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Arquivo da categoria: Filosofia

Como a Empresa interfere e afeta a realidade dinâmica do contexto de vida de cada um de nós , nossas famílias e nossa sociedade – Um enfoque Humanista

Palestra ministrada na 66a Sexta Filosófica da Igreja Presbiteriana do Butantã

6a filosófica out 2007 MCR 261007

” Como a Empresa  interfere e afeta a realidade dinâmica do contexto de vida de  cada um de nós , nossas famílias e nossa sociedade – Um enfoque Humanista

Espero que o anexo esteja acessível. É o arquivo original dos slides utilizados no dia 27 de outubro de 2007 e a discussão era complementar a outros enfoques do que seria a responsabilidade social das empresas em relação à sociedade e a todos os stakeholders.

Bom Proveito ,

Marcos

 

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A REALIDADE DE CADA UM !

Nicolelis escreve “neste livro, eu proponho que, assim como o universo que tanto nos fascina, o cérebro humano também é um escultor relativístico; um habilidoso artesão que delicadamente funde espaço e tempo neuronais num continuum em orgânico capaz de criar tudo que somos capazes de ver e sentir como realidade, incluindo nosso próprio senso de ser e existir.

Nunca vou esquecer de um estudo prolongado de filosofia que fizemos entre casais amigos na Escola de Marketing Industrial , coordenado por Jean Bartoli e nosso saudoso amigo Arthur Hipolito de Almeida. Entre outros temas eleitos como essenciais para nossos sábados de discussões existenciais um deles marcou muito pela conclusão desafiadora , do que seria a Verdade e como o conceito de Verdade e a Verdade propriamente dita muda e toma formas diferentes de pessoa para pessoa.

Um detalhe interessante: a etimologia da palavra verdade em grego: aletheia, o que significa literalmente: o que não se esquece. Nas nossas discussões, o que nosso desejo e nossos sentimentos nos fazem esquecer voluntariamente ou involuntariamente , mutilando nossa visão?

 

Bem , entendo que a Verdade em muitos momentos e situações está diretamente relacionada a noção de realidade , ou melhor , o que seja a realidade para quem se apropria dela como verdade.

Obra postumamente publicada do filósofo Arthur Schopenhauer, a qual recebeu o sugestivo título Como Vencer um Debate sem Precisar Ter Razão. Uma de nossas advertências era a seguinte: não acredite em histórias perfeitas, daquelas que têm explicação para tudo. A realidade não produz enredos perfeitos. Os que existem não passam de elaborações humanas.

Roberto Girola tambem contribui :

Se isso vale para a ciência, diante da qual costumamos nos inclinar em reverente obséquio, imaginemos o quanto faz sentido no nosso dia-a-dia, dominado por intermináveis discussões sobre quem está certo e quem está errado. Aliás, a “verdade” sempre anda em um dos nossos bolsos, pronta para ser exibida para quem for, toda vez que nos sentimos ameaçados pela “verdade” do outro. Frequentemente deixamos de ser felizes porque prevalece o desejo de estarmos “certos”. Defender a nossa verdade se torna uma prioridade absoluta, que nos impede escutar e dialogar com a “verdade” do outro. Quem sabe nossos horizontes poderiam se ampliar se pudéssemos ouvir a verdade do outro e perceber o quanto a nossa pode ser falível.

Já imagino que alguém comece a se perguntar: “Mas afinal existe a verdade?”. Tudo nos leva a pensar que a “verdade” existe, mas que talvez ela não seja exatamente como a imaginamos. Talvez esse comportamento bizarro das pesquisas científicas possa nos dar umas dicas quanto á maneira como o nosso desejo interfere com a verdade. De fato, do ponto de vista emocional, em um primeiro momento, o pesquisador está sob o foco do seu desejo, que é descobrir algo novo, útil e inusitado. No segundo momento, no teste da repetição, o que prevalece é o medo dele ter errado na primeira pesquisa, ou o desejo de achar o erro do colega, caso não seja a mesma pessoa que aplica o teste da repetição.

Será que o desejo do observador interfere com a forma como a realidade se mostra e portanto sobre a forma como o mesmo chega a conceber a verdade? Provavelmente sim. Ampliando o leque de sentimentos que podem interferir no nosso modo de ter acesso à realidade, podemos supor que qualquer sentimento pode interferir na percepção da realidade e mediar a nossa concepção da verdade.

Tudo isso é negativo? Absolutamente não, muito pelo contrário. Cada um de nós, a partir do seu mundo interno, “revela” um aspecto da verdade, seja ele norteado pelo medo, pelo desejo, pela ansiedade ou por qualquer outro sentimento. O único inimigo absoluto da verdade é a impossibilidade de pensar, pois ela nos remete aos objetos bizarros e opacos que abitam a nossa mente e fragmentam inexoravelmente a realidade e a nossa concepção da mesma.

Pois no final desta discussão sempre me vem à mente a questão que incomoda : Existe uma verdade que desafia as demais que é a Verdade personificado na Deus encarnado , o Cristo ( Eu sou a verdade e a verdade vos libertará!) ? E qual o sentido da liberdade para o homem na sua fragilidade e finitude com base na verdade da promessa ?

Entendo que a palavra Verdade nunca será um sinônimo completo de si mesma se não considerar o contexto onde esteja sendo considerada e defendida por quem quer se seja. Do ponto de vista humano um verdade unica não pode existir sob pena de inviabilizar a convivência civilizada e pacífica , mesmo em família. Por outro lado no contexto religioso esta verdade pode tomar forma de Dogma e este por si só inviabilizar a comunicação entre semelhantes !

Prefiro pensar que a verdade será relativa sempre , daí a fragilidade da justiça humana. O ponto de vista será verdadeiro para um e não apra outro . A Tolerância pela diferença é o exercício que é penoso mas eficaz para este paradoxo humano. O perdão sempre a solução para os impasses que não chegaram a conclusão ou consenso.

Marcos C. Ribeiro

 
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Publicado por em 30/06/2012 em Filosofia, Geral

 

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O Desafio de Viver o Hoje !!

Por isso não fiquem preocupados com o dia de amanhã , pois o dia de amanhã trará as suas próprias preocupações. Para cada dia bastam as suas próprias preocupações.” Mateus 6,34

O texto de Mateus é encontra seu paralelo em Lucas com algumas alterações e, em especial, este versículo, muito repetido como um consolo para todo o cristão, não aparece em Lucas. Seria uma mensagem para os judeus mais do que para os gentios? Acredito que não. A mensagem de fundo e principal é a prioridade das coisas de Deus e todas as outras coisas serão acrescentadas. É a prioridade para as coisas do porvir. De um futuro intangível, mas que a Fé suporta e sustenta.

No texto, as preocupações com as bases da pirâmide de Maslow são evidentes. Preocupação com ter o de comer ou o de vestir. Pressupõe que mesmo na época de Cristo o morar era menos problemático do que ter o de comer e vestir. Bem que o milagre foi de multiplicar os pães e os peixes e não criar um Nossa Casa, Nossa Vida, por exemplo.

Mas o ponto da discussão é exatamente: como não se preocupar com o futuro e com as coisas que teremos pela frente? Ainda mais na época de desejar aos amigos um Feliz Ano Novo, pleno de realizações e muito sucesso, claro que com saúde e sempre sob as bênçãos de Deus!?

Uma frase de Olavo Bilac me chamou a atenção na semana passada:

 

O presente não existe. A vida é o passado e o futuro; vivemos de lembranças e de ambições, entre a saudade e a esperança.”

 

Em resposta a uma conversa de web, recebo outra tão provocante quanto essa e, dessa vez, de Frank Lloyd Wright (Arquiteto famoso nos Estados Unidos):

 

O presente é a sombra que se move separando o Ontem do Amanhã. Nele repousa a Esperança.”

Mas daí, surge um texto de 2002 que minha mãe escreveu e guardou para compartilhar exatamente agora, hoje, neste momento (ou foi no minuto que já passou? — ou já seria saudade e lembrança?):

SER

Ignez Pinto Dias Ribeiro

 

Nesta imensurável fração da eternidade

que é o agora,

estou deixando de ser, para me sentir sendo,

entre o eu fui e o eu serei.

 

Se tal não fosse, como explicar,

o que já foi e o que será?

 

É pura energia, ou é a inércia,

que me leva através do ser agora,

neste exato momento em que sou, e

deixo de ser, pelo simples fato de que já era?

 

E por que assim não seria

se, afinal, a vida é uma sucessão

de momentos que já foram,

são e serão,

eternos nos frágeis agora,

enquanto duram?

 

Imediatamente voltei para a reflexão sobre o tempo e a percepção humana, presa ao sistema solar e aos 60 segundos de cada minuto até os 365 dias de cada ano, e que estamos prestes a ver passar o de 2011!

Para Deus mil anos são como um dia e um dia como mil anos?! Veja em Salmo 90,4 ou 2Pedro 3,8.

A perspectiva do tempo depois da relatividade de Einstein, e mais ainda depois da Física Quântica, me parece desafiar-nos para dois pontos muito importantes. Primeiro, evitando a perspectiva de tempo, no tempo de Deus para nossas necessidades, desejos, sonhos, devemos manter nossas vidas e perspectivas abertas à ação do seu Espírito em nossas vidas a fim de que nossas realizações e cada passo dado reflitam que nossa vontade está em sintonia com a vontade de nosso Pai.

Segundo, devemos entender que a mensagem de Cristo priorizou as coisas de Deus, coisas do espírito, coisas da vida plena e que não significa que devemos imaginar que as coisas acontecerão por acaso ou por providência divina a despeito de nossa omissão em sermos os protagonistas de nossas vidas, anseios e desejos humanos e terrenos. Não perca a Fé na Vida eterna mas Ponha o pé no chão.

A palavra esperança sempre teve uma conotação na tradição Cristã de esperar. Mas, na verdade, a esperança não deve ser um substantivo inerte e que nos coloque sempre na espera de que algo aconteça por acaso. Acaso este que, quando dá certo, entendemos imediatamente como providência. A palavra esperança evoca ação, a atitude de esperar algo, fazendo acontecer! Esperançar seria o verbo e não esperar, conforme ouvi uma vez do amigo Arthur Hipólito de Moura.

O Apóstolo Paulo planejava cuidadosamente suas viagens. Trabalhava para obter seu sustento e não depender de doações de seus novos seguidores recém convertidos ao Cristianismo. Por outro lado, de suas viagens sempre trouxe doações e dízimos das Igrejas recém inauguradas para ajudar no sustento da sofrida Igreja de Jerusalém, esta sim uma providência que tinha como protagonistas pessoas com iniciativa, em sintonia e alinhados com os planos de Deus para a sua igreja e para os seus.

Como ficamos no impasse de se devemos pensar — ou não! — no dia de amanhã, quando estamos no momento ritualístico, quase universal, de refletir sobre o que fomos e fizemos em 2011, e planejar, rever objetivos e nos prometer novas atitudes para o ano de 2012?

Bilac nos fala de nos movermos para a frente com ambições e esperanças.

Frank Lloyd nos lembra que a esperança tem valor no agora, no presente, pois no futuro ela se confirmou ou se dissipou para ser renovada em nova esperança de um presente que será!

Ignez propõe que o agora é uma fração da eternidade que não se pode medir. O futuro é parte da eternidade que não se pode antever, mas viver cada fração para chegar lá. Pois daí vem a questão sobre ser energia ou inércia. Pois que seja energia e não inércia.

Pensei, então, que uma mesma idéia reúne os diversos pensamentos listados aqui, e que exprimem a preocupação do agora ser pouco e insuficiente!

Este pouco, pois efêmero, no tempo curto de uma fração de tempo, vai afetar o que será, e mesmo o que será no agora seguinte será uma fração de tempo para pensar e fazer. O processo contínuo de fazer alguma coisa sempre, na direção desse futuro é que pode ser uma alternativa. Alternativa que será se se mantiver a coerência entre contexto, seu entendimento, decisão e ação!!

Portanto, concluo que é preciso transformar a esperança em ação, tomar a decisão e agir para construir o futuro que desejamos, suportados pelo cuidado de Deus para conosco como promessa de cumprimento eterno, e fazer do agora o ponto de partida para o novo sempre!

Feliz Ano Novo!!

Marcos da Cunha Ribeiro

Agradeço a revisão do Editor e Pastor Marcelo Smargiasse !

 
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Publicado por em 30/12/2011 em Filosofia

 

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Notas Livres de uma 6ª Filosófica – Da rigidez Binária ….

Notas Livres de uma 6ª Filosófica

Local : IPBut

Palestrante : Luciano Araújo

Tema : TI – Da rigidez binária a busca pela imperfeição humana

Autor : Marcos da Cunha Ribeiro                                                  27/05/2011

 

Da visão histórica iniciada com um paralelo com mãos e dedos
humanos interagindo com o 1º computador portátil,  passando pela infância d código binário e a
constatação de que o sucesso leva à necessidade de mais. Onde isso não ocorre?!
Sempre mais!

Lembro-me da impaciência de um usuário de um 296 ao esperar
a mudança de tela ou cálculos de uma planilha e a mudança quase compulsória
para um processador 386. Era só questão de tempo e logo a demora já incomodava.
Voltar a usar um 286 nem pensar! É assim até hoje e com qualquer um! O sucesso
de um produto e a conseqüente necessidade de mais por parte do usuário ou
consumidor!

(aqui um parêntese: usuário é um nome infeliz porque só na
TI e no ambiente de drogas se utiliza sem moderação esta nomenclatura!)

Mais processamento passou por uso de contas, soroban, ábacos
e assim chegamos à planilhas . Repetição + rapidez = maquinas de contar e não
esqueça , já havia alguma mobilidade.

E como lembrar estas coisas? Memória = cartão perfurado e
depois outras  mídias.

Eletricidade! Sinal e não sinal, 1 e 0 !

0…………0000

1…………0001

15……… 1111 e assim por diante!

O primeiro computador o ENIAC do tamanho de uma sala inteira
. Mais mobilidade  e aí vem Desk tops ,
Lap tops e iPads ( e hoje quem não correlaciona imediatamente com Steve Jobs ?)

Os ciclos se repetindo: encolher e crescer e depois encolher
e crescer e assim por diante!

E o Software? SW? Algoritmos para um conjunto de ações,
passos e instruções para fazer alguma coisa.

E a rigidez binária? Mesmo resultado a cada execução ou cada
objetivo. O algoritmo é matemático, uma expressão matemática.

Daí vem o encontro de alguma produtividade! O computador
realiza com precisão tarefas repetitivas. Tarefas chatas.

Não tardou para se chegar ao primeiro dilema: a criatura que
imita o criador. O criador cria para que a criatura se pareça com ele! Imagem e
semelhança não é coincidência, mas o resultado de um impulso criador natural
que se repete.

E como então a máquina de processar iria atender aos humanos
fazendo sempre as mesmas coisas?

O grande problema começa sempre com a comunicação. Neste
caso entre quem demanda a tarefa e quem faz o SW!

Daí vem o desafio atual? Um SW que faz o SW e quem opera é o
usuário! Imagine que sonho, mão mais consultorias de configuração,
especialistas funcionais e Key users, mas a simples interação do usuário com um
SW que desenvolve o SW desejado.

Esta é a pesquisa atual na
USP!

O que mobiliza esta direção? Uma constatação mais do que
correta e atualíssima. Alguém disse que a única certeza de que podemos ter é
que tudo muda e vai mudar sempre. Pois bem: O quê eu fiz vai mudar e custa cara
mudar. Por isso um SW evolui para o estágio de que um simples input gera um
auto ajuste às mudanças ocorridas.

Esta é a perspectiva de crescimento do uso de um computador.
Como usar a perfeição para prevenir a imperfeição!

Imperfeição Humana: falta de controle; as coisas falham;
capacidade de adaptação limitada; solicitar e oferecer ajuda- exercício de
solidariedade; aprender o que não foi ensinado; confiar; depender; atender
necessidades crescentes; morrer.

Solução atual também vem pela internet: cada vez mais
acessos e velocidade de resposta; redes sociais,  Crowd source , nuvens etc..

A visão Google é assim: tudo que é interessante para alguém
se encontra , vamos responder as perguntas das pessoas com informações da
internet ( indexar). Um algoritmo ajuda a tentar adivinhar o que você quer e
daí você vê o que queria ver ou vê o que deveria ver!

A visão do Face book é assim: todas as coisas são conhecidas
por alguém. Vamos ligar as pessoas. Teoria dos 6 passos de separação ou seja ,
você está a 6 passos de qualquer pessoa em qualquer lugar do mundo. Crowd
sourcing . O poder do grupo de relacionamento. ( aqui que governos e empresas correm
o risco de quebrar a cara por subestimar as capacidades das redes sociais ).

Neste ambiente quebro paradigmas, mudo consumo, encontro
trabalho ou executo trabalho, encontro conhecimento, ciência e mesmo educação.

Posso ser novamente criador! Criar: jornal, canal de TV,
editora, dinheiro, projetos e até personalidades ou indivíduos novos!

Posso ser um indivíduo que influencia e interfere no mundo.
Posso ser: filantropo, libertador, salvador do planeta, missionário, solidário,
relevante para a sociedade, uma celebridade.

Saindo contexto rígido! Não precisa de curso ou treinamento
para usar o Google. O computador, o SW , a TI estão sumindo para que as pessoas
apareçam :

Apoiar uma idéia
x  apoiar um programa

Mudar o mundo
x  mudar um SW

A TI agora permite sonhar !

O SW some ! o computador some ! Ficam as pessoas !

A imperfeição humana encontra uma alternativa de
aperfeiçoamento do Ser, do Estar apoiado no que começou tão rígido quanto
nossos dogmas e paradigmas , a rigidez binária !

Bons sonhos !!!

 
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Publicado por em 17/10/2011 em Filosofia

 

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