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REFLEXÕES DE UM JOVEM SEXAGENÁRIO – I

Provavelmente estas reflexões permitirão mais de um post, pois desde o momento que resolvi escrever sobre isso vivo uma enxurrada de ideias, pensamentos, lembranças e questionamentos, justamente pelo fato de estar prestes a completar 60 anos de idade.

Olhar para trás para entender como sou e como cheguei até aqui e olhar para a frente com muita vontade e esperanças mas ciente de que talvez já tenha consumido mais ou menos 2/3 de minha existência . Mas como sou cristão, com fé conforme reafirmei no meu perfil, e acredito na vida eterna, o tempo remanescente na terra não pesa e nem cria angústia. Somente uma certeza de que qualquer que seja o tempo que ainda tenho, tenho no mínimo responsabilidade de continuar a amar ao próximo como a mim mesmo, perdoar tanto quanto me sinto perdoado por Deus por intermédio de Jesus Cristo, e seguir fazendo o bem, com mais leveza do que fiz até hoje, com mais realização do que materialização de coisas, mais satisfação e prazer do que pressão do dever, da ética do dever. Sim viver um pouco com a ética do prazer, onde a qualidade de vida extrapola questões básicas, de necessidades essenciais para planos de realização pessoal, sentimentos, razões, abstrações e vivências, essenciais para a maturidade de corpo, mente e espírito. Uma leitura mais correta e profunda de Maslow.

Não quero colocar ordem cronológica ou ordenar ideias por prioridade de assuntos, mas só deixar registradas as reflexões mais significativas que estes momentos de virada de mais um decênio me trazem.

Em 2007, durante um período de reflexão sobre carreira profissional, fui desafiado pelo meu Coach, na época da DBM , Marco Antonio Figueiredo, a escrever minha biografia em septênios. Desafio aceito e ao final me surpreendi com quase 100 páginas escritas. Preciso retomar a biografia e escrever os 8 anos já passados desde então. A biografia foi uma reflexão e tanto. Escrevi em 3 pontos de vista, o pessoal , a família e o profissional. Pode dar um livro. Mas o importante é que ao escrever sobre minha vida, enfrentei algumas sombras que incomodavam.

Depois foi morar em Marília, só, por um tempo, porque a Clêo não poderia transferir suas aulas de imediato. Desafiei-me a experimentar, para mim mesmo, a experiência que outros tiveram e que por vezes me coloquei preconceituoso. Iniciei sessões de psicanalise que desde então não só me comprovaram ser uma experiência riquíssima, de autoconhecimento e autodesenvolvimento, como também deixei de ter qualquer preconceito. Ao contrário, sinto-me à vontade para recomendar a quem precise, ou queira, sem restrições.

Conheça- a ti mesmo! Penso ser uma recomendação da boa doutrina bíblica e a frase se não me engano é do Nietsche. Assim seja.

Mas como tudo isso é processo também de mudança enquanto pessoa, cidadão, profissional, familiar talvez este seja o tema mais interessante para minha reflexão nestes dias. Mudança ! Como gosto do rock do Seixas, “prefiro ser uma metamorfose ambulante..”!

Quanta coisa mudou e continua mudando. O universo permanece mudando porque em plena expansão. O planeta muda vertiginosamente e cada vez mais até pela “contribuição” do ser humano em todas as suas iniciativas. Muitas boas, muitas questionáveis, mas infelizmente a maioria delas provavelmente ruins e más!

A sociedade muda, os costumes mudam a moral muda, a ética é testada à mudanças ou ao esquecimento e ou omissão. O equilíbrio é sempre instável.

As pessoas também mudam. Penso que todos, o tempo todo, pretendem mudar para melhor. Ocorre que primeiro precisam aceitar que mudar é bom, que a mudança acontece quer queira, quer não, e depois só falta concluir qual o referencial e a direção para definir o melhor. O que seria mudar para melhor, e de que ponto de vista. Do seu? Do seu próximo? De seu chefe? De sua família? De sua comunidade? De Deus?

Melhor implica em algo diferente do que era antes e na direção de um aperfeiçoamento. Isso quer dizer na direção da perfeição. Fica cada vez mais complicado. Precisa descomplicar a cada década de vida bem vivida. Vou tentar descomplicar.

Sinto-me muito bem com mudanças. Um dos melhores elogios que recebi a poucos meses de minha esposa, e foi algo assim : me admirava porque eu estava sempre me reinventando, no sentido de inovação mesmo. Vida nova, formas novas, atividades novas, leituras novas. Gostei muito e me senti suportado para continuar assim.

Mas tem sempre um contraponto. Suas mudanças são suas, mas podem afetar aos que convivem no seu entorno e nem sempre isso é livre de conflitos e necessidade de ajuste. Muito mais se os outros preferem não mudar também e preferem a estabilidade, conformidade e segurança das estruturas já criadas. Perseverar apesar disso é mais difícil. Por vezes dá preguiça. Por vezes dá vontade de deixar a vida te levar, como o pagode do Zeca Pagodinho.

Mas sinto que as mudanças como são propostas não são mudanças aleatórias, mas resultado de tudo o que já mudou desde 27 de agosto de 1955. E vai continuar a mudar certamente. E, portanto seguir a intuição das mudanças no tempo e nas oportunidades que possam afetar o seu eu, o nós, os outros; é uma vontade Divina que sincroniza com nossas vontades e nos faz mover para frente, sempre mudando. Sincronicidade é isso! A vontade de Deus se alinha com as nossas vontades e vice e versa e como consequência as coisas acontecem e como sempre acreditei, “Todas as coisas acontecem para o bem daqueles que amam a Deus!”

Por hoje é isso!

Seguindo Paulo o Apóstolo: Não me conformo com estes tempos, mas transformo-me pela renovação da minha mente !!!
Marcos C Ribeiro

Abraços e até a próxima reflexão sexagenária.

Marcos C Ribeiro

 
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Publicado por em 26/08/2015 em Filosofia, Pessoal

 

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Minha Experiência com Estresse !

Texto publicado também como newsletter do site http://www.carpsi.com.br , em uma série de análise sobre o tema com vários autores e coautores.

 

Fui executivo por mais de 35 anos e na maior parte do tempo em empresas multinacionais americanas. Minha carreira pode ser considerada de sucesso uma vez que na média, a cada 2 anos eu recebia convite para novas funções e responsabilidades , promoções laterais , diagonais e verticais e que culminou com a função de CEO da subsidiária brasileira de uma das empresas , a mesma onde permaneci por mais tempo e que o cargo de Presidente foi também o cargo onde permaneci por mais tempo.

Tudo isso tem seu lado muito bom de realização profissional, sustentabilidade econômico financeira da vida e da família, muitas histórias para contar. Mas tudo isso também tem e teve, no meu caso, um custo razoável.

O estresse em níveis normais é inerente do ser humano e de certa forma é parte de nosso comportamento programado, para sobrevivência. Nível de prontidão, respostas às ameaças, reação positiva ao estado de medo etc….

Na vida executiva há quem acredite que um nível de estresse elava a produtividade do profissional.

Talvez seja verdade.

O problema é que o sistema de gestão de pessoas, estabelecimento de metas e cobrança destas metas, sempre crescentes, leva os profissionais, em geral, a um nível muito elevado de estresse , de forma permanente . Isso é , o nível de adrenalina no organismo vive acima da média . O Cortisol entra em cena para nivelar as coisas e também vive em porções elevadas neste mesmo organismo. Tudo se desequilibra. Enquanto o organismo tenta se reequilibrar suas energias são devotadas aos desafios e conflitos que o modelo impõe. Logo o cérebro é ocupado e treinado para reagir ao desequilíbrio e manter o estado de prontidão e de coragem.

Neste momento não há pratica de atividade física que resolva . Ameniza mas não resolve . Não há Lexotan ou Rivotril  que resolva . É bem complicado.

Os sintomas de estresse crescente vem em geral , ou pelo menos no meu caso ,  de aumento da disposição para horas adicionais de trabalho, ritmo acelerado de raciocínio e estudos para solução de problemas ,  tempos adicionais dedicados às pessoas da equipe , de modo a manter a motivação elevada , espírito de equipe forte, e portanto performance e entregas também de acordo com o planejado.

O tempo é disciplinado para o trabalho e para os projetos . O tempo é indisciplinado para a vida pessoal e familiar.

A alimentação perde a disciplina , em  termos de horários , quantidades e mesmo na composição mais ou menos saudável.

O sono pode sofrer na qualidade , pois na quantidade é certo que sofre.

Em breve o organismo de cada um reage de sua própria forma.

No meu caso as descargas de adrenalina involuntárias vieram cada vez maiores e mais frequentes , sempre abdominais , portanto sem a taquicardia muito comum para muitos.

Em seguida as descargas de adrenalina passaram a ocorrer justamente no momento de relaxamento para dormir , já deitado e em fase de buscar o sono. Neste momento um fenômeno adicional veio . Eram os formigamentos  no do lado esquerdo do corpo desde a face até o pé . Nem preciso dizer que esta sensação te faz pensar no pior . Fui até a Cintilografia com esforço para saber que não era cardiopatia !

Na evolução do quadro a pior sensação viria em seguida . Na hora em que eu estava quase dormindo , portanto com as ondas cerebrais provavelmente em Alpha , a sensação de que eu sairia do meu corpo , pela cabeça , só aumentava a adrenalina e a sensação de medo , do desconhecido. Alguém me falou para deixar sair que eu voltaria. Não consegui. Era começar a sair pela cabeça e eu acordava e me sentava na cama . Pode imaginar o sono reparador quando vinha ? só depois de passar estes efeitos !

Alguns tem no pico do estresse o chamado Burnout . Mas outros seguem como a hipertensão  , é invisível no começo até que vem para balançar as estruturas.

Acho que Estresse normal realmente é bom e saudável mas passar do ponto não é recomendável para ninguém . Se ele vem de ansiedade , trauma , medos ou ameaças , só é importante salientar . Trabalhar fazendo o que te realiza e que gosta , até 14 ou 16 horas por dia não gera Estresse . Quem gera estresse são componentes do sistema de gestão e do clima da organização e por vezes a cultura. Outro ponto gerador de estresse feroz é o conflito de valores entre você e a empresa ou você e seu chefe . Evite isso !

 

Marcos da Cunha Ribeiro

 
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Publicado por em 21/08/2015 em Administração, Geral, Pessoal

 

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CARREIRAS E SUAS COMPLEXIDADES MAL TRATADAS

Quando se analisa carreiras todos esperam de suas empresas, ou empregadores, um plano de carreira. Ledo engano….

Não existe o plano de carreira, como se pensava, há muito tempo. Existem sim eixos de carreira, nas empresas, e estas podem  identificar o executivo como um potencial importante para desenvolvimento e desejar que ele prossiga sua vida nesta empresa em um destes eixos.
Os eixos em geral são de administração (certo ou errado inclua-se TI), comercial (vendas e marketing), manufatura (industrial ) e no caso de empresas com produtos e tecnologias o eixo técnico bem definido e com boa ênfase em P&D .
Ocorre que no percurso de uma carreira se almeja progresso profissional e este em geral está implícito em cargos de maior responsabilidade, ou no caso da carreira técnica , maior especialização e em algum ponto gerenciamento de equipes.
O crescimento da responsabilidade da função pode e deve estar acompanhado de autonomia e capacidade de tomada de decisão e a partir de cargos de diretoria em geral entram como componentes de complexidade a visão estratégica e a visão ampla e integrada do Business.
Neste ponto é que deixo a questão para reflexão :
A complexidade crescente que faz dos diretores e vice presidentes até os CEOs, COOs, CFOs cargos de grande importância e responsabilidade exigindo bagagem , competências bem desenvolvidas , experiências de sucessos e até , porque não , alguns insucessos que contaram no aprendizado, tem pontos que infelizmente passam ao largo do desenvolvimento das carreiras e podem cedo ou tarde trazer riscos e soluções de continuidade indesejados . São eles:
1. Ambiguidades
2. Contradições
3. Paradoxos

Com o maior cargo e maior responsabilidade, na alta direção, reportando para Cs ou para Conselhos crescem também estas complexidades que devem ser foco de atenção.

Estas complexidades acima citadas em geral são geradas por incoerências entre discurso e prática; ou por valores escritos mas esquecidos ; ou  propósitos, causas, ou missões publicadas, mas não comunicadas , a ponto de não se ter colaboradores aderentes, comprometidos e compartilhando desta visão de futuro que também pode e deve ser alinhada com os valores e propósitos de vida individuais.

Nestes paradoxos moram muitas frustrações de carreira de muitos colaboradores.
Nestas ambiguidades moram muitas trombadas entre pares de alta direção.
Nestas contradições morrem as possibilidades de comprometimento verdadeiro;
neste conjunto de complexidades mal tratadas crescem os comportamentos de sobrevivência e, portanto do cinismo corporativo.

Marcos C Ribeiro dezembro de 2013

 
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Publicado por em 06/12/2013 em Administração, Geral

 

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Modelo Anglo Saxônico Pragmático Ortodoxo

Este é o nome que encontrei como o mais apropriado para denominar o modelo de gestão de pessoas que ainda impera na maioria das empresas no ocidente americano e como sempre bastante copiado aqui no Brasil.
Me surpreendeu o caderno especial do Jornal O Valor em agosto de 2013,  dedicando o espaço grande e significativo para este tema. O tema já voltou varias vezes desde então , e no mesmo tom !

O modelo consiste basicamente em um grupo de três mandamentos clássicos : “Make your numbers” ; “No Escuses”;” No Surprises” !  Sua grande motivação é o sistema financeiro global puxando os valores de ações em Bolsas de valores para resultados crescentes a cada trimestre e estabilidade de resultados a despeito de variáveis e dinâmicas de ambientes externos à empresa e mesmo aos negócios ! Acaba-se caindo no resultado financeiro a qualquer custo e por qualquer meio seja para meritocracias exageradas , seja para mera sobrevivência do executivo desde o nível “C” até o auxiliar de produção !
O modelo Europeu tem suas diferenças mas nem tanto. O modelo Francês carrega um viés socializante que amarra o país com seus encargos e suas regras que fazem o impasse da dedicação e comprometimento versus a quase estabilidade garantida pela legislação . A Espanha é terrível mas hoje carrega novamente níveis de desemprego do século passado quando ainda não estava inserida na comunidade.
O Brasil viveu até 2013 o pleno emprego teórico e apagão de mão de obra que muitos ainda tentam negar , seja pela taxa de desemprego seja pela falta de qualificação decrescente e anacrônica. Hoje não podemos mais dizer que existe o pleno emprego, mas é certo que os melhores colaboradores de cada empresa permanece trabalhando e a oferta maior não implica em melhoria de qualidade de pessoas no que tange a competências, experiências e habilidades.
A visão de processo BPMs da vida etc… implica em um bom equilíbrio entre materiais ( informação no caso é material na área de serviços ) , equipamentos ( aqui a qualidade , capabilidade , produtividade intrínseca e fundamentalmente a manutenção da capacidade e da capabilidade sempre negligenciada ! ) e por fim o Ser Humano . As pessoas ! Talentos que queremos encontrar, atrair e depois reter . Talentos no sentido de um nome melhor que recurso ou capital. Talento como seres humanos normais e dentro da normalidade. Não precisa ser ponto fora da curva.
Bem , este é o primeiro post de uma série que pretendo aprofundar .  Bom proveito !
Marcos

PS: Revisto e atualizado da versão de 2013

 

 

 

 
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Publicado por em 05/08/2013 em Administração

 

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