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Uma vez numa entrevista sobre o tema !! Jornalismo e Conhecimento Convencional!

 

Publicado no site da Revista Imprensa em entrevista feita pelos colegas abaixo.

Por Luiz Gustavo Pacete e Laura Cantal, da equipe de estagiários | 18/10/2010 17:46

 

Marcos da Cunha Ribeiro, diretor administrativo do Grupo Jacto, engenheiro e economista (São Paulo)

“Não é questão só de superficialidade, vocês [mídia] são um dos pilares do conhecimento convencional e isso é uma crítica. Qual o problema do conhecimento convencional? Ele repete demais, uma meia verdade passa a ser verdade, ele é superficial ou tendencioso no viés do promotor daquela tese. Então, quando você faz uma pesquisa dessas, você precisa de mais de uma fonte, eu leio duas, porque onde eu trabalho a infra-estrutura não é um bicho de sete cabeças.

Tem que separar muito bem o que é editado do resto. Não consigo mais ler o caderno de economia da Folha, vez ou outra leio o do Estadão. Qualquer dúvida vou pesquisar na internet. Uso como referencia o Valor e a revista Exame. Leio também Época Negócios, o restante vejo na internet ou vou atrás de pesquisa.
A Veja, que leio semanalmente, também nunca tem nada, só quando é furo. Se quero fazer avaliação séria, vou às fontes que alimentam os jornalistas, se não, chega tudo filtrado. Diminuir um pouco a superficialidade é o primeiro passo pra fugir do conhecimento convencional.”

 
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Publicado por em 09/05/2017 em Contexto, Geral

 

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A NOVA LEI FLORESTAL E A SUSTENTABILIDADE DO AGRONEGÓCIO

 INTRODUÇÃO

Antes de tentar detalhar um pouco a origem das controvérsias em curso, cabe salientar que o Governo, desde os anos 2003, vem usando de um expediente inteligente e perspicaz, pouco comentado nos meios econômicos, políticos, ou na mídia. Ao invés de buscar maiores polêmicas como o uso eventual do boné vermelho em favor de um movimento questionável e totalitarista, bastou uma ação coordenada entre órgãos de ministérios, sindicatos e algumas instâncias do Ministério Público para, ao invés de discutir, cobrar o cumprimento de leis que viviam em ostracismo não aleatório, mas controlado. Vejamos, como exemplos paralelos ao código florestal, a exigência do cumprimento da cota de deficientes nas empresas na dose de 5% do efetivo contratado, ou a forte fiscalização sobre serviços terceirizados, o cooperativismo na indústria ou outros esforços que geraram o crescimento substancial do número de empregos “gerados” com carteira assinada, nos últimos 8 anos.

A Lei Florestal do Brasil, seu primeiro código florestal, foi  instituída em 1934, no governo Getúlio Vargas, sofreu revisão durante o governo militar e desde então a norma básica ainda é a Lei 4771 de 16 de setembro de 1965, que sofreu inúmeras alterações por leis complementares de 1989 e 2006 ou por Medida Provisória, em  especial durante  2001.

Hoje, todo o debate acerca do Código Florestal diz respeito às figuras da Reserva Legal e das Áreas de Preservação Permanente, segundo Ciro Siqueira em seus comentários sobre o tema.

Conforme disse o professor José Eli da Veiga, em setembro de 2011, “no momento atual temos, depois de votado e aprovado na Câmara Federal o Projeto de Lei da Câmara nº 30, (novo Código Florestal) um imenso fardo para os senadores”.  José Eli também via o centro das discussões nas áreas de preservação permanente e nas reservas legais, mas com foco nas tendências da produção agrícola: com crescentes produtividade e qualidade, ancoradas em tecnologia, conhecimento e informações, transformadas em competitividade real. No caso, o contraponto é o confronto com a  sobrevivência de uma pecuária de extensão, arcaica e promotora dos últimos grandes desmatamentos no Brasil.

Certamente aqui cabe considerar a crescente tecnologia de produção de gado confinado ou com otimização do uso de áreas de pasto,  que poderiam gerar reservas de expansão da área plantada para produção de alimentos, sem comprometer mais desmatamentos com expansão de novas fronteiras agrícolas.

Existe, portanto, um embate entre duas fortes vertentes do agronegócio brasileiro e ambos muito fortemente inseridos nos planos de um Brasil Maior (programa de governo atual) , com atentos suportes de BNDES , e outros meios de fomento para que o agronegócio passe a ocupar posição de importância relativa que nunca ocupou na história econômica do Brasil ( talvez exceto no ciclo do café e antes da industrialização brasileira acontecer de fato).

Aparentemente a situação atual teria sido provocada pelo decreto n° 6514/08, do Poder Executivo, por iniciativa do Ministério do Meio Ambiente, que fez agitar leis adormecidas e trouxe à tona, de um lado, sua falta de efetividade, e de outro acordou os proprietários agrícolas para a percepção de que as leis e suas emendas, ocorridas ao longo do tempo e de há muito vigentes, não seriam viáveis do ponto de vista da sobrevivência econômica e financeira do agronegócio nos moldes atuais. Nessa hipótese, a produção de riqueza no agronegócio e seus colaterais de geração de emprego, de equilíbrio da balança comercial do Brasil e até da segurança alimentar, não só de brasileiros como de parcelas importantes da população global, estariam em grande risco.

Esta argumentação se insere nas discussões globais sejam relativas ao meio ambiente ( que monopoliza um pouco o espaço de discussão), da emergência de classes médias e melhor distribuição de riqueza, ou da questão da fome ainda presente e insistente para muitos milhões de seres humanos.

Como argumentos globais, antes da segurança alimentar já veio a sustentabilidade.

Até 10 atrás  a viabilidade de um empreendimento, mesmo no próprio agronegócio, era dependente de lucro e rentabilidade, quase que exclusivamente. No caso da produção agropecuária no Brasil, desde há muito sem subsídios diretos, mas com linhas de crédito aperfeiçoadas ao longo dos últimos 30 anos (versus os altos subsídios da Europa ou dos EUA) pode-se perceber que os conceitos evoluiram, que houve mudança  e agora, ao invés de um único suporte passou-se a considerar 3 suportes, ou 3 pernas de um tripé, (gosto muito da figura do tripé pois reflete a instabilidade total na falta de um dos pés). Isto ocorreu a partir do final dos anos 90 quando o conceito de sustentável ganhou o aporte conceitual da já famosa “triple bottom line”, assim  cunhada por John Elkington.

Ocorre que de fato a sustentabilidade apoiada por três suportes – as pessoas (social) o meio ambiente e os  recursos financeiros (economia, resultados) permite uma melhor compreensão do papel da industria, ou do agronegócio,  desde há muitas décadas. Os já famosos três pês de “People, Planet and Profits”.

Este conceito, muito bem discutido em nossos Fóruns de Marketing Industrial desde 2002, pelo menos ganhou novos ingredientes no Fórum recém terminado de setembro de 2011. A figura de uma pirâmide com base triangular (o tripé de Elkington) com o vértice superior representado não pelo social, mas pelo Indivíduo, o ser humano cidadão, consciente e interferente nos sistemas; e com a feliz idéia de que no meio circunscrito pelos lados da pirâmide existe o ambiente onde o conjunto de agentes se comunica e troca informações construindo confiança e respeito mútuos, o que sustenta os relacionamentos fundamentais para o equilíbrio e sustentabilidade do macro sistema.

 A ATUAL POLÉMICA NO BRASIL

Em recente artigo o Prof. Delfim Neto afirma com segurança e com o peso de sua experiência de que (fora de ambientes acadêmicos) não se pode mais dissociar as questões econômicas das políticas e vice e versa. Eu sugiro ampliar esta máxima também para as questões sociais.

O viés ideológico de alas políticas é incontestável e encontra guarita em vários dos órgãos e setores públicos que participam do movimento em defesa de suas prioridades. A questão ambiental vem ganhando prioridade absoluta e isto, no caso do tripé da sustentabilidade,  gera um certo desequilíbrio. É Cult!

O viés econômico vem de alas representantes da economia privada que carregam os riscos do agronegócio do país, e que mal se recuperaram de crise profunda de 2004/5, um soluço mundial em 2009 e felizmente uma recuperação razoável e alvissareira a partir de 2010. Sofrem da mesma discriminação que ainda se dá ao lucro.

O suporte extra desta vertente é a constatação de que o consumo de alimentos no mundo emergente, a despeito da estagnação das grandes nações ocidentais do hemisfério norte, e ainda a perspectiva de um continuo crescimento e emergência de suas classes médias faz crer que nos próximos 10 anos o agronegócio tem todas as condições de um crescimento estável e sustentável na demanda, na oferta, nos preços e na expansão da produção.

A maior produtividade, o crescimento relativo de áreas plantadas e uma melhor rentabilidade certamente farão dos empreendedores – libertos das dívidas de muitos anos – grandes investidores em insumos, equipamentos e treinamento de pessoas, dando margem a uma geração de empregos diferenciados como nunca houve na história deste contexto.

Em parte estas perspectivas explicam a enorme quantidade de investimentos estrangeiros no setor também explicados pelo crescimento mundial da demanda de alimentos, pela dificuldade de recuperação de estoques mundiais e pela atratividade recente de investidores do mercado financeiro, com menores opções depois da crise.

E o viés social, onde está? Dissimulado no cenário político porque é argumento obrigatório no discurso.

Os dois setores mais agressivos, as minorias: de um lado os que usufruíram das leis que não pegaram até hoje, em especial nos setores de menor investimento e maior extração da extensão de terra e suas potencialidades, ainda que subaproveitadas, no caso a agropecuária extensiva; de outro os setores progressistas de investimentos largos em produtividade como o setor de commodities agrícolas. Destes o melhor posicionado para médio e longo prazos é o da soja, mas reconhecemos o reposicionamento do café ( a mecanização de colheita salvou o café do Brasil) e mais recentemente novos investimentos no algodão.

E o viés político? Sempre fortemente influenciado pelo ideológico, ao menos na nossa pátria mãe gentil.

Está em acordos partidários frágeis tecnicamente, mas fortes fisiologicamente. Expressão da leniência com que são tratadas as infrações de movimentos como MST e assemelhados. Um foco quase religioso, no que seria o panteísmo da visão radical dos ambientalistas, que defendem a retroatividade da lei para proprietários e investidores.

Como imaginar hoje, em 2012, abrir mão de 20% da área plantada, investir a fundo perdido (no negócio) para reconstruir uma mata que já não existe há um século ou mais, e ainda encontrar rentabilidade e perpetuidade no negócio onde o mercado é commodity mundial e o cambio uma incógnita?

Como complicador significativo, a despeito das vozes bem intencionadas e bem abalizadas que estão tentando manter o nível de bom senso, ainda temos uma confusa mistura de argumentações e estatísticas no setor, que confundem a agricultura familiar – de inserção social e de suporte na alimentação de subsistência da sociedade – com o que é de fato um segmento de economia que tem que ser entendido em escala de produção e custos, rentabilidade sustentada por ser commodity, em melhoramento contínuo de técnica e inovação e numa estabilidade mínima de volumes e logística ( infra-estrutura ) em escala de mercado global.

Este conjunto de vieses acima determina a atual insegurança jurídica que paira sobre o agronegócio e sua sustentabilidade para um futuro mais que promissor e que sempre pontua o Brasil como celeiro do mundo.

A área plantada no Brasil nos últimos anos tem crescido no máximo de 2 a 3 %. Porém  a produtividade agrícola tem crescido acima de 10% ao ano na média. Como manter isso com tamanha insegurança jurídica?

A balança comercial brasileira, em tempos bicudos para a indústria de transformação, tem no setor agrícola o maior gerador de superávit recente e para os próximos 10 anos. Qualquer instabilidade no seguimento desta tendência desorganiza e arrisca a nossa estabilidade de inflação, de cambio, de crescimento econômico e distribuição de renda.

Com todos estes importantes atributos, porque sofrer com ameaças que são totalmente dispensáveis, dado que estão no âmbito do arbítrio do país? Já não bastam as ameaças permanentes do ambiente externo, suas incertezas e o permanente jogo de poder e de sustentação de produção e de mercados que cada nação tem que enfrentar?

Parte do desequilíbrio nos vieses citados, que afetam a sustentabilidade do planeta e das nações, está justamente na oposição de interesses de curto, médio e longo prazo nas agendas ocultas de cada nação representada nos fóruns de debates mundiais. È evidente que ações de curto e médio prazos são poucas e alguma identidade de objetivos e propósitos de longo prazo representam uma esperança.

Este processo se estende depois em ações de ONGs e outras instituições, muitas delas inegavelmente bem intencionadas, mas que efetivamente têm forte influência sobre decisões políticas, legislativas, que também deveriam buscar o equilíbrio e formar o tripé da sustentabilidade no plano privado, no plano de estado, no plano da sociedade,  garantidos por uma democracia e uma construção de valor que criasse de fato uma prosperidade compartilhada, apartidária, com prioridade expandida primeiro para o Brasil, mas também para o mundo .

E O MERCADO DE EQUIPAMENTOS AGRÍCOLAS?

 Depois de quase 4 anos de convivência com este mercado arrisco uma avaliação que me parece realista no longo prazo e talvez otimista no curto e médio prazos.

A nova lei florestal pode minimizar as barreiras para um crescimento mais robusto da área plantada no Brasil alem do que foi observado.

Também a nova lei florestal pode minimizar os investimentos de curto prazo e a fundo perdido, ao menos para o investidor do agronegócio, e, portanto balancear os esforços de investimentos de capital para tanto a preservação ou recuperação de áreas de um lado, como também de melhoria de produtividade e de custo na produção pelos investimentos em mecanização e automação em curso.

O apelo pela sustentabilidade passa pela produção em escala crescente de alimentos para a humanidade, em especial a tendência crescente de consumo maior nos países emergentes e suas novas classes médias.

O Brasil tem seu potencial de crescimento do agronegócio, seja na continuidade da melhor produtividade e custos no campo quanto na expansão de área plantada, seja na fronteira ou na migração do pasto para o plantio de grãos e outras commodities.

Haverá uma continuidade de investimentos estrangeiros nas diversas vertentes de oportunidades do agronegócio.

Haverá também a necessidade de alguma consolidação de mercado nos setores diversos, mas com ênfase na área de equipamentos e implementos agrícolas. A indústria brasileira precisa focar seus diferenciais reais de valor, seja na inovação ou na performance de seus equipamentos e implementos, seja na capacidade de enfrentar as demandas de capital de giro e de investimentos e na melhoria da linha de produtos. O Brasil se tornou parte irreversível do mercado global de equipamentos e insumos.

Os 3 maiores grupos de produção de equipamentos do mundo estão consolidando e solidificando seu posicionamento no mercado brasileiro e, a partir dele,  na América do Sul e talvez na África . Investimentos entre RS , SP e GO superam bilhões de reais nos últimos 2 anos e nos próximos 2 a 3 anos. A maior parte desses novos “starts ups” está prevista para 2012 ou 2013. Alguns “players” são grandes o suficiente para terem banco próprio, como a indústria automobilística. Falamos de crescimento de produção possível na

ordem de 7 a 10% ao ano , cifras chinesas em um Brasil que deve ficar nos 4% ao ano de crescimento do PIB.

Os investimentos em tecnologia no foco da automação e melhoria de produtividade na chamada de agricultura de precisão são expressivos e a cada Agrishow surge uma série nova de lançamentos atrativos.

As linhas de financiamento para novas safras e para mais capacidade de mecanização são crescentes e incontestáveis, tanto quanto as novas modalidades de fomento.

Portanto há um cenário de crescimento de negócios, endurecimento da competitividade, clientes em transformação (dado que na produção de escala não temos mais a figura folclórica do agricultor, mas empresários e executivos altamente preparados para decisões de negócios em busca de resultados crescentes) em cenário mundial favorável e com tendência altamente atrativa para próximos 10 anos. É um cenário bom e fora da curva do contexto mundial atual, mas nem por isso inverossímil.

Os pequenos e médios agricultores seguirão a tendência de melhor visão de qualidade e produtividade, seja em nichos de produtos especiais ou em agricultura de subsistência mais sofisticada.

O mercado de grãos, energia e produtos em escala mundial serão mercados pujantes e grandes oportunidades para verdadeiras propostas de valor e de relacionamentos significativos e duradouros. Os produtos agrícolas deste segmento já são chamados de commodities e tratados como commodities.  Boa parte dos insumos idem.

Equipamentos e implementos devem preservar a oferta de valor na cadeia para evitar que a diferenciação se resuma no poder do capital investido na especulação dos estoques. As cadeias de valor no agronegócio têm se consolidado, em alguns segmentos, como oligopólios e o setor de equipamentos é uma das poucas exceções deste fenômeno.

Quem sabe assim, ainda nesta década, possamos ver também a fome e desnutrição anacrônica que aflige a milhões de seres humanos serem banidas, graças a este crescimento de demanda aliado a ganhos de produtividade e à redução de desperdícios e perdas inaceitáveis para o século XXI.

Referências :

 

  • O fortalecimento da segurança alimentar e ambiental na concepção do novo Código Florestal – Eduardo Pires Castanho (IEA)
  • Imenso fardo para Senadores – José Eli da Veiga para O Valor Econômico, em 20.09.2011
  • Cartilha do Código Florestal – SOS Florestas
  • Entenda o problema do código Florestal – Blogspot Ciro Siqueira.

 

Texto originalmente publicado na Revista de Marketing Industrial No 55 em 2012 que relendo me parece ainda muito atual até porque a Lei Florestal, em sua aplicação,  caminha ainda a passos de tartaruga.

 
 

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Liderança e o desafio da Credibilidade e Confiança .

Comecei este artigo há uns 15 dias e coincidentemente ao estar revendo e finalizando o mesmo, eis que me deparo com preocupações semelhantes em vários pontos de nossa sociedade.

Em inglês uma posição muito forte para qualquer formação de cultura, gerenciamento de pessoas pelo exemplo, entre outros me remete a frase “Walk the talk !”

No nosso Brasil tropical sempre usamos ditados e provérbios, digamos enviesados. Certamente este viés é forte e preponderante em formar nossa cultura como sociedade e, portanto em nossas instituições , seja de governo de nação , estado ou município,  mas certamente no âmbito de núcleos sociais como comunidades de toda natureza , inclusive as religiosas , eclesiásticas ! “ Faça o que eu falo mas não faça o que eu faço !”  Lembram ?

Sempre me lembro nestas horas de importantes ensinamentos de nossa amiga Ethel B. Medeiros

Quando dizia que consistência é a coerência prolongada! Oras o que é coerência senão ações que comprovem e confirmem afirmações e posições tomadas? Consistência é Walk the Talk!!!

Se falamos de Gerenciamento pelo Exemplo , estamos falando do “ Walk the talk “!

Pois bem, não bastasse isso encontro em recente artigo de Alberto Carlos Almeida  ( Jornal O Valor ) uma colocação que me provocou , digamos , uma indignação com o status quo! (a discussão era da situação política do Brasil e fazia uma comparação entre condições e posição de Nixon nos anos 70 nos USA e Dilma nos anos 20XX no Brasil! ) : “Credibilidade, assim como confiança, é um ativo que cresce à medida que é utilizado!”  E diz ainda , em contexto de discussão política: “ Como Nixon nos ensina,  credibilidade não usada é credibilidade perdida !”

Diz o texto de Alberto Carlos Almeida:

“Na realidade o problema começa quando a população não entende os porquês da dificuldade ( dificuldades do ano 2015 !) , e acima de tudo , quando não vê o governo se empenhando para que as coisas mudem para melhor .”  e em seguida coloca o exemplo do pai que ficou desempregado e pede para a família reduzir gastos e temporariamente corta o curso de inglês dos filhos , mas que vai a luta , faz o Curriculum e diariamente mostra o empenho em buscar nova oportunidade de trabalho . Vai conseguir, mas o exemplo dado foi coerente com a solicitação de cortes de gastos e até investimentos da família. Todos vão apoiá-lo e dar-lhe suporte.

Para complicar um pouco mais nossas elaborações lembro que relacionamento é algo que acontece quando existe Comunicação e Confiança!  Confiança é derivada direta de credibilidade. Portanto relacionamento também é resultado da combinação positiva de comunicação e credibilidade. Este tema foi um trabalho de Jean Bartoli com ingredientes de Anna Arendt e que no final apela a possibilidade do perdão para o resgate do relacionamento quando confiança ( e credibilidade ) e comunicação falham por nossas fragilidades humanas.

O que acontece hoje no Brasil é isso tudo que acabo de dizer acima. Mas o foco desta reflexão não é só para o Brasil que sempre ocupa posição preponderante em nossas  preocupações , como se o Brasil fosse algo que , além e fora de nossa controle pessoal , interfere e influencia definitivamente nossas vidas ! (e em parte é isso mesmo que acontece!).

Mas veja por outro lado, desde os anos 80 passei  a observar e verificar que nossa economia formal e privada, nossa sociedade enquanto não pasteurizada e controlada por alguma força ideológica de qualquer vertente, sempre foi mais forte, superou e sobreviveu a todos os descasos e desmandos dos contextos vigentes. Desde a proclamação da república, mas de forma consistente, crescente e permanente cada vez mais firme, na passagem da ditadura Vargas, governos claudicantes, ditadura Militar e agora a pseudo-ditadura de esquerda, quase bolivariana que vivemos e nela imergimos.

Para fechar a reflexão meu desafio é de justamente colocar neste contexto amargo e temporariamente depressivo (até na economia!) e colocar em questão: Onde está a credibilidade de nossos líderes empresariais? Onde está o walk the talk destes líderes de empresas que comandam a economia real, que é a única que pode gerar riqueza para ser dividida na sociedade? Onde estão os líderes empresariais que se encastelam em associações e grupos, mas que nos momentos mais críticos ou se omitem ou esperam benesses de governos em decisões questionáveis de desonerações protegidas?

Em excelente artigo recente, Luiz Bersou coloca a necessidade de um pacto social para enfrentamento da crise atual por que passamos tanto política, quanto econômica.

Assim colocou Luiz Bersou na conclusão de seu artigo:

Questão fundamental que não está sendo percebida. Momentos de crise são também momentos de grandes ganhos ou perdas em credibilidade. Credibilidade é a mola de mobilização social. Fala-se em diálogos. Estão soltos por aí.

Diálogos soltos não levam a nada. A base para a capacidade de mobilização precisa ser o Pacto Social que traga para os líderes a condição de construir em conjunto.

Nesse momento em que o governo se mobiliza para salvar a si próprio, não quer cortar na própria carne, está abrindo mão de Pactos Sociais que não o interessam. Precisamos então de líderes empresariais e homens públicos que exijam a elaboração de Pactos Sociais que interessam principalmente à nação e que vão acabar salvando o governo que sobrar.”

Pois bem, lendo e relendo jornais e revistas recentes, consultando colegas que trabalham em Associações de classe empresarial vejo com preocupação que nosso empresariado em geral não só está na defensiva em relação a investimentos como também, como quase sempre nos últimos 30 anos, em posição não de protagonistas de propostas de Pactos Sociais como acima, de fazer acontecer como costumam cobrar de seus gerentes e diretores na empresa. Ao invés disso, estão  como sempre assistindo as coisas acontecerem e esperando que aconteçam como eles desejam . Poucos são exceção, e até estes tem estado em estado de observação.

Acredito que o problema do Brasil, das empresas, das associações e comunidades é anacrônico e sem solução de curto prazo. Precisamos de bons líderes e eles estão em falta!!

Marcos C Ribeiro

 
 

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“Back to Basics” na Indústria, como Forma de Recuperar a Competitividade Perdida?

Para iniciar as publicações em Notas Livres em 2015 fiz uma breve revisão nos diversos textos e me vi , mais uma vez , motivado a seguir como “ a voz do que clama no deserto” , no que se refere ao tema , aos resultados pífios de nossa economia e da representatividade de nossa indústria nela.

Entre os temas a publicação de outubro de 28.10.12 que convido ao leitor a rever , se possível , depois a série de leituras , ainda em curso , do tema produtividade no contexto do Marketing Industrial , na Constelação de Valor conforme publicado na Revista de Marketing Industrial e registrados aqui em diversas postagens como as de : 17.03.14;23.04.14;26.05.14; e 16.09.14.

Ou voltando um pouco na história e também considerando o contexto de mudança que se iniciou recentemente na condução da chamada “nova matriz macroeconômica” conforme abordado em 02.112014 .

Portanto o texto abaixo tem a intenção de rever mais uma vez alguma coisa que está ao alcance de nossos empresários e executivos e fazer acontecer o que é possível , enquanto é tempo , e na esperança de que a concertação de nossa economia tenha continuidade e coerência para que os esforços de retomar posição de competitividade de nossa indústria possa se tornar realidade antes que seja tarde !

Sempre lembrando de que Produtividade e Qualidade não podem andar dissociados e que ambos são fundamentos (default) para competitividade seja com produtos& serviços nacionais ou importados .

 

Este texto foi trabalhado em 2013 e também publicado na revista de Marketing Industrial de Fevereiro de 2013 .

Bom Proveito !

Dentro dos conceitos de construção de valor para o negócio com foco no Foco do Cliente temos discutido temas relacionados a Qualidade que poderiam ser resumidos em algumas frases de base para nossa discussão :

– Qualidade não é mais diferencial, é obrigação.

-Valor percebido pelo Cliente considera atributos de qualidade que, salvo por falhas de processos de gestão, pouco alteram o valor percebido frente às alternativas que o cliente encontra no mercado.

-Qualidade percebida é um resultado mais provável da falta de qualidade  que do  excesso.

-Questões de gosto, emoções pelo design e outros atributos de produtos como bens duráveis, ou de consumo, extrapolam o conceito de utilidade e impõem percepções subjetivas e valores intangíveis na avaliação por parte de quem decide o que comprar.

– Qualidade percebida é um fator importante nos processos de decisão e afetam a relação do cliente com seus clientes.

– Cadeia de valor e cadeia de suprimentos permanecem em permanente simbiose nas discussões e avaliações, dificultando, portanto,  a identificação de cada uma delas de per si, com suas características e pontos de atenção, suas peculiaridades, para decisões tanto operacionais quanto estratégicas.

– Existe uma evolução perceptível e mensurável nos produtos e processos de forma global, ainda que a percepção e a experiência desta evolução sejam defasadas nos diversos mercados por questões de decisões globais de grandes grupos quanto a investimento, centros de produção versus centros de distribuição,  demanda potencial entre diferentes nações e diferentes culturas, diferentes conjunturas político-econômicas e diferentes estágios de desenvolvimento como um todo, na sociedade.

Por conta disso tudo, durante uma efervescente discussão em uma das Usinas de Conhecimento do Instituto de Marketing Industrial, ficou uma pergunta singular:

Por que a cadeia de valor/suply chain não evolui no mesmo passo que as evoluções acima citadas e alternativas de ganhos de processos, logo em custos, não são disponibilizados na mesma velocidade? Aliás, esta questão suscita uma outra: Se entre o como se fazia no passado e se pode fazer hoje existe a mesma amplitude de evolução que foi observada, então por que tanta resistência em fazer diferente?

O fenômeno do aumento da complexidade também se verifica nesta discussão – seja na complexidade dos produtos, conjuntos e subconjuntos , seja na tecnologia embarcada nos produtos , seja nos processos de produção e montagem, na cadeia de fornecedores diretos e indiretos, no Global Sourcing.

Um exemplo discutido citou, em um caso de uma montadora de veículos, o número impressionante de mais de 9000 fornecedores em escala global com mais de 500 mil subfornecedores na cadeia.

A complexidade cresceu na cadeia como um todo. Não basta compartilhar conhecimento, técnicas, normas ( ISOs, TSs entre outras)  com os fornecedores, se não alcançar os subfornecedores.

A análise da complexidade dos sistemas para ambientes cada vez mais complexos tem sido um desafio permanente aos modelos de gestão. Gestão de processos, de fornecedores, de contratos, de pessoas, do negócio.

Uma das saídas mais tradicionais para o aumento da complexidade dos processos e sistemas operacionais e do ambiente de negócios tem sido repetido em todos os níveis: vamos padronizar ao máximo e para tal padronização precisamos gerenciar o processo de mudança.

Note-se que a complexidade crescente tem afetado os modelos de gestão a tal ponto que o modelo que costumo chamar de anglo-saxônico pragmático ortodoxo, longe de ser participativo e humanista – e longe de ser desenvolvido consoante a crescente complexidade – recomenda, com resultados não muito promissores, alguns pontos:

a)Centralização do processo de decisão, distribuição dos processos de produção na busca de mão de obra mais barata, políticas e procedimentos estritos ( menor ambiente para criatividade e empreendedorismo das linhas gerenciais ) ; qualquer pessoa na organização é substituível , manda quem pode e obedece quem tem juízo, redução da autonomia das subsidiárias , padronização de processos de informação , processos operacionais e treinamentos pasteurizados.

  1. b) Replicação automática de programas rotulados sem avaliação de contextos e cenários locais, seja de modelos chamados Lean, 6 Sigma, ou outros que surgem de onda em onda até o limite da subsistência dos fornecedores da cadeia.
  2. c) O compromisso com resultados de curto prazo crescentes, relativos às demandas de valores crescentes, de forma estável, de ações no mercado de capitais, que trouxe como mais recente onda o famoso Risk Management.

As maiores consultorias do mundo tem se aprimorado em prestação de serviços e implementação destes modelos, que de muito longe já ultrapassaram os tradicionais riscos financeiros, tributários e políticos de localização. Hoje os riscos estão ampliados para qualquer fator, interno ou externo, que venha a colocar em risco a manutenção da estabilidade do equity, na sua ascendência permanente conforme valores de ações negociadas em bolsas, e a estabilidade destas curvas passaram a ser obsessão de todos os CEOs e CFOs e COOs, a despeito de a dinâmica da economia, dos mercados , e das políticas serem em nada compatíveis com a estabilidade pretendida.

O que ocorre então com fornecedores e subfornecedores?

Depois de várias ondas de pressão de incorporação de métodos, renovação de processos, aumento substancial na exigência das tolerâncias sobre falhas, passamos a cobrar PPM (partes por milhão) como grande aprendizado do 6 Sigma.

Neste ínterim, nos contratos de fornecimento tornou-se usual uma cláusula de redução de custo por produtividade que variou entre 4 e 8% ao ano que correspondeu, na maior parte das vezes, a uma erosão de margem em favor da manutenção do volume.

Em suma, nestes anos todos, o maior paradoxo ou contradição que verificamos é que no B2B a proposta de valor ao cliente, com foco no foco do cliente, raramente foi amplificada para a cadeia de valor, não  usufruindo de um relacionamento de construção de valor pelo compartilhar de conhecimento e pela evolução deliberada motivada por relacionamentos significativos e duradouros. Houve, sim,  um recrudescimento de contratos leoninos em favor da redução do preço de compra na ponta dos fornecedores. O fornecedor é o grande promotor da competitividade de custos mesmo à custa de sua sobrevivência.

Os resultados visíveis formam, de um lado, um movimento forte de consolidação de mercados com oportunidades de M&A em favor de entrada de capitais na construção dos grandes oligopólios que o paradoxo global está produzindo. Os que sobreviveram ao assédio de M&A e por um tempo encontraram melhorias de processos e reduções de custo foram em seguida assaltados pelo aumento real do custo dos salários e seus encargos (aliás, pequena desoneração tardia que o governo vem aplicando sobre alguns segmentos a partir de 2012).

Neste ponto, vemos que a motivação dos acionistas por manter níveis de investimento crescentes para fazer frente à erosão de margens fica abalada para novos investimentos, não porque os juros são altos, ou porque o crédito é escasso, mas porque a conta não fecha. As margens médias brutas caem para menos de 20% e as estruturas técnicas, depreciações de novos equipamentos e o custo médio da mão de obra qualificada – no Brasil, mais cara que em países como Rússia, Turquia, México ou Indonésia – destroem qualquer tentativa de payback menor que cinco ou mais anos induzindo, portanto, taxas de retorno cada vez mais baixas.

 

Neste momento da discussão encontramos  outro viés de desenvolvimento que vivemos no Brasil de hoje. Se de um lado somos pressionados por dificuldades enormes em mobilizar e motivar fornecedores nos elementos mais tecnológicos dos processos, por outro, de foco nos processos, a situação se coloca mais crítica e mais preocupante, ou seja, na componente  pessoas, o elemento humano nos processos.

Vejamos:

Mesmo com a crise mundial de 2008 o Brasil vive o que alguns economistas já consideram o pleno emprego com taxas de desemprego decrescentes e abaixo dos 6% que seria o nível de rotatividade média natural.

Salários têm sido reajustados acima da inflação de forma consistente nos últimos mais de 8 anos.

Existe um conceito que ainda gera polêmica, mas que indiscutivelmente afeta o contexto, que é o chamado apagão de mão de obra. Este apagão ocorre por falta de pessoas dispostas a atender recrutamentos para trabalhos formais ou por falta de pessoas minimamente qualificadas para as atividades para as quais as empresas estão recrutando.

Uma parte disso se explica pela demanda crescente de bens de consumo que tem gerado empregos novos nas áreas de comércio e serviços além do que nossas atuais taxas de crescimento populacional têm disponibilizado. Esta variável vai se agravar com o envelhecimento gradual da população economicamente ativa.

No que tange ao tema inicial da discussão o foco foi na mão de obra qualificada. Pois bem, neste caso a situação é mais crítica.

Todos os modelos de aferição da qualidade da educação formal no Brasil, mesmo com pequenas variações entre estados ou regiões, indica uma deterioração crescente no nível de conhecimento.

No Brasil, em todos os anos se abrem mais de 34 mil vagas de engenharia em todas as universidades. Destas somente 27 mil são preenchidas nos vestibulares. Porém, somente uma média de 6 mil engenheiros são graduados todos os anos para uma demanda média anual de até 12 mil engenheiros no Brasil nos últimos anos .

O mesmo, ou pior, tem ocorrido com formações técnicas.

Neste ponto, aliás, vale uma reflexão: Quando foi que recentemente empresários e suas representações foram à Brasília para reclamar melhoria no nível do ensino formal brasileiro com o Ministro da Educação? Ao invés disso vemos caravanas deles para reclamar das taxas de juros ou do cambio supervalorizado. Nestes tempos, aqueles que precisam melhorar a qualificação média dos novos recrutados incluem em seus custos os esforços de eles próprios fornecerem os meios e os recursos para remediar um pouco a situação.

O Brasil desde o início dos anos 90 deu um novo impulso a toda esta problemática através do famoso PNQ ( Prêmio Nacional da Qualidade ), instituído pela Fundação Nacional da Qualidade, que tem mantido um foco nesta necessidade de desenvolvimento,  a ponto de mais recentemente ter organizado um modelo de avaliação e de suporte à iniciativa de melhorias, em busca de um Modelo de  Excelência da Gestão (MEG).

Se formos analisar as empresas premiadas neste movimento, vemos muito poucas da cadeia de fornecimento de setores como o automobilístico de onde surgiu o incômodo da situação de nossas discussões na Usina. Por que será? Porque a excelência na gestão não está conectada a excelência da qualidade ou da competitividade de custo? Ou porque a maioria estava com atenção dispersada para buscar as mínimas certificações para manter o credenciamento de fornecedor desta cadeia?

De outro lado vemos que, nos últimos anos, as geradoras e distribuidoras de energia elétrica sempre participaram das listas dos premiados. Como prêmios maiores recebem a obrigação compulsória de reduzir suas margens por decreto.

Analisando e comparando as edições de Qualidade da Gestão, publicada por O Valor, com suporte direto da FNQ, em 2010 e 2012 encontraremos que os executivos ouvidos concordam que a melhoria no ensino impacta a produtividade do trabalho com resultados diretos no lucro das companhias e propõe que as metas para a educação precisam sair do papel.

. Não obstante, segundo o Fórum Econômico Mundial, existem 10 milhões de empregos industriais em todo o mundo que não podem ser preenchidos, devido ao déficit de competências profissionais. Fala-se ainda que, no ranking desta dificuldade, o Brasil ocupa já a 2ª posição! Segundo o SENAI, o Brasil tem que capacitar 7,2 milhões de trabalhadores em nível técnico médio e em áreas de média qualificação para áreas industriais até 2015.

De fato, todas as iniciativas citadas na nossa Usina que elencaram diversas empresas começando com pequenas mudanças locais que podem influenciar e mudar o todo , chamaram a atenção para que para isso se tornar realidade é preciso que estas iniciativas estejam de alguma forma conectadas.

São necessárias mudanças sociais mais profundas e esta perna da sustentabilidade não pode mais ficar em segundo plano.

Desde a década de 50, com Deming e Juran, até os dias de hoje, quando falamos em back to basics para Qualidade e Produtividade na indústria, o que queremos de fato?

Queremos voltar às bases e à simplicidade para tratar do universo dos negócios cada vez mais complexo? Ou será por necessidade de recuperar conceitos e rever implementações de planos e programas, em geral muito bem planejados, didaticamente promovidos e até incentivados, mas sempre carecendo de continuidade e consistência?  Afinal, “consistência é a coerência prolongada” como ensina a doutora Ethel Bauzer Medeiros, insigne colaboradora do IMI.

O conhecimento existe, portanto a Lacuna do Saber pode ser resolvida até de forma razoavelmente fácil e de baixo custo.

A Lacuna do Querer é mais difícil, pois requer motivação e ainda exige que essa motivação seja mantida em nível mínimo adequado, para garantir a consistência acima citada.

A Lacuna  do Poder Fazer merece mais do que o poder resumido no empowerment . Aqui o Poder Fazer requer também recursos, decisão e atitude.

Esta mudança de mentalidade que implica em mudança de comportamentos é parte do que se chama hoje Gestão de mudanças (Change Management) e implica  mudança de cultura desde a célula social que é o individuo, um grupo ou time multifuncional, até a empresa como organismo,  e toda a sociedade no seu entorno, quando entramos no tema da educação e sistema de ensino.

Estas mudanças não ocorrem nos tempos e prazos do mercado financeiro e infelizmente nos tempo dos modelos de gestão usuais. Elas ocorrem no tempo do nosso psicossocial, do nosso processo de desenvolvimento individual e coletivo, portanto num tempo diferente do tempo das transações em bolsas e discussões de resultados trimestrais de budget.

Quem souber alinhar estes tempos e gerir as diferenças de demandas com os conflitos naturais destes tempos assíncronos, tem uma chance de ter sucesso neste desafio.

 

Marcos C Ribeiro

 

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