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Arquivo mensal: outubro 2012

Correios e seu monopólio!

A ECT do alto de seu poder estatal , reforçado pelo governo atual já fechou algumas empresas de entregas rápidas e ou de segurança. Incluisve a empresa do Eike Batista que atuava no RJ principalmente. Sempre existe algum juiz de primeira instancia a serviços do Correio !
Até há alguns anos atrás a ECT gerava lucros e contribuia diretamente com recursos ao Tesouro. De uns anos apra cá perdeu parte de sua produtividade como reflexo de modelo de gestão que se apoia e sobrevive de um pretenso monopólio , que sim é verdadeiro para correspondências, mas em cuja pretenção , a revelia da lei que define o que a ECT pode fazer segue com seus tentáculos tentando abraçar mercados da iniciativa privada , mais bem gerida e mais produtiva , logo mais competitiva.
Sedex concorre com carga fracioanda e caminhões da ECT até mundaça residencial já fazem.
O Correio Híbrido que felizmente não saiu de um edital no mínimo suspeito ainda opera em plantas piloto de Curitiba e Belém do Pará como um fantasma a espreita do primeiro vacilo da Industria Gráfica que opera impressão digital e distribuida , há décadas.
Agencias dos Correios são filiais de Bancos .
Suas lojas franqueadas finalmente terminaram de rever os contratos em luta que perdurou mais de 10 anos e certamente com rendimentos decrescentes para os franqueados , é lógico. De fato o que a ECT gostatria de ter feito era concelar os contratos e tomar posse das lojas mais rentáveis.
Empresa estatal só pode fazer o que está previsto na lei que a criou e a lei postal brasileira á antiga e prevê correspondências pessoais e comerciais . Não especifica transporte de valores ou documentos críticos. Por isso as UPS , DHL etc… tem o direito de fazer este tipo de entrega.
Mas pegar o caso do DHL na entrega especial de passaportes com vistos para entrada nos Estados Unidos é mesmo muita arrogância da ECT. Diria uma provocação gratuita.
A Lei postal que nos idos de 2001/2 um certo Pimenta da veiga tentou passar no congresso felizmente foi arquivada . A CPI dos correios apareceu na esteira das intenções corporativistas. Por esta lei até entrega de pizza delivery seria monopólio da estatal !
No caso da EBX no RJ , depois da liminar o desembargador não somente cassou a liminar mas tambem recomendou ao Sr meretíssimo Juiz de 1a instância Federal que fosse se atualizar nas leis depois da CF de 1988.
Creio que o caso atual com nossos passaportes merece a mesma recomendação.
Ah! Não conte com a imprensa para ir fundo nesta questão porque a ECT é de fato uma das maiores empresas de governo na contratação de propaganda e publicidade nas mídia impressa deste país !
Marcos C Ribeiro

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Publicado por em 29/10/2012 em Economia, Geral

 

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Porque de um período de silêncio ?

Não acredito que muitos tenham sentido falta de novos posts, mas fica sempre a sensação de dever alguma coisa. Senõa por outro motivo , pelo fato de ter começado a publicar um blog e pensar que a sua manutenção depende de publicação constante de novos conteúdos.
Me desculpem os que genuinamente pensaram que a não postagem de novos era algo que faltava na vida de de alguem !
Mas meus 100 dias de Santal de certa forma consumiram energias que seriam divididas com o Blog. Sorry !
Ocorreu agora e certamente vai ocorrer novamente.
Mas certamente a manutenção da oportunidade de expressão de pensamentos e de compartilhar de conhecimentos vai continuar se depender exclusivamente de minha vontade e saúde ! Assim seja e bom proveito!
Abraços
Marcos

 
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Publicado por em 28/10/2012 em Geral

 

O verdadeiro desafio da Industria no Brasil II

O verdadeiro desafio da Indústria no Brasil II

Muito se fala em desindustrialização e como grande argumento deste fenômeno utiliza-se da leitura de crescimento do PIB subdividido entre Industrial, Agricultura e Serviços. Primeira grande falha da análise.
A participação relativa da Indústria no PIB mundial tem caído na medida em que crescem mais do que a indústria os segmentos de serviços e agricultura.
A tendência de maior crescimento nos setores de serviços e agricultura, desde o final dos anos 80 já é uma realidade em todo o mundo ocidental e a única exceção foi a Ásia que recebeu a indústria de manufatura exportada dos Estados Unidos em busca de custos de mão de obra mais baixos.
Por outro lado o crescimento de serviços e da agricultura é um fato incontestável e não demérito da gestão da economia mas consequência natural dos limites de produtividade da indústria de transformação frente ao aumento significativo dos custos de mão de obra aliados aos crescentes esforços de ganho de escala de produção da consolidação das industrias mais importantes através dos também crescentes eventos de M&A.
Este tema tem me incomodado sobremaneira porque as discussões sobre o mesmo na mídia tem mantido um viés do conhecimento convencional que não entendo a quem possa interessar.
Tudo bem, com as reduções de IPI sobre automotivos entendo, um pouco da importância dos lobbies de um segmento industrial.
Quando olho o Brasil praticamente no pleno emprego, com taxas de desemprego abaixo de 6%%, penso:
1.como pode, se o CNI publica utilização de capacidade de produção ainda acima de 75 % o que por si só é uma aberração quando a indústria total brasileira para tal índice trabalharia mais de 2 turnos o que na média não é verdade ?
2. Como pode , se o BC abaixa a taxa de juros mas o investimento na produção não vem mas somente mais endividamento da população via consumo ?
3. Como pode se o PIB cresce em 2012 semente algo ao redor de 1,8 % e se projeta para 2013 algo como 4 % ?
Pode com inflação , com maior endividamento do governo que não se importa mais com o equilíbrio fiscal , com um PAC atrás do outro que só existe no papel e na prática sabemos que só temos atrasos e falta de investimentos de fato . Pode com uma população aposentada endividada, uma parcela razoável da MOD na indústria com mais de 40% do seu salário atrelado a pagamento de dívidas contraídas com promessas de benesses de governo,.
Pode também quando sabemos que o BC está perdendo sua autonomia tão difícil de conquistar nos últimos 20 anos para dar vazão a uma fantasia orquestrada por um ministério da fazenda que especula tanto quanto os ideólogos do partido da posição.
Pode também, e infelizmente, quando as vozes do empresariado brasileiro, a começar da FIESP, altar da indústria Paulista e Brasileira conseguem manter o mesmo discurso anacrônico de décadas a despeito de todas as mudanças pelas quais a Nação já passou.
Não existe uma desindustrialização no Brasil diferente do que existe no mundo ocidental há mais de 30 anos.
Não existe um cenário mais favorável do que o atual para crescimento maior relativo do agronegócio no seguimento do que já se verifica há mais de 2 décadas n setor de serviços.
Aliás, cabe lembrar que a medição do PIB como setor de serviços mais reconhecido tem menos de 15 anos.
Cabe também salientar que na cadeia de valor do agronegócio além da medição de seu PIB pela produção de alimentos e produtos agrícolas primários e secundários devemos medir a indústria que beneficia a produção agrícola o que deveria ser levado em conta no PIB industrial medido hoje!
Ou seja, vamos tentar ao menos questionar o conhecimento convencional multiplicado pela mídia, alguns gurus e pela academia , inclusive e infelizmente, para que a verdadeira opinião pública possa prevalecer e ser de fato representativa do que seja a definição da mesma . Ou seja, a opinião de cidadãos brasileiros genuinamente interessados, minimamente estudiosos e analistas dos fatos relatados e com opinião que representa o livre exercício de análise de ados e fatos conforme uma imprensa livre os publique. Mas que não sejam meros papagaios de analistas superficiais que preenchem infelizmente as páginas de nossos periódicos.
Aqui uma homenagem e um reconhecimento aos analistas isentos, independentes e sem medo de opinar que ainda subsistem apesar da pressão do sistema autocrático e inquisidor do partido governista atuais.
Boa sorte aos brasileiros que podem e devem construir a verdadeira opinião pública.

 

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O desafio dos 100 dias .

O desafio dos 100 dias.

Criou-se uma expectativa generalizada de o que deve ser feito ou foi feito nos primeiros 100 dias de um governo ou nos primeiros 100 dias de uma gestão.
De onde vem isso? Da guerra dos 100 dias, marcante vitória israelense sobre árabes ainda na década de 60?
Segundo José de Souza ( em opinião de abril de 2011) a guerra dos 100 dias assim se explica : Rege a lenda política que se nos primeiros cem dias de governo não houver mudança dificilmente acontecerá, ou ainda, que esse período busca retratar todo o rosto de um mandato político.
Existe uma menção clara de 100 dias de governo para Napoleão Bonaparte ao regressar do exílio na ilha de Elba e assumindo o governo da França com um exército aliado que depois foi derrotado pelos Ingleses na famosa batalha de Waterloo. Teria o seu novo governo durado 100 dias.
Sem qualquer pretensão de fazer ironias os 100 dias de um executivo em geral contam exatamente 10 dias depois do período legal de experiência cujos termos são bem explicados na CLT.
Ocorre que, salvo para um político eleito, de quem se espera que o conhecimento e diagnóstico de situação, ao menos da parcela da sociedade que pretende representar ou governar no executivo, seja uma premissa. Isto é , mudanças de governo nos primeiras 100 dias não são mais do que obrigação porque o candidato ao cargo executivo , político profissional por excelência teve ao menos 180 dias de estudo , diagnóstico e até de plano de ação , tático e estratégico para seus primeiros dias . Oxalá Haddad pense assim….
Já para o executivo, os 100 dias incluem a necessidade, obrigatoriedade, responsabilidade de um diagnóstico o mais completo e mais correto possível e as primeiras decisões, ações efetivas, implementações e mais ainda direcionamento básico tático estratégico, além do não menos importante, iniciar um processo de comunicação ampla e irrestrita que possa criar o início de uma confiança que foi depositada de início pelos stockholders mas que precisa ser ampliada para os stakeholders mais próximos ,o que sem dúvida incluem os fornecedores e clientes, mas em primeira, mão deve considerar os seus colaboradores , em geral , estes pré-existentes na organização.
Ou seja , não me parece muito equânime e justo comparar 100 dias de governo entre um eleito para função executiva de governo e um contratado para exercício de função gerencial de alto nível em qualquer tipo de organização privada. Isto é , a questão da expectativa e do julgamento ou avaliação de 100 dias do executivo não deveria levar nenhum comparativo ou premissa de base semelhante ao julgamento dos eleitores e imprensa de um governante recém eleito para cargos executivos , quais quer que sejam . Para eles é necessário maior detalhe , precisão e rigor dado que as condições são desiguais.
Por outro lado o que se verifica? Que executivos profissionais são muito mais efetivos, precisos e ágeis no diagnóstico , decisão e ação reparadora do que os políticos . Isso tem uma base, de viés político, em vários países inclusive o Brasil. Não se elege para prefeito, governador e presidente um bom gerente, um bom administrador ( como defende nosso professor Stephan Kanitz ) . Elegemos políticos cujos compromissos ideológicos e fisiológicos são maiores do que qualquer pretensão de ampliar o bem comum e de pragmaticamente devolver aos eleitores melhorias reais em sua infraestrutura de vida, em sua qualidade de vida e em sua possibilidade de em liberdade de ser, desenvolver seu papel na sociedade enquanto trabalhador e stakeholder de tudo o que existe e por ele existe!!!
Completei 100 dias de executivo na Santal dia 21 de setembro e acredito que o relatório foi satisfatório para todos os genuinamente interessados no sucesso do projeto Santal na amplitude da AGCO. Serei minimamente rígido e rigoroso com o Haddad agora que é a vez dele na cidade onde nasci !
Até a próxima eleição !
Marcos C Ribeiro

 
 

O verdadeiro desafio da Industria no Brasil

O texto abaixo depois de editado fez parte de um livro editado pela Deloitte para discussão da Industria no Brasil hoje e amanhã.
O tema abaixo foi meu desafio neste tema . Espero que gostem !
Continuo um crítico do papel anacrônico da CNI e da Fiesp no cenário do país já mudado , e muito desde o plano real , mas cujo discurso permanece fisiológico a espera de benesses e sem nenhum comprometimento com iniciativas realmente dignas de defender o papel dos que investem e investiram no risco real da produção industrial desde a nossa revolução industrial ,pós era do café e a partir de uma imigração importante que suportou o inicío da industria nacional a partid e São Paulo e hoje continental tanto quanto o Brasil.

TÍTULO
A construção de um novo futuro
SUBTÍTULO
A construção de um futuro inovador e sustentável na indústria brasileira dependerá da incorporação crescente das melhores práticas por parte das organizações, influenciando o seu modelo de pensamento operacional e estratégico.
Por Marcos da Cunha Ribeiro
Diretor Geral – Santal Equipamentos Ltda
Diretor Administrativo Holding do Grupo Jacto até maio de 2012
Presidente da RRDonnelley Moore até agosto de 2007.

O que tem a indústria a ver com um futuro inovador e sustentável? Não seria este um tema para academias, institutos de pesquisa, órgãos de governo e alguns gurus? Vamos, a seguir, discorrer pensamentos e conceitos sobre a indústria de manufatura no Brasil considerando o contexto atual, que se apresenta com complexidade crescente, em função de uma série de consequências de movimentos do passado recente.
A inovação, entendida enquanto a ação de fazer algo novo, ou renovado, ou mesmo de forma diferente do que sempre foi feito, é a nova moda e o ponto focal das discussões sobre gestão e sucesso dos negócios. Mas esse tema não é tão novo assim. Há vários anos, a inovação tem recebido diversos sinônimos, em especial, a partir da década de 80, quando o cenário de globalização e crescimento ainda vigoroso das nações ocidentais do Hemisfério Norte eram motivo de segurança de um lado e, de outro, de exigências por resultados crescentes a cada trimestre.
E, por conta daquela situação, agravada com as mudanças fortes do mercado financeiro naqueles anos, novas iniciativas e modelagens passaram a ser exigidas, com foco em redução de custos, reinvenção e reengenharia dos negócios e das empresas e tantas nomenclaturas para um esforço de melhoramento contínuo ou até radical, que sustentasse um resultado crescente, estável, previsível e garantido de earns per share, mantendo a atratividade das ações no mercado de capitais.
Na década de 90, o tema ganhou ainda maior complexidade. A partir daí, o desafio era ser inovador e, ao mesmo tempo, sustentável. O conceito de “sustentável” aqui remete de imediato ao mais adotado atualmente, que seria o do triple bottom line, cunhado desde o final da década de 90 por John Eikington, com seu livro agora traduzido para o português, “Sustentabilidade – Canibais com Garfo e Faca” (M. Books Editora). Ocorre que, de fato, a sustentabilidade apoiada por três suportes – pessoas (social), meio ambiente (planeta) e recursos financeiros (economia-resultado) – permite uma melhor compreensão do papel da indústria desde há muitas décadas.
Uma visão crítica
Vivemos um momento crucial para a indústria no Brasil. Nuvens cinzas são dadas como certas em um contexto de real valorizado, comércio se expandindo e economia em geral crescendo, enquanto o setor industrial caminha a taxas abaixo de 2,5% por anos seguidos e com tendência de baixa.
É preciso, porém, ampliar o nosso ponto de vista. Os diagnósticos, as avaliações de desempenho, os resultados e os estágios de evolução da indústria são feitos hoje, na sua maioria, com base em uma amostra das 500 maiores, das 1.000 maiores ou das pouco mais de 600 organizações com capital aberto na Bovespa. Mas, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), desde as micro até as mega-indústrias, temos no Brasil seguramente mais de 300 mil empresas.
Portanto, a partir de que realidade presente queremos construir a realidade futura da indústria brasileira, como agente de inovação e sustentabilidade? Certamente as melhores práticas virão das grandes indústrias bem sucedidas, mas a nova realidade só se consolidará no futuro se a maioria das grandes, médias-grandes, médias e pequenas empresas também forem agentes conscientes desse processo de fomento da inovação. Elas precisam atuar como mola mestra de sucesso e de crescimento auto-sustentado, com base em ações adequadas de manutenção dos resultados, com a devida contrapartida para a sociedade e com o uso responsável de recursos do meio ambiente nas relações sociais, comerciais e econômicas, locais e globais.
Pontos críticos
Aqui, um primeiro ponto crítico. Demming e Juran, desde a década de 50, já asseveraram que só posso melhorar aquilo que eu consigo e sei medir. Pois bem, temos a famosa medida de utilização das capacidades da indústria brasileira, que, nos últimos mais de 30 anos, não foi renovada, revista ou atualizada e que, entre períodos de profunda recessão e alta expansão de consumo, varia seus índices sempre entre 78% e 85% de ocupação. Pois bem, isso implicaria dizer que o Brasil está sempre prestes a sofrer de inflação de demanda, que o governo está sempre devendo subsídios ou linhas de financiamento para aumento de capacidade e que a indústria de bens de capital e a importação alternativa dos meios de produção deveriam, todos os anos, estar com um movimento mínimo médio superior ao do crescimento da própria produção industrial. Isso não me parece verdade, mas, sem dúvida, um ponto convencionado, a ser questionado pela indústria, que pretende ser agente de mudança para o futuro de inovação e sustentabilidade.
Um segundo ponto crítico é que os critérios de produtividade ainda são incipientes para a maioria das nossas organizações industriais. O conceito de “excelência operacional” tem crescido ao nível de consciência empresarial, porém, o que vemos ainda com muita frequência é uma série de soluções de curto prazo e de extrema influência emocional. Basta o dólar estar desvalorizado e os financiamentos ficarem mais fáceis pela maior liquidez momentânea do mundo, e vemos a balança comercial desequilibrar no quesito de importação de novas capacidades. Em geral, sem uma análise de mercado adequada e sem um plano de vendas e marketing que justifique o investimento em ativos, o rebote vem rápido, com falta de geração líquida de caixa e, portanto, sofrimento para auto-sustentar o crescimento consequente do capital de giro.
A visão sistêmica dos processos fica hoje enevoada por siglas e rótulos, sem a necessária consistência: TQM, Círculos de Q, A meta, 6 Sigma , Lean, Kaizen, Just in Time , Total Cycle Time etc. Cada uma dessas metodologias traz um conjunto extremamente válido de excelentes conceitos, mas cuja maioria funciona como complementares e suplementares uns aos outros. Qual a falha? Problemas em implementação e falta de perseverança e consistência. Neste caso, entenda-se “consistência” como uma coerência permanente, em longo prazo – coerência de ações, decisões, investimentos, atitudes, liderança e objetivos. E por que falta coerência? Basicamente pela existência de um sistema de leis trabalhistas com mais de 60 anos, sem grandes inovações e com pouca flexibilidade para os tempos atuais e frente aos concorrentes internacionais.
P&D incipiente
Os investimentos em P&D no Brasil ainda são incipientes. Mais ainda se avaliarmos somente aqueles efetivamente alocados na atividade industrial. Inovação tem um forte componente de P&D quando aplicada especialmente a produtos e soluções, mas os índices de investimento no Brasil ainda estão muito aquém dos nossos concorrentes mundiais. Mesmo depois do advento da Lei do Bem, temos um paradoxo a enfrentar no tocante aos esforços de P&D.
Uma das características da gestão industrial no Brasil foi historicamente tentar replicar modelos importados sem a devida consideração das diversidades de cenários e contextos. Raramente ocorreram discussões focadas na gestão empresarial do ponto de vista econômico-financeiro. Em parte, porque sempre se está à espera de que o governo venha em socorro, com barreiras à concorrência externa, ou com financiamentos subsidiados para investimentos em capacidades, ou mesmo para sustentar capital de giro, e assim por diante.
Aparentemente, por muito tempo, houve a ilusão da réplica dos modelos das nações mais desenvolvidas. No início, o planejamento e a estratégia eram ruins ou negligenciados e melhoraram no tempo substancialmente. Ocorre que, hoje em dia, infelizmente, as implementações das estratégias continuam pobres e sofríveis.
Visão econômico-financeira
No nosso país, o custo de capital ainda é dos mais altos do mundo, a despeito de que o crédito melhorou e sua disponibilidade cresceu. Qual a queixa dos bancos de fomento e investidores de mercado nos últimos dez anos? Que não temos bons projetos suficientes para a disponibilidade de capital de investimento e crédito para investimentos na produção.
No entanto, se o custo de capital é ainda dos mais caros, o capital de giro e o giro financeiro das operações de produção e distribuição são críticos e importantes. Aqui começa a sustentabilidade da indústria no plano econômico e social. Não se pode pretender crescer e enfrentar flutuações normais de demanda com alavancagem de capital de giro baseada em crédito bancário e/ou desconto de duplicatas. Não há sustentação no ciclo total do negócio e o impacto é direto no entorno da empresa, com as contratações ou demissões cíclicas. O crescimento auto-sustentado, com autofinanciamento de capital de giro, é a chave da longevidade do empreendimento. E a velocidade do giro desse capital na cadeia de valor e de suprimento da indústria é a forma mais eficaz de manter a rentabilidade saudável e que permita o reinvestimento no crescimento.
Se o Produto Interno Bruto (PIB) industrial já representou mais de 38% do PIB total brasileiro e hoje representa menos de 32%, com viés de baixa, não podemos, apenas por isso, chegar à conclusão de que está havendo uma desindustrialização no País. Devemos considerar que, depois dos anos 70, o crescimento do PIB no setor de serviços seguiu a tendência moderna e mundial de crescer a taxas maiores. Deve-se notar também que o Brasil, com sua vertente de agronegócio crescente e importante para a balança comercial do País, mantém uma participação substancial desse setor no PIB total. Portanto, não é por este caminho que devemos verificar a desindustrialização.
As operações de fusão e aquisição na indústria de transformação já foram mais fortes em passado recente, mas, na maior parte dos investimentos, houve manutenção do parque industrial e do nível de produção, acompanhando o setor de consumo, maior puxador do crescimento nos últimos dez anos. O câmbio tem sido colocado como bode expiatório do processo de desindustrialização, mas convenhamos, não é papel da indústria reclamar por intervenção nessa área, mas planejar e executar projetos de competitividade eficazes em um cenário e contexto já conhecido desde 2004 e com fortes tendências de manutenção em níveis que nunca serão suficientes para compensar nossas ineficiências competitivas e o Custo Brasil reticente e anacrônico.
O maior risco que temos hoje no setor industrial, além dos custos trabalhistas já instalados e do recrudescimento da fiscalização sobre leis e normas arcaicas, é o custo crescente de investimentos em qualificação, capacitação e aperfeiçoamento da mão de obra direta, indireta e técnica. Isto porque o apagão de mão de obra pelo atual pleno emprego está acompanhado de um processo também anacrônico de qualidade decrescente no sistema de ensino, além de certo estímulo à manutenção de trabalho informal intermitente, amparado por programas assistencialistas. Sem dúvida, o sistema “S”, também mantido pelas indústrias, é ainda uma exceção positiva no cenário da educação, mas insuficiente.
Exemplos de sucesso
Certamente não é possível esgotar as alternativas de caminhos para o sucesso da indústria brasileira. Encontraremos hoje, com alguma facilidade, casos exemplares. As multinacionais brasileiras em crescimento global são bons exemplos de que tudo isso é possível. Mas não vamos nos iludir que seja fácil. Nada disso acontece em menos de 3 a 4 anos de muita perseverança e consistência e com algum sofrimento a partir da decisão de ser inovador e sustentável.
Por outro lado, devemos ter em mente que o processo de construção do futuro não é privilégio do tamanho ou da idade da indústria, mas daquelas empresas que seguiram o roteiro mínimo de esforço e investimento de forma consistente e permanente. A indústria brasileira não deve se preocupar se representará 30% ou 40 % do PIB nos próximos 10 ou 20 anos, mas se ela permanecerá gerando valor para os clientes e riqueza para o País, crescendo domesticamente na proporção da demanda e internacionalmente por ser competitiva por seus valores próprios.
O papel social extramuros da indústria no futuro inovador e sustentável só irá ser perceptível depois que as boas práticas estiverem firmemente incorporadas nas organizações, influenciando o seu modelo de pensamento operacional e estratégico. Para envolver a sociedade brasileira e fazê-la também inovadora e sustentável, deveremos chegar a um ponto em que a indústria, em sua maioria de representantes, expanda a sua evolução deliberada e compartilhe o conhecimento, acrescido de ação voluntária, apolítica e com investimento real, como algumas poucas fundações tem demonstrado ser possível fazer, na defesa da ética, da sustentabilidade social e ambiental e na educação.

Saiba mais
Bibliografia e referências sugeridas para leitura sobre o tema:
• “Sustentabilidade – Canibais com Garfo e Faca”, John Eikington (M. Books Editora)
• “Freakonomics”, Steven Levitt (Editora Campus)
• “Manual da Empresa Rica”, Luiz Bersou (Trevisan Editora Universitária)
• “Sustentabilidade – A Legitimação de um Novo Valor”, José Eli da Veiga (Editora Senac São Paulo
• “Sistemas de Gestão Empresarial”, Nélio Arantes (Editora Atlas)
• “Foco do Cliente”, José Carlos Teixeira Moreira (Editora Gente)
• “Total Cycle time”, Thomas Group Inc. USA
• Instituto Ethos (www.ethos.org.br)
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