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Arquivo do autor:Marcos C. Ribeiro

Opinião Publica não se delega mas se constrói e se compartilha sempre !

Sei que é cansativo acompanhar os acontecimentos em nossa volta. Tenho visto muita gente que passa a não ler mais noticiários impressos , digitais , nem assistir/ouvir programas de notícias e debates na TV ou no rádio. De certa forma entendo que os agentes de notícias e comentaristas cansam , seja por serem repetitivos , por serem superficiais e por serem por vezes ( não todos) deliberadamente enviesados na opinião / narrativa com claras pretensões de influenciar a opinião dos desavisados ou sem condições de refletir sobre o tema.

A desinformação , mesmo que seletivamente escolhida te tira o direito de ajudar a formar a verdadeira opinião publica. Nós que sabemos ler e interpretar textos, estabelecer correlações com cenários e portanto tirar conclusões que chamamos de opinião pessoal , somos os maiores responsáveis por construir uma opinião publica verdadeiramente útil e possível. Não a opinião publica , assim chamada ,pela imprensa em todas as mídias , e não a opinião publica , assim chamada , pelos políticos de qualquer instancia para justificar posições ambíguas e dúbias e seguir somente cuidando dos seus próprios interesses ( salvo raríssimas exceções !)

Não se aliene e forme a sua opinião e depois compartilhe a mesma com os seus próximos . Assim se forma a verdadeira opinião publica que pode influenciar e modificar os destinos desta pobre nação !

Agora , se você é profissional em empresa , empreendedor , dirigente de negócios , sua obrigação é se manter atualizado sempre não só para ter informação para melhor tomada de decisão . Mas também para poder compartilhar sua opinião em todas as esferas de negócios e assim poder influenciar positivamente a formação da verdadeira opinião publica também no ambiente de negócios que vai alem de seus próximos. Não se omite mais . Esta coisa de que não se discute economia, política e questões sociais nas empresas é um equívoco. Também nas empresas podemos desenvolver a habilidade de bons debates , educadores e esclarecedores e com isso ganhar em maturidade organizacional . A empresa só ganha com isso também. Mas você e seus colegas ganham mais , certamente !

Marcos C Ribeiro

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2 Comentários

Publicado por em 11/08/2017 em Contexto, Filosofia, Geral

 

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Marketing Industrial – Uma Aula/Palestra Resumo .

Depois de muitas aulas e muitas palestras sobre o tema , houve uma em particular que foi filmada e editada pelo amigo J. Grillo ! Esta palestra foi dada a um grupo de consultores cristãos chamado Networkingdom ( NWK) .

https://drive.google.com/file/d/0B4oO-PdIiYVtek1JNy1ueVpSalk/view?usp=drivesdk

Copie e cole o link !

É de duração normal e com uma certa aceleração dado o tempo exíguo para um assunto tão extenso.

Espero que goste e tome o tempo para entender o tema que ainda poucos dominam .

Bom Proveito !

 

Marcos C Ribeiro

 

 

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Uma vez numa entrevista sobre o tema !! Jornalismo e Conhecimento Convencional!

 

Publicado no site da Revista Imprensa em entrevista feita pelos colegas abaixo.

Por Luiz Gustavo Pacete e Laura Cantal, da equipe de estagiários | 18/10/2010 17:46

 

Marcos da Cunha Ribeiro, diretor administrativo do Grupo Jacto, engenheiro e economista (São Paulo)

“Não é questão só de superficialidade, vocês [mídia] são um dos pilares do conhecimento convencional e isso é uma crítica. Qual o problema do conhecimento convencional? Ele repete demais, uma meia verdade passa a ser verdade, ele é superficial ou tendencioso no viés do promotor daquela tese. Então, quando você faz uma pesquisa dessas, você precisa de mais de uma fonte, eu leio duas, porque onde eu trabalho a infra-estrutura não é um bicho de sete cabeças.

Tem que separar muito bem o que é editado do resto. Não consigo mais ler o caderno de economia da Folha, vez ou outra leio o do Estadão. Qualquer dúvida vou pesquisar na internet. Uso como referencia o Valor e a revista Exame. Leio também Época Negócios, o restante vejo na internet ou vou atrás de pesquisa.
A Veja, que leio semanalmente, também nunca tem nada, só quando é furo. Se quero fazer avaliação séria, vou às fontes que alimentam os jornalistas, se não, chega tudo filtrado. Diminuir um pouco a superficialidade é o primeiro passo pra fugir do conhecimento convencional.”

 
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Publicado por em 09/05/2017 em Contexto, Geral

 

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O AGRONEGÓCIO NO BRASIL DE HOJE EM UMA VISÃO DE MARKETING INDUSTRIAL

 

INTRODUÇÃO

O desafio do Marketing Industrial no Agronegócio permanece. Com poucas exceções de iniciativas isoladas o estado de espírito da “commodity” ainda impera, e a repetição do termo no dia a dia mantem este estado impregnado e radicalizado (aqui no sentido de raízes profundas).

Todavia, a  aplicação da Nova Lei Florestal e as mudanças, geradas pelo efeito legal, vêm desenvolvendo de forma gradual novos cenários e contextos:

  1. A expansão de áreas plantadas no Brasil é estável e não maior do que 3,5 % ao ano, nos últimos 15 anos; mas na maior parte das culturas de grãos nossa produtividade, medida em toneladas por hectare, vem crescendo consistentemente, de acordo com dados da Conab, com  crescimento da produção de 7% ao ano,  em toneladas totais.  O crescimento da produtividade de produção agrícola de grãos na média dos mesmos 15 anos foi de 3,6 % ao ano.
  2. O crescimento da criação de gado de corte pelo método de confinamento tem sido acima de 15 a 20 % ao ano, o que indica que a utilização de áreas de pasto para crescimento de áreas plantadas com produtos agrícolas é uma real possibilidade. Com tudo isso a produção total de carne neste mesmo período cresceu na média 5,2 % ao ano atingindo mais de 25 milhões de toneladas em 2014.

Não é, portanto, exagero nenhum considerar que o agronegócio é o Brasil que dá certo! 

CONTEXTO, CENÁRIO E CONJUNTURA.

É certo, também, que considerando que vivemos uma crise econômica real desde 2013, ainda que tardiamente discutida somente a partir de outubro de 2014, o agronegócio nos últimos dois anos vem sofrendo com esta crise tanto quanto os setores industriais, serviços e outros de nossa economia. Porem, podemos estar certos de que não temos nenhuma causa de origem desta crise advinda do agronegócio.

Em recente artigo para o jornal Folha de São Paulo, o ex-ministro da agricultura, Roberto Rodrigues e atual coordenador do Centro de Agronegócio da FGV, pontuou que ainda existem velhos gargalos que incomodam os empresários do agronegócio, problemas crônicos, necessidades de modernização e maior agressividade comercial no ambiente internacional, entre outros pontos. Mas o que merece reflexão maior foi entender que a competitividade no ambiente internacional passa por novos caminhos de avanços tecnológicos, para o quê o Brasil já vem acumulando experiência e conhecimentos significativos nas ultimas décadas.

Produtividade novamente é claramente colocada como fator chave como em qualquer segmento da economia que se analise.

Por isso chama a  atenção o fato de que o empresário agrícola que prefere plantar uma área menor, com a máxima tecnologia que seus recursos permitem (próprios e ou de terceiros), ao invés de  plantar a área normal com menor padrão tecnológico, ainda é tido  como um empresário ousado.

Ainda na visão conjuntural em foco estratégico, evitando falar das sérias e válidas questões de curto prazo, devemos considerar o agronegócio como importante elemento do equilíbrio das balanças comercial e de pagamentos do Brasil. O agronegócio que respondia por  36,8% das exportações brasileiras em 2005, representou até 43,0 % das nossas exportações em 2014 e pode alcançar mais de 45 % em 2015. De outro lado, nas importações, o agronegócio participa com pequenas variações em decimais no entorno de 7% nestes 10 anos da análise. Isso tem importância crescente a partir de 2013 quando tivemos o início do desbalanceamento das balanças comercial e de pagamentos. O Saldo de balança comercial do Agronegócio saltou de R$ 38 Bi, ao ano, em 2005 para mais de R$ 80 Bi, ao ano, a partir de 2012 enquanto o saldo total brasileiro despencou de R$ 44 Bi, ao ano, em 2005 para R$ -3 Bi em 2014. Por alto quer dizer que exportações de minérios e manufaturados, incluindo aviões e serviços teve uma queda maior que R$ 80 Bi ao ano, nestes 10 anos, além do aumento significativo de importação que praticamente dobrou depois de 2007.

Por outro lado, se sempre há correta preocupação com o balanço fiscal do Brasil, cujos reflexos no Tesouro Nacional e todos os financiamentos do crescimento econômico, bem como programas sociais e de distribuição de renda, dele dependentes, aqui o agronegócio também tem participação expressiva.

Há  muito que o Brasil não cria ou mantém subsídios diretos agrícolas, como alguns países europeus ainda o fazem. Por outro lado, sem um forte impulso de financiamentos com juros controlados próximos ao custo do capital internacional, nosso agronegócio não teria crescido como acima exposto, em processo claro de fomentos e suportes de financiamentos desde o início dos anos 90, quando efetivamente as coisas começaram a mudar no agronegócio brasileiro.

Para se ter uma ideia de valores envolvidos tomemos que o PIB do agronegócio é de 22,5% do PIB Nacional, portanto algo como US$ 340 bilhões por ano; recebe crédito subsidiado (juros abaixo de mercado) da ordem de R$ 190 bilhões para o plano safra de 2015/16 , gerando algo em torno de R$ 470 Bilhões de receita bruta. Tem ainda só no setor de equipamentos agrícolas, segundo a Abimaq, receita anual de aproximadamente R$ 10 bilhões cujos financiamentos contam com as linhas de Finame, PSI (programa de Sustentação do Investimento) e mais o Moderfrota que cobrem pelo menos 75% da receita total com juros abaixo da taxa de inflação projetada. Podemos incluir ainda tratores e caminhões que em 2015 apresentam resultados bem abaixo da média dos últimos 3 anos.

No agronegócio atual o ciclo financeiro e o resultado econômico têm se transformado em motores de sustentação do crescimento há pelo menos 2 décadas. Ouso dizer que  sem a progressão infinita dos financiamentos a juros subsidiados é muito difícil o negócio se manter, simplesmente porque o fluxo de caixa é assegurado pelo financiamento da safra seguinte em dívidas de 5 a 7 anos e no caso de ativos permanentes ainda com 2 a 3 anos de carência. Tem uma certa similaridade com o giro financeiro e resultado econômico da construção civil e financiamento de casa própria. 

O AGRONEGÓCIO É UMA COMPLEXA CADEIA DE VALOR

Falamos de cadeia de valor na linguagem do “business marketing” justamente porque os negócios gerem valor e riqueza. Na linguagem dos negócios convencionais chamaríamos de cadeia de suprimentos ou o famoso Supply Chain.

Agora nos termos econômicos e acadêmicos, também aceito no ambiente mais evoluído do Agronegócio, devemos registrar o termo Arranjo Produtivo, ou Arranjo Produtivo Local, como praticamente o mesmo conceito em léxico aceitável academicamente. 

arranjo produtivo local (APL) é um conjunto de fatores econômicos, políticos e sociais, localizados em um mesmo território, desenvolvendo atividades econômicas correlatas e que apresentam vínculos de produção, interação, cooperação e aprendizagem.

Os arranjos geralmente incluem empresas – produtoras de bens e serviços finais, fornecedoras de equipamentos e outros insumos, prestadoras de serviços, comercializadoras, clientes, etc., cooperativas, associações e representações – e demais organizações voltadas à formação e treinamento de recursos humanos, informação, pesquisa, desenvolvimento e engenharia, promoção e financiamento.

A articulação de empresas de todos os tamanhos em APLs e o aproveitamento das sinergias geradas por suas interações fortalecem suas chances de sobrevivência e crescimento, constituindo-se em importante fonte de vantagens competitivas duradouras.

A cadeia de valor no agronegócio, no meu entender tem início na propriedade da terra, rural, produtiva e agriculturável ou com potencial de produção agrícola, incluindo aqui o pasto e produção de gramíneas específicas para criação ou engorda de animais para produção de proteína.

Então vejamos como podemos destrinchar um pouco esta cadeia de valor que se expressa em diferentes arranjos produtivos de diferentes complexidades a depender do produto agrícola ou pecuário, escala de produção, nível de mecanização, industrialização ou não dos produtos até diferentes mercados consumidores de atacado ou varejo.

  1. A Terra é um ativo insubstituível no agronegócio, ainda que para pequenas produções, exceto quando alternativas do tipo hidropônicas possam ser consideradas.

Só como suporte para este ponto vale registrar que 57% dos imóveis rurais do Brasil representam 227 milhões de hectares cadastrados, distribuídos em todo o território nacional, em propriedades de todos os tamanhos possíveis.

Chamou a atenção que a adesão ao Cadastro Ambiental Rural, obrigatório desde a Lei Florestal vigente estar promulgada demonstra um desequilíbrio intrigante no resultado até o momento. As regiões do Brasil com maior adesão são Norte com 76,5% e Centro Oeste com 53,8%%. Sudeste tem 48,7% cadastrados, Nordeste só com 23 % e Sul ainda com somente 19,8%%.

O tamanho médio de propriedades rurais ao contrário cresce de pequena e média no sul do país para grande e enorme no Centro Oeste, no Norte e em parte do Nordeste. O Sudeste é muito semelhante ao Sul, mas no agronegócio da cana o tamanho fica  entre médio e grande.

Interessante notar que o total previsto é da ordem de quase 400 milhões de hectares de propriedades rurais cadastráveis e potencialmente produtoras. O governo pretende 100% das propriedades cadastradas até 2016.

  1. A partir da terra produtiva ou com potencial produtivo entrariam nesta cadeia de valor o preparo da terra para o uso destinado. Em pastagem extensiva o preparo usual sempre foi o desmatamento e plantio de sementes de gramíneas; porem para as culturas de produtos agrícolas da cadeia vegetal o preparo pode ser importante, exigindo investimentos razoáveis, com especialmente esforços de terraplanagem e preparo de talhões quando recomendado.
  1. Depois vem o tratamento da terra para receber fertilizantes e corretores de PH, entre outros. Neste momento considera-se, de primeira mão, eventual irrigação e sua tecnologia, infraestrutura elétrica e suprimento de água.
  1. A partir deste momento pode-se dizer que começa a produção, sempre com o primeiro plantio, que poderá se repetir sempre ou alternadamente com outros produtos. Os participantes da cadeia são fornecedores de máquinas, implementos, sementes, fertilizantes e outros insumos.

O processo repetitivo define novo momento da cadeia de valor quando os seus participantes atuam de forma sistemática, com método, mas com duas variáveis externas, acima do controle humano, ponto que merece a consideração especial, a saber:

O Tempo

O tempo, cronos, no agronegócio é uma das variáveis que o tornam tão diferente, tão atraente  para muitos, e tão peculiar na comparação com outros segmentos de negócios e segmentos econômicos. Existem períodos da produção do agronegócio que o homem não controla o tempo, o que exige o aprendizado da espera, e desta uma visão de vida, de negócio, que não pode se fixar no curto prazo.

Todos os modelos de gestão que importamos e utilizamos nos negócios no Brasil foram de certa forma muito influenciados pelas escolas de negócios do hemisfério norte, a ponto de hoje termos já crescentes movimentos de revisão destes conceitos que no uso mais comum seriam os modelos econômicos e financeiros influenciados pelas escolas de administração do hemisfério norte ocidental, dos mercados de ações, bolsas de mercadorias, mercados futuros, etc.

Talvez daqui venha o que considero o primeiro grande equívoco possível na condução do agronegócio nos últimos anos: deixar-se influenciar por estas escolas, deixar-se levar pelas pressões de curto prazo e de busca de resultados crescentes a qualquer custo e a qualquer preço, perdendo a referencia de prazo e tempo que o próprio tempo impõe no ciclo de plantio, cuidados de crescimento até a colheita. No mínimo este fato diminui a atenção para os fatores de criação e sustentação de valor pelo viés de atenção dada as variáveis puramente financeiras do mercado e suas especulações, para ganhos com estoques e previsões de demandas, comandados por investidores financeiros nas apostas dos preços de hoje e futuros de cada um dos produtos deste mercado.

O Clima, nas diferentes estações do ano.

O Clima é outra variável imponderável, ao menos com perfeição, apesar de avanços significativos em modelos matemáticos de previsão em climatologia e muito antes das especulações eventuais de impactos climáticos a partir de mudanças atmosféricas provocadas pelo desenvolvimento humano, industrial e urbano.

O Clima é fator de variação significativa no ciclo de construção do valor da cadeia, pois ele pode avançar ou retardar momentos de plantio, tempos de crescimento e momentos de colheita. Pode até encerrar prematuramente uma safra de cana em um ano mais chuvoso, por exemplo, afetando toda a produção de açúcar e álcool. Como o homem ainda não controla o clima nem em décadas , mas impacta e influencia o clima em séculos, esta variável afeta os movimentos da cadeia de valor também antecipando , postergando , aumentando ou diminuindo demandas de fertilizantes, defensivos e até a durabilidade e reposição de implementos e equipamentos.

Outro ponto importante ao analisar de forma ampla a cadeia de valor no agronegócio deve levar em conta o tamanho da propriedade rural e o produto escolhido pelo empresário. De forma geral e atual, pelos participantes deste mercado no mundo, tem-se considerado que a PME do agronegócio ficaria entre 1 e 50 hectares para a pequena e entre 51 e 150 hectares para a média. Esta seria uma primeira segmentação do agronegócio para efeito de análise estratégica, modelo de distribuição no Foco do Cliente, e construção de valor a cadeia e nos processos de produção e distribuição do produto agrícola ou pecuário. Aqui neste espaço temos produção de alimentos de subsistência até produção sofisticada de hortifrúti, flores, entre outros. Esta segmentação pode e deve sempre ser discutida, mas para demanda de sementes, fertilizantes e defensivos o canal de distribuição e os serviços prestados mudam totalmente de uma pequena propriedade para propriedades maiores. No tocante a maquinas, equipamentos e implementos a diferença é ainda maior, pois o porte do equipamento muda o nível de automação muda, a tecnologia muda, o tratamento de pré-venda é diferente, o canal muda e a Pré da próxima é muito diferente. Sem falar no que se chama de tratamento de frotista que no agronegócio já é uma realidade.

  1. Na repetição, a cadeia de valor acrescenta novos participantes que a estendem até o consumo final do produto processado ou in natura.

Neste ponto de aumento da complexidade do arranjo produtivo temos que produtos colhidos já são beneficiados, embalados e distribuídos ou vão integrar uma cadeia mais verticalizada que inclui a indústria.

Industrialização de produtos agrícolas é parte desta cadeia e por vezes acrescenta valor de forma significativa. Há exemplo maior do que exportar o grão da soja ou o farelo processado, ou mesmo a ração animal pronta para consumo? A cadeia mais visível e que frequenta a mídia nos últimos anos porque sofre de outros fatores externos – como controles de preços de produtos concorrentes – é o etanol a partir da cana de açúcar.

Mas inegavelmente as discussões e o conhecimento convencional nos empurram sempre para os produtos de grande escala que também em geral englobam as maiores propriedades de terras, os maiores capitais investidos, maior quantidade de dinheiro envolvido em contratos de arrendamento, os maiores recursos demandados. É neste segmento que o Brasil se posiciona como grande exportador, além de ser autossuficiente em quase todos os produtos que a sociedade demanda para sua alimentação.

Senão vejamos pela demanda e faturamento de agroquímicos (especialmente defensivos agrícolas) em bilhões de US Dólares para 2014: temos 6,8 para soja; 1,1 para o milho; 1,0 para a Cana; 0,9 para algodão; 0,3 para o trigo; 0,3 para o café ; 0,3 para pastagens; 0,3 para feijão e 1,2 para todas as demais culturas.

Em cada uma das culturas existe um arranjo produtivo com diferentes resultados de rentabilidade e lucratividade no final de cada período. Em cada um dos arranjos a complexidade avança no setor industrial com maior ou menor ênfase e com maior ou menor necessidade de investimentos em capital fixo.

É neste segmento de produção com escala, entretanto, que ocorrem as maiores inovações e desenvolvimentos em produtividade e ocorrem os maiores investimentos em pesquisa. Neste segmento é que a mecanização e automação são demandas permanentes e crescentes que mobilizam participantes da cadeia como equipamentos agrícolas, irrigação, silagem ou armazenagem, grandes produtores de fertilizantes e defensivos, e é neste segmento que a frota de veículos pesados cresce e se sustenta no segmento automotivo. Porem é neste segmento que as fragilidades do sistema logístico e de infraestrutura mais se evidenciam , seja pelo impacto nos custos , pelo impacto nos desperdícios, pelo impacto na rentabilidade final e nos incentivos ou desincentivos à criação de valor na cadeia.

 

Como complemento à discussão da cadeia de valor, neste artigo, convido aos leitores que busquem rever o artigo do colega Marcelo Martins do Nascimento, na RMI No 42 de 2008, que considero importante e atual para o mesmo tema, ainda que também as integrações de diferentes cadeias de valor permaneçam como desafio uma vez que se ocorrem, ainda são ínfimas as ocorrências.

Todo o aspecto citado de escala onde pode haver, e obviamente a necessidade de pequenos e médios empresários, do agronegócio, se colocarem em condições mínimas de igualdade na luta permanente com oligopólios fortes e na distribuição global de compradores que com base em bolsa de mercadoria de futuro ditam preços de compra, talvez demonstrando um caso interessante de oligopólio, ou o monopólio bilateral, cuja ocorrência tem inúmeros artigos publicados com ênfase na compra de frangos, suínos e bovinos, como também na soja para farelo, neste caso em escala mundial.

Neste ponto cabe ressaltar o papel das Cooperativas. As cooperativas foram internacionalmente no congresso de Praga em 1948 a partir de princípios chamados de Rochdale que datam do século 19.

Será considerada como cooperativa, seja qual for a constituição legal, toda a associação de pessoas que tenha por fim a melhoria econômica e social de seus membros pela exploração de uma empresa baseada na ajuda mínima e que observa os Princípios de Rochdale. São eles :adesão livre; administração democrática; retorno da proporção das compras; juro limitado ao capital; neutralidade política e religiosa; pagamento em dinheiro a vista e fomento da educação cooperativa

No Brasil hoje existem 1597 cooperativas agropecuárias que abrigam 1.105.956 cooperados e 164.320 trabalhadores. Estas organizações respondem por aproximadamente 48% da produção agropecuária do Brasil. 10% é a participação das cooperativas no PIB do agronegócio nacional. Exportam mais de US$ 5 bilhões ao ano para mais de 100 países. Elas recebem ao ano algo como R$ 6 bilhões em créditos por safra e ainda respondem por 21 % da capacidade de armazenagem no Brasil.

Só cooperativas e talvez mais uns 2 ou 3 grupos privados empresariais tem porte e força para competir com as grandes Trading Companies Internacionais que também participam destes arranjos produtivos, no Brasil , em geral na compra, armazenagem e distribuição global da produção, mas também em parte das relações de trocas que por vezes beiram ao escambo, quando no pagamento de insumos com produtos finais em sacas , bushels ou toneladas.

No que se aplica a avaliar a criação de valor na cadeia ou no arranjo produtivo que se reflitam em resultados econômicos mensuráveis, as cooperativas entram não só no poder de negociação para compras em pool de usuários como na venda em volumes, nos contratos de armazenagem que tornam o produtor agrícola menos frágil perante o poder de compra dos grandes atacadistas e traders. Entretanto é na verticalização ou ampliação da cadeia de valor com novos arranjos produtivos que as maiores e mais bem sucedidas cooperativas têm se destacado. Inclusive no fomento a P&D voltados à sua área de interesse com institutos próprios ou associados que também contribuem muito para avanços científicos e de produtividade no agronegócio do Brasil. Além, claro, das contribuições da EMBRAPA, Universidades e Institutos, específicos, como IAC Instituto Agronômico de Campinas, entre tantos.

Devemos citar alguns exemplos que confirmam as afirmações acima como, por exemplo, Coopersucar que hoje se apresenta até como forte player internacional na cadeia de açúcar alcançando o papel de Trader inclusive. Agrária no Paraná que tem crescido com forte verticalização industrial de produtos derivados de cevada e outros insumos para indústria de bebidas e alimentos, Cooxupé com grande especialização em café de alta qualidade da Alta Mogiana, ou a Cooperativa Agroindustrial Holambra de Paranapanema, SP.

AGRONEGÓCIO E EMPRESA VÁLIDA.

Um empreendimento no agronegócio, na sua tradição histórica, na visão bucólica do agricultor produzindo para subsistir, traz a imagem de um ser explorado pelo atacadista que detinha o capital em maior quantidade, ao qual faltam recursos tecnológicos ou financeiros para melhor enfrentar as intempéries de tempo e do clima, que por vezes os levavam (e para muitos pequenos ainda os levam) a perdas irrecuperáveis de uma ou mais safras.

Os tempos estão mudando e velozmente para o bem e para o mal. Os avanços na complexidade das cadeias de valor e nos negócios envolvendo agricultura e pecuária vêm trazendo desafios enormes para uma mudança cultural que não acompanha a velocidade dos meios de negócios e, portanto desafia o homem, o ser humano que opera o agronegócio, desde o operador do trator até o Diretor Presidente de uma empresa.

Note que demorou muito, mas hoje quase todos já entendem que uma fazenda que produza algo não é mais o sítio de um pequeno agricultor, mas uma empresa, com CNPJ. Quem fornece para uma fazenda ou quem compra desta fazenda em geral é outra empresa que também tem seu CNPJ.

Aqui sempre começou o meu ponto de maior incômodo. Se o Marketing Industrial é o Marketing entre CNPJs, por que a resistência inconsciente a admitir que Agronegócio seja também um negócio de Marketing Industrial?

Este dilema é antigo, mas acredito que o processo de sucessão e de renovação trouxe a modernização natural nas administrações de agronegócio que, mesmo quando permanecem como negócios familiares, têm acrescentado à discussão a contribuição importante e significativa das gerações que chegam, com a indispensável modernidade da evolução deliberada e do aperfeiçoamento teórico, certamente sem perder o contraponto da experiência e sabedoria das gerações antecessoras.

Se olharmos de perto o setor de Açúcar e Álcool e verificarmos que das mais de 500 Usinas que operavam há quase 10 anos atrás, em 2012 eram 455 instaladas e somente 388 operando e em 2015 pelo menos mais 40 delas paralisaram suas operações por total incapacidade de seguir adiante, seja por endividamento, falta de caixa e total falta de investimentos em expansão e manutenção em mais de uma década de suas vidas. No fundo vemos uma clara dificuldade de gestão de empresa ou pelo menos a tentativa de sobrevivência nos modelos de gestão originais desde sua fundação.

O mesmo processo já ocorreu na citricultura, na cultura do café, na produção do leite e assim por diante. Cada segmento de agro com suas peculiaridades, mas cada qual passando por suas crises, mudanças de modelos de gestão que levaram a mudanças significativas no próprio negócio, mudança de região de concentração, consolidação de produção ou transformação e assim por diante. Sem falar nas dezenas de empresas de produção de equipamentos e implementos agrícolas.

O Marketing Industrial no Brasil tem um modelo de gestão preferido que chamamos de Empresa Válida e que se expressa na nossa Constelação de Valor que fornece a imagem dos 8 grandes eixos que devem sustentar a gestão da empresa válida na Construção de Valor e prosperidade para seus Clientes, para ela própria e para seu entorno o que inclui todos os stakeholders e a sociedade como um todo .

E Valor é gerador de Riqueza – que é aquilo que pode ser de fato motor de crescimento da economia que uma vez distribuída, alcança o bem estar de todos, ou melhor,  cria oportunidade para prosperidade de todos.

Outros pilares do Marketing Industrial sustentam os relacionamentos interpessoais como forma de manter relacionamentos significativos e duradouros entre as partes, clientes e fornecedores.

A visão de valor sempre levantou fortes contradições nas relações entre pessoas e empresas cuja visão está por demais focadas em métricas e objetivos ou metas relacionadas ao que chamamos de  visão econômico-financeira.

No agronegócio a figura de cliente não está clara. Em certos elos da cadeia de valor por vezes a definição de cliente é quase impossível. Primeiro, porque na prática e no curto prazo às vezes quem paga a conta é o banco repassador do financiamento. Segundo porque em outros elos da cadeia o distribuidor ou concessionário ainda é entendido e tratado como cliente e não como verdadeiramente sócio no negócio.

As grandes ondas de concentração neste mercado amplo, em vários segmentos do arranjo produtivo, é outro fator crítico. Na concentração crescem o poder de oligopólios fortes que ditam condições onde os elos intermediários ficam frágeis e subservientes – enquanto a sobrevivência permite – e isso não gera prosperidade e, em geral, não gera satisfação de fato.

Esta concentração pode em regiões específicas começar pela histórica discussão de latifúndios, mas se expressa claramente nos elos da cadeia onde a produção de escala é capital intensiva, e requer volumes que a justifiquem e, portanto com poder de impor condições de preço e distribuição que levam o produtor agrícola à única de escolha de usar o mínimo, o maior para volume ou o ideal para produtividade. A própria escolha acima citada do agricultor ousado.

O lucro fica comprometido como resultado consequente do esforço de criar valor, quando a rentabilidade é controlada por fatores externos que superam a produtividade possível. Bons exemplos não faltam e o etanol já foi citado. Mas de princípio a decisão de produção e área plantada de cada safra é muito mais baseada no preço futuro da bolsa de Chicago ou preços mínimos de programas de alimentação do Governo do que propriamente pela utilidade no foco de um cliente. Depois da decisão, uma a mudança de cultura é custosa e exige investimento, exceto (como na safrinha do milho), nas rotações já comprovadas e historicamente boas para a saúde estável do solo e das próximas safras.

Creio que aqui temos mais um dilema que afeta a maior parte de todos os empresários e executivos do agronegócio, e arrisco a dizer que em toda a cadeia de valor: Quem é o Cliente, para que eu possa ajustar o meu foco ao foco dele?

O fato é que se tentarmos analisar cada eixo da constelação de valor frente às cadeias de valor e arranjos produtivos do agronegócio vamos enfrentar um desafio que por si só merece, ainda, uma pesquisa bem mais aprofundada entre conceitos vigentes e realidades específicas deste grande segmento da economia do Brasil. Esta pesquisa certamente nos fará encontrar novas perspectivas que exijam adaptações nos eixos que temos e quem sabe um novo eixo que componha de forma mais ampla e completa a Constelação de Valor do Agronegócio.

O simples fato de ampliar a leitura de nossos paradigmas atuais expandindo a cadeia do cliente para o reverso do fornecedor na cadeia da indústria de transformação já é um indicador forte dessa necessidade de construir uma Constelação focada no Agronegócio.

Exemplos de novas tendências de soluções que podem trazer mais valor ao negócio são inúmeras. Algumas ações isoladas de um grupo altamente capitalizado, não são socializáveis para o segmento, mas podem trazer benefícios para muitos, mesmo indiretamente. Ferrovia Norte Sul para escoamento de grãos pelo porto do Maranhão, transportes fluviais pelo Rio Madeira, expansão da fronteira agrícola no chamado MAPITOBA, financiamentos focados em irrigação e em silagem.

Esforços de descomoditização também são vários:

O café gourmet e o tratamento especial dado à espécie arábica de terras altas é um dos exemplos de sucesso em criar valor percebido, ainda que naturalmente por ser um produto Premium não se aplica a todas as classes econômicas da população, logo é um negocio de nicho.

Os produtos chamados orgânicos representam uma forte linha de diferenciação com apelos ligados a sustentabilidade ambiental e também o não uso de produtos agroquímicos tanto na fertilização da terra quanto no trato da cultura escolhida. Tem valor percebido e tem custo proporcional a baixa escala de produção, além de contar com menor solução logística e malha de distribuição, e com isso ainda é uma solução de nicho.

Algumas tendências que vão impactar os arranjos produtivos de grãos nos aspectos de produtividade e redução de desperdícios serão certamente o crescimento do uso de irrigação, aumento significativo na capacidade de armazenagem com silos nos pontos de produção, melhoria dos terminais portuários para produção e investimentos corretos nos modais de logística. Não dá para suportar muito mais tempo de perdas de até 20% no transporte rodoviário de 80% da produção da soja do MT e MS. Ao mesmo tempo o uso de caminhões como armazém de espera nos portos de exportação.

Pouquíssimos grupos privados conseguem investir em soluções próprias, nos modais logísticos para exportação e distribuição para isso redução das perdas e também de melhor controle de custo e preço junto as Tradings, mas já temos algumas exceções positivas no Brasil que ainda não formam tendência dado que são capital intensivas.. No entanto são soluções capitais intensivas para uma minoria dos players do agronegócio.

A verticalização na cadeia de valor ou arranjo produtivo seja para industrialização seja para incorporar as atividades logísticas, de distribuição em plano global e até a conversão deste sistema em uma Trading Company do grupo são soluções importantes como novos paradigmas mas longe de ser solução para o segmento de milhares de empresas em cada estágio desta cadeia.

Com todos estes complicadores, mas com as possibilidades do que ainda não foi explorado, ou seja, modelo de gestão melhor adaptado para cada elo da cadeia de valor, maior integração entre os elos e a perspectiva de diferenciadores que mesmo difíceis de copiar possam ser socializados entre as empresas válidas do agronegócio podem se converter na solução de um Industrial Agribusiness Marketing ainda a ser desenvolvido e evoluído.

Seja pela terra, pelo clima, pelo espirito empreendedor de nossos empresários do agronegócio, este é o único segmento da economia que tem altíssimo potencial de manter níveis de crescimento acima da média do país, suportado por tendências mundiais de consumo garantidas ainda para os próximos 20, 30 ou mais anos.

Não é, portanto, exagero nenhum considerar que o agronegócio é o Brasil que dá certo, e tem tudo para continuar dando certo!

 

Marcos da Cunha Ribeiro é Consultor de Negócios, Membro do Instituto de Marketing Industrial, Executivo Professor da EMI, Professor convidado da Pós Graduação Univem Marília. 

Bibliografia :

–  Nélio Arantes –  Empresas Válidas

–  José Carlos T. Moreira – Foco do Cliente

–  Miori C. (2015). Delphi de Política: uma aplicação em desenvolvimento setorial. Revista Future, no prelo

–  Valor Setorial – Agronegócio julho 2015

–  Caderno Especial Agronegócio- Folha de São Paulo 30.07.15

–  Farina, Elizabeth. .“Organização Industrial no Agribusiness”

PS : artigo publicado na Revista de Marketing Industrial de No 69

 
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Publicado por em 13/07/2016 em Geral

 

A NOVA LEI FLORESTAL E A SUSTENTABILIDADE DO AGRONEGÓCIO

 INTRODUÇÃO

Antes de tentar detalhar um pouco a origem das controvérsias em curso, cabe salientar que o Governo, desde os anos 2003, vem usando de um expediente inteligente e perspicaz, pouco comentado nos meios econômicos, políticos, ou na mídia. Ao invés de buscar maiores polêmicas como o uso eventual do boné vermelho em favor de um movimento questionável e totalitarista, bastou uma ação coordenada entre órgãos de ministérios, sindicatos e algumas instâncias do Ministério Público para, ao invés de discutir, cobrar o cumprimento de leis que viviam em ostracismo não aleatório, mas controlado. Vejamos, como exemplos paralelos ao código florestal, a exigência do cumprimento da cota de deficientes nas empresas na dose de 5% do efetivo contratado, ou a forte fiscalização sobre serviços terceirizados, o cooperativismo na indústria ou outros esforços que geraram o crescimento substancial do número de empregos “gerados” com carteira assinada, nos últimos 8 anos.

A Lei Florestal do Brasil, seu primeiro código florestal, foi  instituída em 1934, no governo Getúlio Vargas, sofreu revisão durante o governo militar e desde então a norma básica ainda é a Lei 4771 de 16 de setembro de 1965, que sofreu inúmeras alterações por leis complementares de 1989 e 2006 ou por Medida Provisória, em  especial durante  2001.

Hoje, todo o debate acerca do Código Florestal diz respeito às figuras da Reserva Legal e das Áreas de Preservação Permanente, segundo Ciro Siqueira em seus comentários sobre o tema.

Conforme disse o professor José Eli da Veiga, em setembro de 2011, “no momento atual temos, depois de votado e aprovado na Câmara Federal o Projeto de Lei da Câmara nº 30, (novo Código Florestal) um imenso fardo para os senadores”.  José Eli também via o centro das discussões nas áreas de preservação permanente e nas reservas legais, mas com foco nas tendências da produção agrícola: com crescentes produtividade e qualidade, ancoradas em tecnologia, conhecimento e informações, transformadas em competitividade real. No caso, o contraponto é o confronto com a  sobrevivência de uma pecuária de extensão, arcaica e promotora dos últimos grandes desmatamentos no Brasil.

Certamente aqui cabe considerar a crescente tecnologia de produção de gado confinado ou com otimização do uso de áreas de pasto,  que poderiam gerar reservas de expansão da área plantada para produção de alimentos, sem comprometer mais desmatamentos com expansão de novas fronteiras agrícolas.

Existe, portanto, um embate entre duas fortes vertentes do agronegócio brasileiro e ambos muito fortemente inseridos nos planos de um Brasil Maior (programa de governo atual) , com atentos suportes de BNDES , e outros meios de fomento para que o agronegócio passe a ocupar posição de importância relativa que nunca ocupou na história econômica do Brasil ( talvez exceto no ciclo do café e antes da industrialização brasileira acontecer de fato).

Aparentemente a situação atual teria sido provocada pelo decreto n° 6514/08, do Poder Executivo, por iniciativa do Ministério do Meio Ambiente, que fez agitar leis adormecidas e trouxe à tona, de um lado, sua falta de efetividade, e de outro acordou os proprietários agrícolas para a percepção de que as leis e suas emendas, ocorridas ao longo do tempo e de há muito vigentes, não seriam viáveis do ponto de vista da sobrevivência econômica e financeira do agronegócio nos moldes atuais. Nessa hipótese, a produção de riqueza no agronegócio e seus colaterais de geração de emprego, de equilíbrio da balança comercial do Brasil e até da segurança alimentar, não só de brasileiros como de parcelas importantes da população global, estariam em grande risco.

Esta argumentação se insere nas discussões globais sejam relativas ao meio ambiente ( que monopoliza um pouco o espaço de discussão), da emergência de classes médias e melhor distribuição de riqueza, ou da questão da fome ainda presente e insistente para muitos milhões de seres humanos.

Como argumentos globais, antes da segurança alimentar já veio a sustentabilidade.

Até 10 atrás  a viabilidade de um empreendimento, mesmo no próprio agronegócio, era dependente de lucro e rentabilidade, quase que exclusivamente. No caso da produção agropecuária no Brasil, desde há muito sem subsídios diretos, mas com linhas de crédito aperfeiçoadas ao longo dos últimos 30 anos (versus os altos subsídios da Europa ou dos EUA) pode-se perceber que os conceitos evoluiram, que houve mudança  e agora, ao invés de um único suporte passou-se a considerar 3 suportes, ou 3 pernas de um tripé, (gosto muito da figura do tripé pois reflete a instabilidade total na falta de um dos pés). Isto ocorreu a partir do final dos anos 90 quando o conceito de sustentável ganhou o aporte conceitual da já famosa “triple bottom line”, assim  cunhada por John Elkington.

Ocorre que de fato a sustentabilidade apoiada por três suportes – as pessoas (social) o meio ambiente e os  recursos financeiros (economia, resultados) permite uma melhor compreensão do papel da industria, ou do agronegócio,  desde há muitas décadas. Os já famosos três pês de “People, Planet and Profits”.

Este conceito, muito bem discutido em nossos Fóruns de Marketing Industrial desde 2002, pelo menos ganhou novos ingredientes no Fórum recém terminado de setembro de 2011. A figura de uma pirâmide com base triangular (o tripé de Elkington) com o vértice superior representado não pelo social, mas pelo Indivíduo, o ser humano cidadão, consciente e interferente nos sistemas; e com a feliz idéia de que no meio circunscrito pelos lados da pirâmide existe o ambiente onde o conjunto de agentes se comunica e troca informações construindo confiança e respeito mútuos, o que sustenta os relacionamentos fundamentais para o equilíbrio e sustentabilidade do macro sistema.

 A ATUAL POLÉMICA NO BRASIL

Em recente artigo o Prof. Delfim Neto afirma com segurança e com o peso de sua experiência de que (fora de ambientes acadêmicos) não se pode mais dissociar as questões econômicas das políticas e vice e versa. Eu sugiro ampliar esta máxima também para as questões sociais.

O viés ideológico de alas políticas é incontestável e encontra guarita em vários dos órgãos e setores públicos que participam do movimento em defesa de suas prioridades. A questão ambiental vem ganhando prioridade absoluta e isto, no caso do tripé da sustentabilidade,  gera um certo desequilíbrio. É Cult!

O viés econômico vem de alas representantes da economia privada que carregam os riscos do agronegócio do país, e que mal se recuperaram de crise profunda de 2004/5, um soluço mundial em 2009 e felizmente uma recuperação razoável e alvissareira a partir de 2010. Sofrem da mesma discriminação que ainda se dá ao lucro.

O suporte extra desta vertente é a constatação de que o consumo de alimentos no mundo emergente, a despeito da estagnação das grandes nações ocidentais do hemisfério norte, e ainda a perspectiva de um continuo crescimento e emergência de suas classes médias faz crer que nos próximos 10 anos o agronegócio tem todas as condições de um crescimento estável e sustentável na demanda, na oferta, nos preços e na expansão da produção.

A maior produtividade, o crescimento relativo de áreas plantadas e uma melhor rentabilidade certamente farão dos empreendedores – libertos das dívidas de muitos anos – grandes investidores em insumos, equipamentos e treinamento de pessoas, dando margem a uma geração de empregos diferenciados como nunca houve na história deste contexto.

Em parte estas perspectivas explicam a enorme quantidade de investimentos estrangeiros no setor também explicados pelo crescimento mundial da demanda de alimentos, pela dificuldade de recuperação de estoques mundiais e pela atratividade recente de investidores do mercado financeiro, com menores opções depois da crise.

E o viés social, onde está? Dissimulado no cenário político porque é argumento obrigatório no discurso.

Os dois setores mais agressivos, as minorias: de um lado os que usufruíram das leis que não pegaram até hoje, em especial nos setores de menor investimento e maior extração da extensão de terra e suas potencialidades, ainda que subaproveitadas, no caso a agropecuária extensiva; de outro os setores progressistas de investimentos largos em produtividade como o setor de commodities agrícolas. Destes o melhor posicionado para médio e longo prazos é o da soja, mas reconhecemos o reposicionamento do café ( a mecanização de colheita salvou o café do Brasil) e mais recentemente novos investimentos no algodão.

E o viés político? Sempre fortemente influenciado pelo ideológico, ao menos na nossa pátria mãe gentil.

Está em acordos partidários frágeis tecnicamente, mas fortes fisiologicamente. Expressão da leniência com que são tratadas as infrações de movimentos como MST e assemelhados. Um foco quase religioso, no que seria o panteísmo da visão radical dos ambientalistas, que defendem a retroatividade da lei para proprietários e investidores.

Como imaginar hoje, em 2012, abrir mão de 20% da área plantada, investir a fundo perdido (no negócio) para reconstruir uma mata que já não existe há um século ou mais, e ainda encontrar rentabilidade e perpetuidade no negócio onde o mercado é commodity mundial e o cambio uma incógnita?

Como complicador significativo, a despeito das vozes bem intencionadas e bem abalizadas que estão tentando manter o nível de bom senso, ainda temos uma confusa mistura de argumentações e estatísticas no setor, que confundem a agricultura familiar – de inserção social e de suporte na alimentação de subsistência da sociedade – com o que é de fato um segmento de economia que tem que ser entendido em escala de produção e custos, rentabilidade sustentada por ser commodity, em melhoramento contínuo de técnica e inovação e numa estabilidade mínima de volumes e logística ( infra-estrutura ) em escala de mercado global.

Este conjunto de vieses acima determina a atual insegurança jurídica que paira sobre o agronegócio e sua sustentabilidade para um futuro mais que promissor e que sempre pontua o Brasil como celeiro do mundo.

A área plantada no Brasil nos últimos anos tem crescido no máximo de 2 a 3 %. Porém  a produtividade agrícola tem crescido acima de 10% ao ano na média. Como manter isso com tamanha insegurança jurídica?

A balança comercial brasileira, em tempos bicudos para a indústria de transformação, tem no setor agrícola o maior gerador de superávit recente e para os próximos 10 anos. Qualquer instabilidade no seguimento desta tendência desorganiza e arrisca a nossa estabilidade de inflação, de cambio, de crescimento econômico e distribuição de renda.

Com todos estes importantes atributos, porque sofrer com ameaças que são totalmente dispensáveis, dado que estão no âmbito do arbítrio do país? Já não bastam as ameaças permanentes do ambiente externo, suas incertezas e o permanente jogo de poder e de sustentação de produção e de mercados que cada nação tem que enfrentar?

Parte do desequilíbrio nos vieses citados, que afetam a sustentabilidade do planeta e das nações, está justamente na oposição de interesses de curto, médio e longo prazo nas agendas ocultas de cada nação representada nos fóruns de debates mundiais. È evidente que ações de curto e médio prazos são poucas e alguma identidade de objetivos e propósitos de longo prazo representam uma esperança.

Este processo se estende depois em ações de ONGs e outras instituições, muitas delas inegavelmente bem intencionadas, mas que efetivamente têm forte influência sobre decisões políticas, legislativas, que também deveriam buscar o equilíbrio e formar o tripé da sustentabilidade no plano privado, no plano de estado, no plano da sociedade,  garantidos por uma democracia e uma construção de valor que criasse de fato uma prosperidade compartilhada, apartidária, com prioridade expandida primeiro para o Brasil, mas também para o mundo .

E O MERCADO DE EQUIPAMENTOS AGRÍCOLAS?

 Depois de quase 4 anos de convivência com este mercado arrisco uma avaliação que me parece realista no longo prazo e talvez otimista no curto e médio prazos.

A nova lei florestal pode minimizar as barreiras para um crescimento mais robusto da área plantada no Brasil alem do que foi observado.

Também a nova lei florestal pode minimizar os investimentos de curto prazo e a fundo perdido, ao menos para o investidor do agronegócio, e, portanto balancear os esforços de investimentos de capital para tanto a preservação ou recuperação de áreas de um lado, como também de melhoria de produtividade e de custo na produção pelos investimentos em mecanização e automação em curso.

O apelo pela sustentabilidade passa pela produção em escala crescente de alimentos para a humanidade, em especial a tendência crescente de consumo maior nos países emergentes e suas novas classes médias.

O Brasil tem seu potencial de crescimento do agronegócio, seja na continuidade da melhor produtividade e custos no campo quanto na expansão de área plantada, seja na fronteira ou na migração do pasto para o plantio de grãos e outras commodities.

Haverá uma continuidade de investimentos estrangeiros nas diversas vertentes de oportunidades do agronegócio.

Haverá também a necessidade de alguma consolidação de mercado nos setores diversos, mas com ênfase na área de equipamentos e implementos agrícolas. A indústria brasileira precisa focar seus diferenciais reais de valor, seja na inovação ou na performance de seus equipamentos e implementos, seja na capacidade de enfrentar as demandas de capital de giro e de investimentos e na melhoria da linha de produtos. O Brasil se tornou parte irreversível do mercado global de equipamentos e insumos.

Os 3 maiores grupos de produção de equipamentos do mundo estão consolidando e solidificando seu posicionamento no mercado brasileiro e, a partir dele,  na América do Sul e talvez na África . Investimentos entre RS , SP e GO superam bilhões de reais nos últimos 2 anos e nos próximos 2 a 3 anos. A maior parte desses novos “starts ups” está prevista para 2012 ou 2013. Alguns “players” são grandes o suficiente para terem banco próprio, como a indústria automobilística. Falamos de crescimento de produção possível na

ordem de 7 a 10% ao ano , cifras chinesas em um Brasil que deve ficar nos 4% ao ano de crescimento do PIB.

Os investimentos em tecnologia no foco da automação e melhoria de produtividade na chamada de agricultura de precisão são expressivos e a cada Agrishow surge uma série nova de lançamentos atrativos.

As linhas de financiamento para novas safras e para mais capacidade de mecanização são crescentes e incontestáveis, tanto quanto as novas modalidades de fomento.

Portanto há um cenário de crescimento de negócios, endurecimento da competitividade, clientes em transformação (dado que na produção de escala não temos mais a figura folclórica do agricultor, mas empresários e executivos altamente preparados para decisões de negócios em busca de resultados crescentes) em cenário mundial favorável e com tendência altamente atrativa para próximos 10 anos. É um cenário bom e fora da curva do contexto mundial atual, mas nem por isso inverossímil.

Os pequenos e médios agricultores seguirão a tendência de melhor visão de qualidade e produtividade, seja em nichos de produtos especiais ou em agricultura de subsistência mais sofisticada.

O mercado de grãos, energia e produtos em escala mundial serão mercados pujantes e grandes oportunidades para verdadeiras propostas de valor e de relacionamentos significativos e duradouros. Os produtos agrícolas deste segmento já são chamados de commodities e tratados como commodities.  Boa parte dos insumos idem.

Equipamentos e implementos devem preservar a oferta de valor na cadeia para evitar que a diferenciação se resuma no poder do capital investido na especulação dos estoques. As cadeias de valor no agronegócio têm se consolidado, em alguns segmentos, como oligopólios e o setor de equipamentos é uma das poucas exceções deste fenômeno.

Quem sabe assim, ainda nesta década, possamos ver também a fome e desnutrição anacrônica que aflige a milhões de seres humanos serem banidas, graças a este crescimento de demanda aliado a ganhos de produtividade e à redução de desperdícios e perdas inaceitáveis para o século XXI.

Referências :

 

  • O fortalecimento da segurança alimentar e ambiental na concepção do novo Código Florestal – Eduardo Pires Castanho (IEA)
  • Imenso fardo para Senadores – José Eli da Veiga para O Valor Econômico, em 20.09.2011
  • Cartilha do Código Florestal – SOS Florestas
  • Entenda o problema do código Florestal – Blogspot Ciro Siqueira.

 

Texto originalmente publicado na Revista de Marketing Industrial No 55 em 2012 que relendo me parece ainda muito atual até porque a Lei Florestal, em sua aplicação,  caminha ainda a passos de tartaruga.

 
 

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Gestão de Projetos influenciando as Mudanças Culturais da Organização

“Gestão de projetos como ferramenta essencial da gestão empresarial ou da gestão de negócios e como pilar influenciador de mudanças culturais”

Enfoque na gestão e no foco do cliente.

Gestão empresarial tem apresentado, nos estudos recentes, a crescente necessidade de aprimorar a gestão de projetos. Se houve já um progresso significativo no exercício do planejamento e dentro deste tópico a própria melhoria na estrutura e escopo dos projetos e suas necessidades planejadas de recursos, tempos, alocações e outros, há ainda alguns componentes precários que se repetem nas interlocuções frequentes nos mais diversos cenários de diferentes empresas ou segmentos:

Por um lado o que se planeja e se negocia no início do projeto sofre a falta de comprometimento e de cumprimentos de promessas na hora da execução dado que no momento futuro todos estão “esquecidos” dos compromissos assumidos e as demandas departamentais têm prioridades e promessas de resultados que exercem pressão e tem preferência. De outro lado temos que a implementação dos projetos sofre inúmeras interferências ou imprevidências que na média geral e avaliação geral dos CEOs e ou dos executivos de operação, permanece ainda a baixa qualidade de implementação.

Como causas mais frequentes, temos sempre boas desculpas e pouca causa raiz com sua solução. Como resultado temos sempre bons níveis de atrasos, custos superiores ao planejado e em geral, pior ainda, resultados econômicos e financeiros aquém das expectativas que geraram a aprovação dos mesmos. Saindo do âmbito de empresas privadas certamente a mídia tem um repertório semanal destas falhas no âmbito de governo e ou contratos de projetos estatais ou de iniciativas públicas diversas.

A essencialidade da gestão de projetos como parte integrante do modus operandi de uma empresa, ou uma instituição, já está justificada pelas constatações acima, por ser ferramenta eficaz se aplicada na dose e complexidade corretas para cada projeto e, portanto, elemento importante da solução de boa parte das causas das não conformidades acima apontadas.

Cultura de uma organização é coisa complexa, séria, que está nas prioridades de qualquer gestor sênior. Cultura tem o esteio e alicerce dos valores da organização (princípios de longa duração que sustentam as escolhas dos propósitos de sua existência e perspectiva de perenização).

Por outro lado ela se constrói e se aperfeiçoa e se fortalece na medida em que os valores são lembrados e fixados por símbolos, rituais e depois, na história, seus heróis. (não gurus! mas heróis de fato).

Cultura de uma organização é, portanto um conjunto de comportamentos observáveis que esta organização expressa de forma natural no seu cotidiano.

A formação de uma cultura que sustenta bons valores e pretende sustentar o elã, a identidade e a unidade de propósitos e objetivos entre seus dirigentes e seus colaboradores dependem, portanto, de poder inserir no campo observável as boas práticas em áreas e processos críticos e específicos. Estes por sua vez são os geradores de resultados porque parte integrante da cadeia de geração de valor do negócio da organização.

Portanto disseminar a prática da gestão de projetos em suas melhores praticas, na simplicidade máxima que não comprometa o resultado ótimo do projeto implementado e dando resultado e na complexidade mínima que garanta a qualidade assegurada do processo de planejamento, alocação de recursos, execução e operação vão garantir o sucesso de resultado baseado em sucesso de implementação dos projetos no prazo, custo e retorno de investimento.

Importante notar que a práxis sugerida no parágrafo anterior contempla os três eixos críticos de negócios com construção de valor, a saber: excelência operacional, na ampliação do atendimento das necessidades dos clientes ou mesmo na inovação ou aplicação das tecnologias, e sem dúvida se aplica com grande sucesso ao suporte administrativo do negócio onde também existem as oportunidades de ganhos significativos de produtividade.

Marcos C. Ribeiro

PS: O texto foi desenvolvido para ser uma resenha de uma palestra para PMI Capítulo São Paulo com um contraponto interessante com a técnica que na palestra era feito pelo amigo João Roncati.

 

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Desenvolvimento de Competências e um Plano de Desenvolvimento Individual – Conceitos e convicções.

Aos colegas que desenvolvem um PDI (Plano de desenvolvimento Individual) que não é uma mera lista de treinamentos em cursos formais! (1)

Uma conceituação atual, moderna e correta no meu ponto de vista segue abaixo com suporte também de algumas matérias recentes publicadas  , entre elas Carlos Hilsdorf, Eugênio Mussak , Luiz Carlos Cabrera, Vick Bloch  e outros :

Uma colocação muito simples é justamente definir competência como “naquilo que sou bom”, mas do ponto de vista do outro! Naquilo que os outros reconhecem e declaram que sou bom!

Mas esta simplicidade não é suficiente para um trabalho individual e ou coletivo, operacional e ou estratégico, no que se refere a necessidades presentes e futuras do indivíduo e ou da organização.

Para o sociólogo francês Philippe Zarifian, competência é “tomar a iniciativa e assumir a responsabilidade diante das situações profissionais com as quais nos deparamos. Consiste em um entendimento prático de situações, que se apoia em conhecimentos adquiridos e os transforma à medida que aumenta a diversidade de situações”.

Competência pressupõe uma ação que faça diferença onde for aplicada! Portanto agrega valor diante de novas situações, nos processos e nas decisões.

Assim, podemos compreender a composição do conceito de competência, através de critérios objetivamente mensuráveis, como o exercício proativo e simultâneo de:

1.Saber conceitualmente (qualificação) – conhecimento
2.Saber fazer (experiência funcional) – habilidade
3.Saber agir (capacidade de obter resultados) – atitude

Portanto, competência pode ser entendida como uma ação fundamentada e assertiva frente a novos desafios! Esta ação dever agregar valor econômico para a organização e social para o indivíduo. Competência é um potencial disponível para enfrentar os desafios futuros.

Competência é a qualidade de ser adequado e bem qualificado física e/ou intelectualmente frente a desafios. É a capacidade de tomar decisões bem informadas e coerentes. Contempla grupos de habilidades, atitudes e conhecimentos necessários para a realização eficaz de tarefas. Refere-se a ações e comportamentos identificados pelas lideranças como efetivas contribuições na implementação da mudança; estes comportamentos são necessários para um desempenho satisfatório ou excelente em qualquer desafio profissional.

Por isso é possível medir tecnicamente em testes especialmente desenvolvidos para isso e com excelente grau de precisão.

Por isso também todo resultado não tem certo ou errado, mas somente um retrato de momento para desenvolvimento de um plano, que foque a evolução do indivíduo no desenvolvimento de competências, em qualquer tempo, idade e momento de vida.

O conceito de competências no RH e no desenvolvimento de pessoas e organização cresceu em uso e conceituação a partir dos anos 70 com saltos interessantes nas décadas de 80 e 90 e estas evoluções permanecem válidas e validadas.

Um acréscimo do início do século XXI veio com Eugênio Mussak que acrescentou conceito adicional de Meta Competência para aquilo que vai além do mensurável normalmente e contempla alguma capacidade individual e específica para superar a normalidade com, por exemplo, algumas características que seriam um turbinamento das competências. Exemplo na conjugação com alguma inteligência superior a média (digo alguma, pois hoje a inteligência já está sendo estudada em mais de 10 inteligências ou segmentos diferentes !) Diferencial Meta também seria a componente de entusiasmos , paixão , intuição adicionadas as competências deste indivíduo. Ouso dizer que o crescimento do nível de consciência do indivíduo na práxis do pensar e fazer e vice e versa é uma Meta Competência.

A atitude de ampliar continuamente suas competências será sempre a maior competência de todas elas e inclui disposição, vontade, disciplina, persistência,  mas depende fundamentalmente de auto motivação para o auto desenvolvimento (auto gerenciado no tempo!), e ambos os fundamentos dependem do autoconhecimento.

Por isso o desenvolvimento de competência é possível, necessário, desejável. Não para o presente somente, mas para o futuro de cada um e onde quer que estejamos atuando! Não tem limite de idade e não precisa parar na aposentadoria!!

O Coaching tem o papel de suportar e facilitar o entendimento, o autoconhecimento, a montagem do PDI e seu monitoramento até que o autogerenciamento e o autodesenvolvimento estejam incorporados no indivíduo.

É por isso que a distinção entre Coaching, Mentoring e Tutorial é importante, mas isso fica para outra ocasião!

Se precisar de algum esclarecimento é só perguntar!

Vamos em frente!!!

Marcos C. Ribeiro

 

PS: texto desenvolvido para orientar e motivar gerentes e diretores de uma multinacional em um amplo programa de desenvolvimento de competências individuais na direção de competências organizacionais estratégicas definidas quando o Plano Estratégico de cinco anos incorporou definitivamente a componente de pessoas (Recursos Humanos naquele tempo!) como fundamento estratégico para o Sucesso do negócio. Serviu de base conceitual para desenvolvimento de atividades de Coaching e Mentoring que fazem parte do meu cotidiano desde então.

(1) O tom crítico ao longo do tempo de confirmou oportuno e permanente dado que a maioria dos processos de avaliação de resultados e competências das empresas acabam em um PDI formalizado e registrado no RH que não passam de uma lista de cursos formais e algumas atividades “on the job”, o que limita sobremaneira a possibilidade de desenvolvimento das competências gerencias e executivas, e por que não , as de especialista também. Não invalida de forma alguma a eficiência dos treinamentos formais como elementos de desenvolvimento de competências técnicas.

 
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Publicado por em 06/06/2016 em Administração, Geral

 

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