pela sustentabilidade passa pela produção em escala crescente de alimentos para a humanidade, em especial a tendência crescente de consumo maior nos países emergentes e suas novas classes médias.

O Brasil tem seu potencial de crescimento do agronegócio, seja na continuidade da melhor produtividade e custos no campo quanto na expansão de área plantada, seja na fronteira ou na migração do pasto para o plantio de grãos e outras commodities.

Haverá uma continuidade de investimentos estrangeiros nas diversas vertentes de oportunidades do agronegócio.

Haverá também a necessidade de alguma consolidação de mercado nos setores diversos, mas com ênfase na área de equipamentos e implementos agrícolas. A indústria brasileira precisa focar seus diferenciais reais de valor, seja na inovação ou na performance de seus equipamentos e implementos, seja na capacidade de enfrentar as demandas de capital de giro e de investimentos e na melhoria da linha de produtos. O Brasil se tornou parte irreversível do mercado global de equipamentos e insumos.

Os 3 maiores grupos de produção de equipamentos do mundo estão consolidando e solidificando seu posicionamento no mercado brasileiro e, a partir dele,  na América do Sul e talvez na África . Investimentos entre RS , SP e GO superam bilhões de reais nos últimos 2 anos e nos próximos 2 a 3 anos. A maior parte desses novos “starts ups” está prevista para 2012 ou 2013. Alguns “players” são grandes o suficiente para terem banco próprio, como a indústria automobilística. Falamos de crescimento de produção possível na

ordem de 7 a 10% ao ano , cifras chinesas em um Brasil que deve ficar nos 4% ao ano de crescimento do PIB.

Os investimentos em tecnologia no foco da automação e melhoria de produtividade na chamada de agricultura de precisão são expressivos e a cada Agrishow surge uma série nova de lançamentos atrativos.

As linhas de financiamento para novas safras e para mais capacidade de mecanização são crescentes e incontestáveis, tanto quanto as novas modalidades de fomento.

Portanto há um cenário de crescimento de negócios, endurecimento da competitividade, clientes em transformação (dado que na produção de escala não temos mais a figura folclórica do agricultor, mas empresários e executivos altamente preparados para decisões de negócios em busca de resultados crescentes) em cenário mundial favorável e com tendência altamente atrativa para próximos 10 anos. É um cenário bom e fora da curva do contexto mundial atual, mas nem por isso inverossímil.

Os pequenos e médios agricultores seguirão a tendência de melhor visão de qualidade e produtividade, seja em nichos de produtos especiais ou em agricultura de subsistência mais sofisticada.

O mercado de grãos, energia e produtos em escala mundial serão mercados pujantes e grandes oportunidades para verdadeiras propostas de valor e de relacionamentos significativos e duradouros. Os produtos agrícolas deste segmento já são chamados de commodities e tratados como commodities.  Boa parte dos insumos idem.

Equipamentos e implementos devem preservar a oferta de valor na cadeia para evitar que a diferenciação se resuma no poder do capital investido na especulação dos estoques. As cadeias de valor no agronegócio têm se consolidado, em alguns segmentos, como oligopólios e o setor de equipamentos é uma das poucas exceções deste fenômeno.

Quem sabe assim, ainda nesta década, possamos ver também a fome e desnutrição anacrônica que aflige a milhões de seres humanos serem banidas, graças a este crescimento de demanda aliado a ganhos de produtividade e à redução de desperdícios e perdas inaceitáveis para o século XXI.

Referências :

 

  • O fortalecimento da segurança alimentar e ambiental na concepção do novo Código Florestal – Eduardo Pires Castanho (IEA)
  • Imenso fardo para Senadores – José Eli da Veiga para O Valor Econômico, em 20.09.2011
  • Cartilha do Código Florestal – SOS Florestas
  • Entenda o problema do código Florestal – Blogspot Ciro Siqueira.

 

Texto originalmente publicado na Revista de Marketing Industrial No 55 em 2012 que relendo me parece ainda muito atual até porque a Lei Florestal, em sua aplicação,  caminha ainda a passos de tartaruga.

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Gestão de Projetos influenciando as Mudanças Culturais da Organização

“Gestão de projetos como ferramenta essencial da gestão empresarial ou da gestão de negócios e como pilar influenciador de mudanças culturais”

Enfoque na gestão e no foco do cliente.

Gestão empresarial tem apresentado, nos estudos recentes, a crescente necessidade de aprimorar a gestão de projetos. Se houve já um progresso significativo no exercício do planejamento e dentro deste tópico a própria melhoria na estrutura e escopo dos projetos e suas necessidades planejadas de recursos, tempos, alocações e outros, há ainda alguns componentes precários que se repetem nas interlocuções frequentes nos mais diversos cenários de diferentes empresas ou segmentos:

Por um lado o que se planeja e se negocia no início do projeto sofre a falta de comprometimento e de cumprimentos de promessas na hora da execução dado que no momento futuro todos estão “esquecidos” dos compromissos assumidos e as demandas departamentais têm prioridades e promessas de resultados que exercem pressão e tem preferência. De outro lado temos que a implementação dos projetos sofre inúmeras interferências ou imprevidências que na média geral e avaliação geral dos CEOs e ou dos executivos de operação, permanece ainda a baixa qualidade de implementação.

Como causas mais frequentes, temos sempre boas desculpas e pouca causa raiz com sua solução. Como resultado temos sempre bons níveis de atrasos, custos superiores ao planejado e em geral, pior ainda, resultados econômicos e financeiros aquém das expectativas que geraram a aprovação dos mesmos. Saindo do âmbito de empresas privadas certamente a mídia tem um repertório semanal destas falhas no âmbito de governo e ou contratos de projetos estatais ou de iniciativas públicas diversas.

A essencialidade da gestão de projetos como parte integrante do modus operandi de uma empresa, ou uma instituição, já está justificada pelas constatações acima, por ser ferramenta eficaz se aplicada na dose e complexidade corretas para cada projeto e, portanto, elemento importante da solução de boa parte das causas das não conformidades acima apontadas.

Cultura de uma organização é coisa complexa, séria, que está nas prioridades de qualquer gestor sênior. Cultura tem o esteio e alicerce dos valores da organização (princípios de longa duração que sustentam as escolhas dos propósitos de sua existência e perspectiva de perenização).

Por outro lado ela se constrói e se aperfeiçoa e se fortalece na medida em que os valores são lembrados e fixados por símbolos, rituais e depois, na história, seus heróis. (não gurus! mas heróis de fato).

Cultura de uma organização é, portanto um conjunto de comportamentos observáveis que esta organização expressa de forma natural no seu cotidiano.

A formação de uma cultura que sustenta bons valores e pretende sustentar o elã, a identidade e a unidade de propósitos e objetivos entre seus dirigentes e seus colaboradores dependem, portanto, de poder inserir no campo observável as boas práticas em áreas e processos críticos e específicos. Estes por sua vez são os geradores de resultados porque parte integrante da cadeia de geração de valor do negócio da organização.

Portanto disseminar a prática da gestão de projetos em suas melhores praticas, na simplicidade máxima que não comprometa o resultado ótimo do projeto implementado e dando resultado e na complexidade mínima que garanta a qualidade assegurada do processo de planejamento, alocação de recursos, execução e operação vão garantir o sucesso de resultado baseado em sucesso de implementação dos projetos no prazo, custo e retorno de investimento.

Importante notar que a práxis sugerida no parágrafo anterior contempla os três eixos críticos de negócios com construção de valor, a saber: excelência operacional, na ampliação do atendimento das necessidades dos clientes ou mesmo na inovação ou aplicação das tecnologias, e sem dúvida se aplica com grande sucesso ao suporte administrativo do negócio onde também existem as oportunidades de ganhos significativos de produtividade.

Marcos C. Ribeiro

PS: O texto foi desenvolvido para ser uma resenha de uma palestra para PMI Capítulo São Paulo com um contraponto interessante com a técnica que na palestra era feito pelo amigo João Roncati.

 

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Desenvolvimento de Competências e um Plano de Desenvolvimento Individual – Conceitos e convicções.

Aos colegas que desenvolvem um PDI (Plano de desenvolvimento Individual) que não é uma mera lista de treinamentos em cursos formais! (1)

Uma conceituação atual, moderna e correta no meu ponto de vista segue abaixo com suporte também de algumas matérias recentes publicadas  , entre elas Carlos Hilsdorf, Eugênio Mussak , Luiz Carlos Cabrera, Vick Bloch  e outros :

Uma colocação muito simples é justamente definir competência como “naquilo que sou bom”, mas do ponto de vista do outro! Naquilo que os outros reconhecem e declaram que sou bom!

Mas esta simplicidade não é suficiente para um trabalho individual e ou coletivo, operacional e ou estratégico, no que se refere a necessidades presentes e futuras do indivíduo e ou da organização.

Para o sociólogo francês Philippe Zarifian, competência é “tomar a iniciativa e assumir a responsabilidade diante das situações profissionais com as quais nos deparamos. Consiste em um entendimento prático de situações, que se apoia em conhecimentos adquiridos e os transforma à medida que aumenta a diversidade de situações”.

Competência pressupõe uma ação que faça diferença onde for aplicada! Portanto agrega valor diante de novas situações, nos processos e nas decisões.

Assim, podemos compreender a composição do conceito de competência, através de critérios objetivamente mensuráveis, como o exercício proativo e simultâneo de:

1.Saber conceitualmente (qualificação) – conhecimento
2.Saber fazer (experiência funcional) – habilidade
3.Saber agir (capacidade de obter resultados) – atitude

Portanto, competência pode ser entendida como uma ação fundamentada e assertiva frente a novos desafios! Esta ação dever agregar valor econômico para a organização e social para o indivíduo. Competência é um potencial disponível para enfrentar os desafios futuros.

Competência é a qualidade de ser adequado e bem qualificado física e/ou intelectualmente frente a desafios. É a capacidade de tomar decisões bem informadas e coerentes. Contempla grupos de habilidades, atitudes e conhecimentos necessários para a realização eficaz de tarefas. Refere-se a ações e comportamentos identificados pelas lideranças como efetivas contribuições na implementação da mudança; estes comportamentos são necessários para um desempenho satisfatório ou excelente em qualquer desafio profissional.

Por isso é possível medir tecnicamente em testes especialmente desenvolvidos para isso e com excelente grau de precisão.

Por isso também todo resultado não tem certo ou errado, mas somente um retrato de momento para desenvolvimento de um plano, que foque a evolução do indivíduo no desenvolvimento de competências, em qualquer tempo, idade e momento de vida.

O conceito de competências no RH e no desenvolvimento de pessoas e organização cresceu em uso e conceituação a partir dos anos 70 com saltos interessantes nas décadas de 80 e 90 e estas evoluções permanecem válidas e validadas.

Um acréscimo do início do século XXI veio com Eugênio Mussak que acrescentou conceito adicional de Meta Competência para aquilo que vai além do mensurável normalmente e contempla alguma capacidade individual e específica para superar a normalidade com, por exemplo, algumas características que seriam um turbinamento das competências. Exemplo na conjugação com alguma inteligência superior a média (digo alguma, pois hoje a inteligência já está sendo estudada em mais de 10 inteligências ou segmentos diferentes !) Diferencial Meta também seria a componente de entusiasmos , paixão , intuição adicionadas as competências deste indivíduo. Ouso dizer que o crescimento do nível de consciência do indivíduo na práxis do pensar e fazer e vice e versa é uma Meta Competência.

A atitude de ampliar continuamente suas competências será sempre a maior competência de todas elas e inclui disposição, vontade, disciplina, persistência,  mas depende fundamentalmente de auto motivação para o auto desenvolvimento (auto gerenciado no tempo!), e ambos os fundamentos dependem do autoconhecimento.

Por isso o desenvolvimento de competência é possível, necessário, desejável. Não para o presente somente, mas para o futuro de cada um e onde quer que estejamos atuando! Não tem limite de idade e não precisa parar na aposentadoria!!

O Coaching tem o papel de suportar e facilitar o entendimento, o autoconhecimento, a montagem do PDI e seu monitoramento até que o autogerenciamento e o autodesenvolvimento estejam incorporados no indivíduo.

É por isso que a distinção entre Coaching, Mentoring e Tutorial é importante, mas isso fica para outra ocasião!

Se precisar de algum esclarecimento é só perguntar!

Vamos em frente!!!

Marcos C. Ribeiro

 

PS: texto desenvolvido para orientar e motivar gerentes e diretores de uma multinacional em um amplo programa de desenvolvimento de competências individuais na direção de competências organizacionais estratégicas definidas quando o Plano Estratégico de cinco anos incorporou definitivamente a componente de pessoas (Recursos Humanos naquele tempo!) como fundamento estratégico para o Sucesso do negócio. Serviu de base conceitual para desenvolvimento de atividades de Coaching e Mentoring que fazem parte do meu cotidiano desde então.

(1) O tom crítico ao longo do tempo de confirmou oportuno e permanente dado que a maioria dos processos de avaliação de resultados e competências das empresas acabam em um PDI formalizado e registrado no RH que não passam de uma lista de cursos formais e algumas atividades “on the job”, o que limita sobremaneira a possibilidade de desenvolvimento das competências gerencias e executivas, e por que não , as de especialista também. Não invalida de forma alguma a eficiência dos treinamentos formais como elementos de desenvolvimento de competências técnicas.

 
2 Comentários

Publicado por em 06/06/2016 em Administração, Geral

 

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